Carta de Apoio aos Estudantes e Coletivos de luta contra as violências aos direitos humanos na FMUSP

Carta de Apoio aos Estudantes e Coletivos de luta contra as violências aos direitos humanos na FMUSP

A Direção Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina vem a público manifestar seu apoio aos grupos e coletivos de estudantes da Universidade de São Paulo que denunciam os atos de violação aos direitos humanos que tomam a academia como pano de fundo. Supostamente feitas para divertir e recepcionar “bem” os calouros, as músicas são na verdade hinos de exaltação e apologia ao crime de racismo, ao machismo, à inferiorização da mulher e homolesbotransfobia.

O pretexto do humor ou sátira muitas vezes utilizado não pode, aqui, existir: o agente produtor do discurso está sempre em uma posição de produção social. A piada e o humor são importantes formas de propaganda ideológica, amplo – e supostamente livre – terreno para as opressões e para a prática de violações aos direitos humanos.

A manifestação do pensamento é fundamentalmente livre – como a liberdade de associação, da qual nos valemos como se valem as instituições denunciadas – porém a intimidade, vida privada, honra e imagem das pessoas e grupos é também fundamentalmente inviolável. O discurso autoritário, associado à necessidade de manter poderes, é a mais escancarada forma de uma dominação que não suportamos.

Compreendemos que essas práticas de violência e perpetuação dos discursos de ódio partem de pequenos grupos organizados, que se utilizam desses instrumentos para interesses próprios. Embora esses grupos não sejam representativos da comunidade acadêmica, suas atividades são respaldadas pelo silêncio receoso e inércia da maioria dos estudantes. Enquanto Executiva, convocamos essa maioria a aproveitar a oportunidade de se opor a todas as formas de violência em suas respectivas instituições de ensino.

Muitos estudantes assumem o silêncio – um silêncio histórico, programado e muitas vezes “obrigatório” na escalada pela manutenção do status quo – como forma de negar ou minimizar a opressão e preconceito que sofrem. Nós, entretanto, acreditamos no grito dessas pessoas como uma forma de dar voz à perspectiva de um mundo livre de opressões quaisquer: sejam elas quanto à cultura, história, pele, sexualidade, posição social ou outras formas de opressão.

 

Saudações Estudantis,
Rio de Janeiro, 23 de Novembro de 2014

Direção Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina – DENEM

 

Também assinam a Carta:

Centro Acadêmico Carlos Chagas – CACC – Medicina- UFRJ
Centro Acadêmico Sir Alexander Fleming – CASAF – Medicina – UERJ
Centro Acadêmico Vital Brazil – CAVB – PUCSP

Roberta Silva de Paola, MS, UFMS
Maurício Petroli, Rio de Janeiro, UFRJ
Wandson Alves Ribeiro Padilha, Pernambuco – UNIVASF
Guilherme Martinolli Faig Canesin – UFRJ
Anna Letícia de Moraes Alves, PE, UPE
Leonardo Fantini, SP, Pontifícia Universidade Católica de Campinas.
Vanessa Cristina Fanger, São Paulo, PUCCAMP
Gabriela Rodrigues, São Paulo, FAMEMA
Leo Martins,Pernambuco, UPE
Gislaine Rosa de Souza Oliveira – UFV
Guilherme Antoniacomi Pereira, Paraná, FEPAR
Thaís Munholi Raccioni, Marília, FAMEMA
João Zunino
Gabriel Maia, Pernambuco, UPE
André Luís Melo dos Santos – Bahia – UFBa
Mariel Hespanhol Torres, MG, UFV
Athos Paulo Santos Martini, SC, UFSC
Karina Moreira Silva, MT, UNEMAT
Gabriel Leite Garcia – UNEMAT
Liziane Guedes da Silva, Rio Grando Sul, UFRGS
Mateus Zapparoli Claro, SP, USP
Joanderson Novaes Silva, MT, UNEMAT
Florinha, FMUSP
Sergio d. s. b. Joanni – São Paulo – USP
Márcio Bastos, Pernambuco, UPE
Victor Kelles Tupy da Fonseca, MG, UFV

 

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