Saúde no DF em debate com os candidatos a governador

Saúde no DF em debate com os candidatos a governador

Por Ana Maria Costa.

 

Na noite do dia 19/09 foi realizado um concorrido debate no auditório da Fiocruz /UnB com os candidatos ao governo de Brasília/DF. Na pauta, o complexo e urgente tema da saúde, demanda prioritária em todas as pesquisas de opinião.

Com a ausência justificada de Rollemberg e não justificada de Pittman, os demais candidatos foram sabatinados por especialistas e estudantes e, desta forma, puderam expor e debater suas ideias.

O núcleo do Cebes-DF (Centro Brasileiro de Estados de Saúde) realizou minucioso estudo sobre as propostas escritas e registradas no TSE dos candidatos ao Governo do DF e alerta que todas são constituídas por propostas pontuais, fragmentadas e alinhavadas em objetivos esparsos e não tocam no cerne dos problemas estruturais para a consolidação do SUS no DF, tal como prevê a Constituição. Talvez seja hora de debater o que são projetos eleitorais voltados para o marketing político em contraponto com programas formulados com o rigor da análise das necessidades em saúde, politicamente comprometidos com a consolidação do SUS.

Por problemas estruturais entenda-se o investimento por politicas que consolidem o modelo de atenção capaz de prover a universalidade, integralidade e gestão democrática e participativa.

Estamos falando de um SUS que o futuro governador e sua família não tenham dúvidas em utilizar os seus serviços, tal como a classe política, funcionários públicos e toda população.

Para começar, consolidar o SUS de qualidade para todos exige um conjunto de compromissos dos candidatos que vão desde a garantia do financiamento, da suficiência e qualidade dos recursos humanos, mudança do modelo de gestão garantindo a primazia dos interesses públicos e da administração publica e inversão da logica de reorganização da assistência a partir das necessidades da população reduzindo a força dos interesses corporativos e privados que corroem o projeto do SUS constitucional.

Mas aos que lutam legitimamente pela consolidação da ESCS –Escola Superior de Ciências da Saúde, uma boa noticia: o governador Agnelo anunciou que criará a Universidade da Saúde até o final de 2014 – ainda nesse mandato.

Essa aspiração, mesmo que pontual no contexto das amplas necessidades em saúde do DF, atende ao interesse particular dos envolvidos nessa luta e tem importância estratégica no futuro de um projeto consequente de formação de médicos e enfermeiros para o DF.

A ESCS, criada para responder aos desafios de uma formação em saúde voltada às necessidades do SUS e do povo brasileiro, terá agora uma situação institucional mais confortável e adequada para cumprir sua missão.

Resta-nos, como dirigentes, docentes e discentes da Escola, além de celebrar a boa nova, ocuparmo-nos com a avaliação crítica do processo em curso e debater caminhos para o seu aperfeiçoamento na qualificação e reajustes do rumo para que, de fato, seja efetivada a missão de formar bons médicos integralistas, ética e politicamente comprometidos com os problemas da maioria da população.

 

anacosta3(1)Ana Maria Costa é médica, Doutora em Ciências da Saúde, Docente da ESCS e Presidente do Cebes.



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