O amanhã descolorido

O amanhã descolorido
Por Luís Felipe Eloy*
Investimento em pesquisa, pura e aplicada, é um dos pilares da autonomia tecnológica e, consequentemente, do desenvolvimento sócio-econômico de um país.
Os EUA investem, anualmente, o equivalente a 465 bilhões de reais (118 bilhões de dólares) em pesquisa.
No Brasil, em 2010, no último ano do governo Lula, o total investido foi de 10,4 bilhões de reais (cerca de 2,5% do total investido pelos EUA).
Com Temer, em 2017, o montante baixou para menos da metade, 4,6 bilhões. E em 2018, para 1,4 bilhão.
Com Bolsonaro, vai cair mais ainda, posto que a ordem foi de cortar 30% do orçamento das universidades federais. Só o CNPQ, este ano, terá um corte de 400 milhões de reais.
No Brasil, a quase totalidade da pesquisa é feita em universidades. E, dessas, 99% das que investem em pesquisa são públicas.
A partir daí podemos ver o estrago que essa administração de caixa do Guedes – marca registrada dos governos neoliberais: espremem os trabalhadores para equilibrar o fluxo de caixa, enquanto desoneram os capitais, em especial, o financeiro e o especulativo – trará ao futuro do país: cada vez mais, acentuaremos nossa vocação de exportador de commodities, com pequeno valor agregado, e importador de produtos com alta tecnologia, ou seja, cada vez mais subdesenvolvidos, dependentes das tecnologias de primeiro mundo e reféns das inversões de capitais. Espelhinhos, em troca do nosso ouro.
E o que dói mais é saber que não somos uma Bolívia, um Paraguai: temos os meios e recursos para romper com esse ciclo de pobreza. Fico pensando nos 75% do pré-sal investidos na educação brasileira. Um negócio de 20 trilhões de reais. Poderíamos ter uma educação do nível da Suécia. E entregamos de mão beijada para EUA, China e Noruega.
É triste. Desalentador, sobretudo se pensarmos que esse processo de expropriação dos pobres pelos ricos, dos subdesenvolvidos pelos desenvolvidos, tem um fiador: a suprema ignorância do povo, expressa no voto que elegeu o atual Presidente da República.
Alguns acham Bolsonaro perdido. No varejo, talvez. Mas não no atacado. Ele sabe bem o que faz. Esse corte no orçamento das universidades federais, as únicas capazes de desenvolver uma intelligentsia nacional, não é por acaso.
* Advogado


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