Oito mulheres morrem e mais de 60 são internadas após esterilização realizada pelo governo na Índia

Oito mulheres morrem e mais de 60 são internadas após esterilização realizada pelo governo na Índia

Por Redação Opera Mundi.

 

Oito mulheres morreram e pelo menos dez se encontram em estado grave de saúde na Índia após serem submetidas a cirurgia de laqueadura. Além disso, mais de 60 permanecem internadas em diversos hospitais do país. De acordo com a informação divulgada por meios de comunicação locais, os incidentes ocorreram em um acampamento de planejamento familiar governamental no centro da Índia, no estado de Chattisgarh, no último domingo (09/11).

Após os incidentes, o governo indiano suspendeu o programa de esterilização voluntária que executa em todo o país desde o sábado (08/11). De acordo com a agência Efe, 83 mulheres foram submetidas a esterilização em massa, como parte da campanha promovida para auxiliar o planejamento familiar em áreas mais pobres.

As causas das mortes ainda são desconhecidas, mas acredita-se que elas tenham morrido por septicemia (infecção generalizada). As vítimas possuem entre 22 e 32 anos.

O chefe do hospital de Bilaspur, Ramnesh Murthy, onde muitas das vítimas foram operadas, não soube explicar à imprensa o que aconteceu: “É prematuro especular sobre as razões da tragédia. Nossa prioridade é tratar as mulheres hospitalizadas que estão sofrendo com queda de pressão”. E ressaltou que só será possível saber o que ocorreu quando tiverem sido realizadas as autópsias.

Quatro médicos foram denunciados à polícia pela morte das mulheres. Eles são acusados de negligência durante os procedimentos cirúrgicos, realizados na cidade de Bilaspur.

O governo anunciou compensações de 200 mil rúpias (US$ 3.267) para as famílias das mortas e de 50 mil rúpias (US$ 816) para as que estão em estado crítico. As autoridades de saúde realizam campanhas regulares de esterilização voluntária para conter o crescimento demográfico.

 

Programa de esterilização

As mulheres que se apresentam voluntariamente para realizar a crurgia recebem 1.400 rupias (US$ 25) do governo. “O pagamento é uma forma de coerção, especialmente quando você está lidando com comunidades marginalizadas”, disse Kerry McBroom, diretor da Iniciativa dos Direitos Reprodutivos da Rede de Direitos Humanos, ao site The Guardian.

Entre 2013 e 2014, mais de 4 milhões de cirurgias deste tipo foram realizadas no país, de acordo com dados do governo. De 2009 a 2012, o governo indenizou 568 famílias devido às mortes após as esterilizações.

ONGs que atuam na Índia denunciam a existência de cotas em alguns estados indianos, o que faz com que autoridades realizem esterilizações forçadas e em condições higiênicas precárias. De acordo com a AFP, no ano passado, autoridades do estado de Bengala Ocidental, no leste do país, foram criticadas após a divulgação de imagens que mostravam mulheres inconscientes em um campo, após a operação massiva em um hospital que não tinha capacidade para receber tantas pacientes.

Além disso, também são denunciados diversos casos de corrupção no sistema de saúde indiano. Nos hospitais do país faltam medicamentos e até itens básicos, como desinfetante.
A Índia é o segundo país mais populoso do mundo depois da China, com cerca de 1,25 bilhões de habitantes.

 

Fonte: Opera Mundi



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