Técnica brasileira de cirurgia para Parkinson ganha prêmio na Europa

Técnica brasileira de cirurgia para Parkinson ganha prêmio na Europa

Uma equipe brasileira desenvolveu uma nova técnica de cirurgia para implantação de eletrodos no cérebro de pacientes com Parkinson. A novidade, que diminuiu o tempo de cirurgia em até 40% e aumentou a segurança e a precisão do procedimento, recebeu um prêmio no Congresso Bi-anual da Sociedade Europeia de Neurocirurgia Estereotáxica e Funcional (ESSFN, na sigla em inglês), em setembro.

Trata-se de um projeto conjunto entre o Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio-Libanês e o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) liderado pelo neurocirurgião Erich Fonoff. O que sua equipe fez foi aperfeiçoar o método de implantação de eletrodos no cérebro, procedimento necessário para a terapia de estimulação cerebral profunda (ou DBS, na sigla em inglês).

Nessa terapia, que já é aplicada no Brasil há vários anos em pacientes com Parkinson, uma região específica do cérebro passa a receber estímulos elétricos a partir de um “marca-passo” cerebral. Esse estímulo diminui alguns dos sintomas da doença, levando o paciente a ter maior controle sobre seus movimentos, por exemplo.

Até então, o implante dos eletrodos era feito separadamente em cada lado do cérebro. A equipe de Fonoff conseguiu desenvolver um mecanismo para fazer os implantes nos dois lados do cérebro simultaneamente.

Durante a etapa da cirurgia em que os eletrodos são implantados, o paciente tem de permanecer acordado e interagindo com a equipe médica, que pode se certificar na hora se os estímulos elétricos naquela área do cérebro estão fazendo o efeito esperado.

A diminuição do tempo dessa etapa cirúrgica de 35 a 40%, portanto, torna o procedimento menos penoso para o paciente. Além disso, a possibilidade de acessar os dois lados do cérebro ao mesmo tempo diminui o risco de imprecisões.

 

Movimentação do cérebro

“Quando se opera o cérebro, ele se movimenta. Quando se faz o segundo lado, portanto, existe uma dificuldade maior de se atingir o alvo, que é pequeno, devido à movimentação que o cérebro pode ter tido durante a operação do primeiro lado. A ideia desse trabalho é que se faça não só com que o tempo seja reduzido, mas também existe um potencial de que haja um aumento da precisão da cirurgia”, diz Fonoff.

Para encontrar o lugar certo para se implantar os eletrodos, os cirurgiões recorrem a uma combinação de exames de imagem (ressonância magnética e tomografia) e de eletrofisiologia, em que se faz o registro da atividade do cérebro. “Cada região do cérebro tem uma assinatura fisiológica, os neurônios de cada parte do cérebro se comportam de uma maneira bem característica, o que permite localizar milimetricamente o local onde os eletrodos devem ser implantados”, observa Fonoff.

Para conseguir operar os dois lados ao mesmo tempo, a equipe encomendou um equipamento especial a uma empresa brasileira para guiar o aparato que entra no cérebro do paciente. Para Fonoff, trata-se de um aperfeiçoamento importante que pode, no futuro próximo, ser utilizado em muitos outros países.

Também fazem parte da equipe que desenvolveu o projeto os médicos William Omar Contreras, Angelo Azevedo, Raquel Chacon Ruiz Martinez, Jessie Navarro, Jairo Angelos e Manoel Jacobsen Teixeira. No Sírio-Libanês, o projeto foi financiado pelo Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS). No congresso ESSFN, a pesquisa foi premiada como o melhor trabalho pôster do evento.

 

Fonte: G1



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