Impostos sobem 7 vezes mais que salários, mostra estudo do Ipea

A renda do trabalhador cresceu 1% em sete anos, enquanto os impostos líquidos sobre produção e importação subiram 7,7%, mostra estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). No mesmo intervalo, a renda nacional evoluiu 19,3% . Os dados se referem ao período entre 2000 e 2006 e foram divulgados nesta quarta-feira (12/11). Não foram informados números mais recentes. Os trabalhadores de renda mista (que não são empregados e possuem meios próprios de geração de rendimentos, como trabalho autônomo) tiveram um tombo na sua remuneração, com perda de 21,1%.

A renda dos proprietários (lucros, juros, aluguéis e renda da terra) cresceu mais do que o dobro dos salários (2,4%).

O Ipea avalia que os dados mostrados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) não refletem a desigualdade realmente existente no país, porque não medem corretamente a participação do rendimento do trabalho no total da renda nacional. Ficam faltando dados como a renda dos proprietários.

Segundo o estudo, em 1990, os salários dos trabalhadores compunham a maioria da renda nacional (PIB) e representavam 53,4% dela. O rendimento dos proprietários e dos trabalhadores “mistos” significava 46,5%.

Em 2007, a situação foi invertida. Ainda com dados estimados, sem números finais, a renda dos assalariados representava no ano passado 48,9% da renda nacional, enquanto os proprietários e mistos abocanham 51,1%.

Governo gasta em juros mais de 8 vezes o que aplica em educação

Os gastos do governo com pagamento de juros do endividamento público, entre 2000 e 2007, somaram R$ 1,268 trilhão, o que representa 8,5 vezes o dinheiro investido em educação no mesmo período, que foi de R$ 149,9 bilhões. A informação também consta de estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O gasto com juros também supera de longe o que foi empregado em saúde: R$ 310,9 bilhões.

Segundo nota distribuída pelo Ipea, além de o gasto com juros ser “improdutivo, pois não gera emprego e tampouco contribui para ampliar o rendimento dos trabalhadores”, também colabora para a concentração de renda.

Para o mesmo período, segundo o Ipea, o somatório dos gastos da União com saúde, educação e investimento correspondeu a somente 43,8% do total das despesas com juros.

 

Fonte: UOL