Revista Saúde em Debate, v.41, n. especial 2 – Saúde, trabalho e ambiente

Revista Saúde em Debate, v.41, n. especial 2 - Saúde, trabalho e ambiente

O CENÁRIO MUNDIAL APRESENTA ENORMES DESAFIOS no que diz respeito à relação saúde e ambiente.

 

Além da fome, o desequilíbrio e a poluição ambiental têm contribuído para mudança climática e para crise hídrica mostrando como a ação antrópica impacta o alarmante quadro de saúde e a reincidência ou aumento de doenças como a febre amarela, dengue, zika e as parasitoses. Assim, ações de controle ambiental, como o saneamento, dentro e fora de ambientes laborais são essenciais para a redução de externalidades causadas à saúde pública. Enfocam o estudo de fatores ambientais no meio físico no qual o homem habita, trabalha e convive, que possa exercer efeito danoso ao bem-estar físico, mental e social. Visam contribuir para a promoção de ambientes saudáveis, redução de riscos ambientais e a mitigação de seus impactos na saúde. A sua atuação também abrange situações de desastres causados por fatores naturais ou por interferência humana.

 

No tocante à relação saúde e trabalho, o panorama não é diferente, uma vez que somos igualmente desafiados a compreender as atuais configurações dos processos produtivos, bem como das organizações de trabalho e suas repercussões sobre a saúde da população trabalhadora. Aspectos como intensificação e precarização social do trabalho, perda de direitos sociais, previdenciários e trabalhistas refletem retrocessos históricos de conquistas da classe trabalhadora, apontando para a necessidade, imprescindível, de fortalecimento dos movimentos sociais e de resistências locais com a participação dos trabalhadores. Nesse contexto, este número temático da revista ‘Saúde em Debate’ pretende contribuir para uma reflexão sobre questões atuais da saúde, trabalho e ambiente.

 

Este suplemento é fruto de um compromisso institucional do Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca da Fundação Oswaldo Cruz. A proposta da Coordenação do Programa de Pós-Graduação, homologada na Coordenação de Pósgraduação (CPG), constitui-se na publicação de uma sequência de números temáticos, que reúnem áreas institucionais do referido programa. Aqui, neste número, são apresentadas duas áreas de conhecimento, a saber: saúde, trabalho e ambiente e de saneamento ambiental.

 

É válido mencionar que a chamada aberta possibilitou o envio de trabalhos de diversas instituições de ensino e pesquisa em saúde coletiva no Brasil, incluindo países da América Latina. De fato, o tema saúde, trabalho e ambiente, aqui analisado sob diferentes perspectivas teóricas e abordagens metodológicas, espelhou de forma exitosa a produção de conhecimento nessas áreas, tanto nacional quanto internacionalmente. Foram recebidos 127 artigos de todo o Brasil e da América latina, que, por meio da equipe de editores convidados, foram submetidos à avaliação (peer review) e, após aprovação e revisão pelos autores, compuseram este número temático especial da revista. Assim, este número contém 19 artigos originais, 4 ensaios, 1 revisão bibliográfica e 3 relatos de experiência, todos resultantes de dissertações, teses e investigações procedentes de grupos de pesquisa de diferentes programas de pós-graduação.

 

Os temas tratados recobrem os mais diferentes aspectos do trabalho e sua relação com a saúde, sendo eles: violência doméstica e trabalho; trabalho infantil; o trabalho das mulheres no agronegócio;o processo de trabalho em uma unidade de produção de imunobiológicos; as trajetórias educacionais e ocupacionais de trabalhadores do Sistema Único de Saúde (SUS); a reorganização do trabalho em uma agência da Previdência Social; impactos da sericultura em trabalhadores; avaliação dos trabalhadores na Atenção Primária à Saúde; trabalhadores em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal; riscos ocupacionais em biotérios; avaliação da síndrome de burnout em trabalhadores no sistema hospitalar; as repercussões da Doença de Chagas em trabalhadores; as políticas da saúde do trabalhador na saúde mental; as questões de saúde do trabalho de imigrantes; e a exposição ocupacional a substâncias químicas.

 

Há artigos sobre questões das políticas públicas e a redução de desastres, sobre a Convenção de Minamata, riscos à leptospirose no Rio de Janeiro, riscos ambientais em matadouros, do território como categoria de importância na saúde pública, as interfaces entre vulnerabilidade, território e metabolismos social.

 

Há que se mencionar ainda trabalhos que aprofundam aspectos subjetivos de bombeiros militares na dinâmica do reconhecimento e análise de malformações congênitas na utilização de agrotóxicos em monoculturas.

 

São apresentados três relatos de experiências que abordam a questão territorial e o risco de forma diferenciada com análises e propostas de soluções. O primeiro aborda o desastre da Região Serrana, em 2011, onde a população atingida ficou em abrigos temporários, sendo analisadas as falhas e lacunas no planejamento desses abrigos. Em sequência, apresenta a proposta metodológica participativa nominada de ‘Oficina Mapa Vivo’ de combate ao mosquito Aedes aegypti, e conclui com a descrição de ações de educação ambiental realizadas na bacia do Ribeirão Izidora.

 

Por fim, a expectativa é que esse conjunto de estudos sirva de referência para refletir e agir perante as adversidades de contexto, tomando por base o conhecimento crítico e socialmente engajado.

 

Esperamos que desfrutem da leitura.

 

Maria Helena Barros de Oliveira
Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp), Departamento de Direitos Humanos, Saúde e Diversidade Cultural (DIHS) – Rio de Janeiro (RJ), Brasil.

 

Aldo Pacheco Ferreira
Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp), Departamento de Direitos Humanos, Saúde e Diversidade Cultural (DIHS) – Rio de Janeiro (RJ), Brasil.

 

Telma Abdalla de Oliveira Cardoso
Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp), Departamento de Saneamento e Saúde Ambiental (DSSA) – Rio de Janeiro (RJ), Brasil.

 

Simone Cynamon Cohen
Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp), Departamento de Saneamento e Saúde Ambiental (DSSA) – Rio de Janeiro (RJ), Brasil.

 

Débora Cynamom Kligerman
Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp), Departamento de Saneamento e Saúde Ambiental (DSSA) – Rio de Janeiro (RJ), Brasil.

 

Katia Reis de Souza
Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp), Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana (Cesteh) – Rio de Janeiro (RJ), Brasil.

 

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