Homenagem ao médico sanitarista Eleutério Rodriguez Neto

Homenagem ao médico sanitarista Eleutério Rodriguez Neto

É com grande honra que o Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (CEBES) homenageia uma das personalidades mais importantes da Saúde no país, Eleutério Rodriguez Neto (1946-2013), nesta segunda-feira (21), data essa do seu aniversário. Se estivesse vivo, Eleutério completaria 68 anos. A homenagem é uma forma do Cebes reconhecer o legado deixado por um dos criadores desta entidade e presidente entre 1980-1981 e 1991-1993 e vice-presidente na gestão 1994-1996. Foi membro também do Conselho Editorial da Revista do CEBES de 1987 -1991.

Um dos idealizadores do Sistema Único de Saúde (SUS), o médico sanitarista Eleutério Rodriguez Neto, nascido em Campinas (SP), dedicou sua vida integralmente a causa da saúde pública no Brasil, engajando-se intensamente na Reforma Sanitária Brasileira, para que a saúde fosse um direito do cidadão e um dever do Estado.

Formado na Universidade de Brasília (UnB), Eleutério foi fundador do Núcleo de Estudos em Saúde Pública da Universidade deBrasília (NESP/UnB). Interrompeu o segundo ano de residência para cursar o mestrado em Medicina Preventiva na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo/FMUSP, o grande marco de sua vida profissional, pois entrou em contato com uma nova abordagem dos problemas médico-sanitários, a chamada medicina social.

Em 1974, impossibilitado de ingressar no corpo docente da USP por censura política, foi trabalhar no Núcleo de Tecnologia Educacional para Saúde (NUTES), da Universidade Federal do Rio de Janeiro/UFRJ, onde estava sendo implantado, mediante cooperação técnica com a Organização Pan-americana da Saúde (OPAS), o Centro Latino-Americano de Tecnologia Educacional em Saúde (CLATES).

Formalmente sua carreira docente iniciou-se na UFRJ. Em 1975, foi admitido por concurso público interno, de prova e títulos, para professor assistente da UFRJ.

No CLATES desenvolveu a atividade de consultor de recursos humanos, influenciando tanto os programas de pós-graduação da UFRJ, como muitos outros projetos de reforma de ensino da saúde no Brasil e em vários países da América Latina.

Em 1980, ingressou no Ministério da Previdência e Assistência Social, como Coordenador de Planejamento e Estudos da Secretaria de Serviços Médicos até 1982. Foi destacada sua atuação na formulação do “Plano de Reorientação de Assistência à Saúde Previdenciária”, elaborado pelo Conselho Consultivo de Administração da Saúde Previdenciária (CONASP), em 1981. Representando o Ministério da Previdência e Assistência Social, integrou a Comissão de Desenvolvimento de Recursos Humanos para a Saúde no Brasil e a Comissão Nacional de Residência Médica.

Entre 1983 e 1984, atuou no INAMPS, como Diretor do Departamento de Planejamento, onde estruturou as Ações Integradas de Saúde (AIS). Eleutério desempenhava estas atividades com competência e afinco e era marcante sua motivação política e ideológica, com grande capacidade de formulação política e com um discurso claro e determinado. Desenvolveu neste período intensa articulação entre grupos docentes e pesquisadores nas universidades, e gestores e técnicos nos serviços de saúde, destacando-se como uma liderança do movimento sanitário brasileiro, já então denominado de movimento pela Reforma Sanitária.

Participou da criação do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (CEBES) e foi presidente da entidade entre os anos 1980 a 1981 e 1991 a 1993 e vice-presidente na gestão 1994-1996.  Foi membro também do Conselho Editorial da Revista do CEBES de 1987 a 1991.Exerceu cargo de vice-presidente da Associação Brasileira de Pós-graduação em Saúde Coletiva (ABRASCO), gestão 1986/1987.

Foi secretário geral do Ministério da Saúde quando, a partir de um espaço privilegiado, participou da organização da 8ª Conferência Nacional de Saúde. Ainda nesse período, representou o país no Conselho Executivo da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Em 1986, passou a exercer uma função de acompanhamento da ação governamental no campo social, como subchefe para acompanhamento da Ação Governamental do Gabinete Civil da Presidência da República. Ao mesmo tempo, dedicou-se à organização do Núcleo de Estudos em Saúde Pública da Faculdade de Ciências da Saúde da UnB, onde desenvolveu intenso e produtivo trabalho de assessoria parlamentar aos constituintes em relação ao capítulo da Seguridade social. Ocupou também a função de diretor do Centro de Estudos Avançados e Multidisciplinares da UnB.

Em 1990 foi deslocado da UFRJ para a UnB, onde foi professor adjunto IV no Departamento de Saúde Coletiva. Nesse mesmo ano foi admitido por concurso de provas e títulos como assessor legislativo da Câmara dos Deputados.

Durante 20 anos ( 1975 a 1995) desenvolveu múltiplas consultorias para a Organização Pan-americana da Saúde (OPS/OMS) em Washington, D.C., EUA, PAHO/HQ, Genebra, Argentina, Colômbia, Equador, Honduras, Costa Rica, México, Chile, Bolívia, Peru, Brasília, Quebec/Canadá, Rio de Janeiro.

No ano de 2000 foi diagnosticado com a doença neuro-degenerativa de Pick. Ele faleceu no dia 23 de dezembro de 2013, em São Paulo, aos 67 anos. Deixa a esposa Lúcia, dois filhos e duas netas.

Fonte: Cebes



Comentários

  1. Em 21 de julho de 2014 às 19:44
    sylvia ypiranga disse:

    Obrigada ao CEBES, por mais esta homenagem a meu pai.
    Hoje é seu aniversário e este carinho alegra o nosso dia

  2. Meu primo e colega de profissão Eleutério Rodriguez Neto nos deixou precocemente.Uma perda muito grande.

  3. Sua contribuição para a Saúde no Brasil foi muito grande

  4. Conheci Eleutério chegando de Campinas com os amigos Sergio e Carpintero.Bonitos rapazes e prontos para os desafios da vida! Senti quando o perdemos! Mas continua vivo pelos méritos e feitos.Renée

  5. Tenho certeza que a saúde pública no Brasil sentirá muito sua falta.

  6. A perda do Eleutério é irreparável. Algumas pessoas são insubstituíveis.

  7. Algumas perdas a gente não consegue retrata – las em palavras tão grande ela se nos apresenta. Eleutério é uma perda que os amigos tem dificuldade de conviver. Mas, assim é a vida, e sua ausência é compensada pelas lembranças e pelas lutas em defesa da saúde do povo brasileiro. Grandes e inesquecíveis momentos que se prolongavam em reuniões caseiras para desfrute de comidas de um grande cozinheiro.

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