Solidariedade à professora Amélia Cohn

Solidariedade à professora Amélia Cohn

A Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e o Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes) repudiam a forma desrespeitosa com que a Universidade Católica de Santos tratou a professora Amelia Cohn em um ato de demissão sumária e sem explicações plausíveis, como divulgado pelo professor Gabriel Cohn em carta aberta à comunidade científica e de saúde.

A professora doutora Amelia Cohn é amplamente reconhecida pela comunidade da Saúde Coletiva como uma intelectual de alto nível acadêmico que enriquece o quadro de professores de qualquer universidade e oferece aos estudantes e aos colegas o que há de melhor no pensamento dos dilemas da sociedade brasileira contemporânea. Reconhece ainda sua enorme contribuiçao às entidades signatárias na luta pelo direito universal à saúde no Brasil.

Além da solidariedade à professora Amélia Cohn, essa declaração pública expressa nossa preocupação com a ocorrência de condutas aéticas contra docentes por parte de instituições de ensino superior, que podem comprometer tanto a liberdade de pensamento e expressão, quanto a qualidade do ensino e da pesquisa.

Luis Eugenio de Souza – presidente da Abrasco
Ana Costa – presidente do Cebes



Comentários

  1. Venho aqui agradecer as professoras Rosa e Amelia, pelo carinho e dedicacao comingo em sala de aula, os momentos valiosos que ninguem pode apagar da memoria de um aluno. Foi com tamanha violencia e falta de respeito a demissao e assim deixando nos alunos orfãos no ensino.

    Obrigada Amelia e Rosa, pode tira vcs da faculdade, mas n da gente e todos os momentos vivi ali por nos.

  2. Depois de tomar conhecimento da demissão intempestiva de Amélia Cohn, fiquei me perguntando; quais as razões, de fundo, para o acontecido? A professora não vinha cumprindo suas obrigações docentes e de pesquisa? A UNISANTOS entendeu que precisava de “sangue novo” para arejar a produção de conhecimento na sua PG em saúde coletiva? Resolveu trocar Amélia por gente mais preparada?! Haveria Amélia cometido algum deslize ético? Algo deveria explicar a agressão e, na verdade, nada foi explicado pelos autores da mesma. Simplesmente lhe deram o que se chamava, antigamente, um bilhete azul.
    Mas a minha intuição me diz que a UNISANTOS demitiu Amélia por deixar-se levar por dois dentre os sete pecados que na tradição da ideologia religiosa que a governa são chamados de capitais. A inveja e o pior deles, o orgulho. Este último, expresso por uma de suas múltiplas facetas – a cobiça. Consta, aliás, que o exorcista alemão Peter Binsfeld, em 1589, associou cada um dos sete pecados a um demônio. A inveja foi associada a Leviatã e a cobiça a Lúcifer que, na hierarquia dos demônios, estão no mais alto degrau. Tudo muito grave, portanto.
    Quem perde? Amélia, certamente, no plano material. Mas perde muito mais a UNISANTOS, mais pobre que fica no plano das ideias e do espírito crítico. Perde também o ambiente acadêmico nas universidades privadas, onde cada vez mais são relatadas situações desse tipo. Verticais, arbitrárias e mesquinhas.

  3. Conheci a Profa. Amélia Cohn em eventos realizados em SP, inclusive avaliou um trabalho nosso com o rigor que lhe é característico e que a academia e a sociedade necessitam para melhorar seus caminhos na área da saúde. Preocupa as restrições que estamos encontrando em instituições públicas e privadas de ensino superior quanto a análise crítica que devemos realizar como tarefa própria destas instituições. Contra estas atitudes e ações somente um rede de solidariedade e denúncia fará frente.
    Pedro Paulo Freire Piani
    UFPA

  4. Antes de criarmos o Pólis trabalhei com a professora Amélia Cohn no CEDEC . Estive também com ela em viagens internacionais e encontros no país. É inegável a sua contribuição a pesquisa e aos valores humanos para o desenvolvimento do país.

    Hamilton Faria
    Instituto Pólis
    diretor

  5. Profundo pesar pela perda que representará a novos alunos da referida instituição, sem contar ao seu próprio nome. Falo por experiência, dadas as inúmeras contribuições durante meu crescimento e amadurecimento acadêmico recibido das Dras. Amélia e Rosa.
    Prof. Amélia, esta com certeza não foi sua primeira decepção com pessoas….
    Trata-se não do que foi feito, mas sim como ! Justificativas que se prestam mais a amenizar a consciência alheia do que provar tecnicamente uma tese.
    Vire a página e siga pelo sempre íntegro e belo caminho que tem pela frente.
    Solange Abelha

    • Imagino que esforço uma instituição interessada de fato no ensino e na valorização do conhecimento não faria para ter Amélia Cohn em seus quadros. Talvez não combine a presença de uma professora tão profundamente ligada à ciência e ao rigor intelectual em uma instituição religiosa; possivelmente os motivos são muito menores do que convicções doutrinárias. Amélia, como ex-e-para-sempre-aluno, minha permanente admiração!

  6. Estamos assistindo ao total desmantelamento do ensino superior neste país, toda a luta dos trabalhadores no sentido de garantir mínimos direitos trabalhistas está sendo desrespeitada por coordenadores de universidades que estão a favor do mercado, sem nenhuma preocupaçao com a verdadeira missão da universidade que seria a de formar cidadãos.

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