Cebes manifesta apoio integral à vinda da professora Judith Butler ao Brasil

Cebes manifesta apoio integral à vinda da professora Judith Butler ao Brasil

A filósofa Judith Butler é doutora em Filosofia pela Universidade de Yale, professora na Universidade da Califórnia, Berkeley, onde leciona no Departamento de Literatura Comparada e no Programa de Teoria Crítica, é autora de 15 livros, dos quais seis traduzidos no Brasil por diferentes editoras. Butler é uma das convidadas do colóquio “Os fins da democracia – Estratégias Populistas, Ceticismo sobre a Democracia e a Busca por Soberania Popular”, promoção conjunta entre Berkeley e a USP, no qual estão previstas as participações de outros tantos professores oriundos de diferentes universidades, como Humboldt Universität, Boğaziçi University, Université de Paris VII, Universidade de Buenos Aires etc.

 

São pesquisadores e pesquisadoras norte-americanos, latino-americanos e europeus que, como nós, professores brasileiros e brasileiras, desenvolvem um trabalho intelectual cuja premissa é a liberdade de pensamento, a possibilidade de crítica, e a capacidade de colocar em debate questões relevantes para o conjunto da sociedade. Essa liberdade, no entanto, é ameaçada por grupos que pretendem impedir a vinda de Butler ao Brasil, a realização do seminário e o livre diálogo de ideias.

 

Nós, do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde, temos lutado desde 1976 por uma sociedade democrática em que são respeitados os direitos fundamentais. Viemos por isso a público manifestar nosso apoio integral à vinda da professora Judith Butler ao Brasil e o exercício de sua liberdade de expor seus argumentos, proposições e discussões. O cerceamento à vinda de uma intelectual mundialmente respeitada e o silenciamento da sua fala não é apenas uma ameaça para a vida acadêmica e intelectual de tanta/os professores e pesquisadores que com seus estudos e debates contribuem ao desenvolvimento do nosso pais, mas também para a nossa ainda incipiente democracia que atualmente já está sofrendo ranhuras profundas pela crescente intolerância em face da diversidade política, social e cultural.

 

“Toda consciência aspira a colocar-se como sujeito soberano.

Toda consciência tenta realizar-se reduzindo a outra à escravidão.

O drama pode ser resolvido pelo livre reconhecimento de cada indivíduo no outro, cada qual pondo, a um tempo, a si e ao outro como objeto e como sujeito em um movimento recíproco.

Mas a amizade e a generosidade que realizam concretamente esse reconhecimento das liberdades, não são virtudes fáceis; são seguramente a mais alta realização do homem e, desse modo, é que ele se encontra em sua verdade: mas essa verdade é a de uma luta incessantemente esboçada e abolida.

Ela exige que o homem se supere a cada instante.”

Simone de Beauvoir



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