5 anos da pandemia: Controle Social quer Memória, Verdade e Justiça para vítimas da covid

Conselho Nacional de Saúde debate impactos da covid-19 na vida dos brasileiros e cobra responsabilização por mortes evitáveis

A covid-19 ainda impacta a vida dos brasileiros cinco anos após o início da pandemia. O plenário do Conselho Nacional de Saúde (CNS) defendeu, nesta quinta-feira, 13/3, a necessidade de Memória, Verdade e Justiça para as vítimas de covid-19. A mesa “Memória Viva: 5 anos após a pandemia de covid-19” reafirmou a necessidade de acolher os familiares de vítimas e sobreviventes, responsabilizando os agentes pelas ações e omissões que levaram o Brasil a ter mais de 700 mil mortes.

A mesa reuniu representantes da Coalizão Orfandade de Direitos, Ministério Público Federal e a advogada Bruna Morato, especialista em Direito da Saúde e responsável pela elaboração de um dossiê com denúncias de médicos ex-funcionários da Prevent Senior sobre conduta adotada pela operadora na pandemia.

“Se hoje colhemos os frutos da vacinação é graças a entidades como o CNS que acreditaram na Ciência”, afirmou Bruna Morato, que ressaltou reação da sociedade civil, incluindo o Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes) e a Frente Pela Vida (FpV), coalização de entidades criada 29 de maio de 2020, em defesa da democracia, da ciência e do Sistema Único de Saúde (SUS).

Bruna destacou a necessidade de responsabilizar os agentes que adotaram políticas públicas negacionistas e promoveram desinformação, resultando em milhares de mortes evitáveis. A experimentação com seres humanos, expostos a riscos com uso de medicações com amplos efeitos colaterais e nenhuma evidência de eficácia contra a Covid-19, é objeto de Ação Civil Pública que pleiteia indenizações por Danos Morais da Prevent Senior, no valor de R$ 980 milhões.

O procurador da República Sadi Machado ressaltou a necessidade de memória, verdade e justiça sobre a pandemia para evitar a repetição dos mesmos erros. “Nossa sociedade é marcada pela ausência de lutos históricos, da colonização, escravidão e, mais recentemente, da ditatura militar”, afirmou Sadi.

Milton Santos, representante da Coalizão Orfandade de Direitos, destacou a necessidade de linhas de cuidado para as famílias sobrevivente da Covid-19. A perda do cuidador primário, sobretudo a mãe, colocou milhares de crianças e adolescentes em situações de vulnerabilidade, com impacto em todas as esferas da vida, afetando indicadores como renda, taxa de vacinação e frequência escolar.

“A covid-19 ainda está presente nas famílias enlutadas, nos efeitos duradouros das campanhas de desinformação que reduziram a confiança dos brasileiros nas vacinas e na ciência. É preciso responsabilizar aqueles que, com suas ações e omissões deliberadas levaram o Brasil à beira do colapso sanitário, e reconhecer a importância do SUS e dos profissionais de Saúde que, na linha de frente do combate à pandemia, evitaram esse colapso”, afirmou o presidente do Cebes, Carlos Fidelis, conselheiro do CNS.

Reportagem: Cebes/Clara Fagundes