50 anos em movimento: Cebes celebra memória viva e democracia em construção
Celebrações articulam preservação do legado e mobilização para enfrentar desafios contemporâneos da saúde coletiva e da cidadania.
Neste ano em que o Centro Brasileiro de Estudos e Saúde (Cebes) completa seus 50 anos, a celebração principal tem como foco o estímulo à reflexão e formulação de políticas inclusivas destinadas a prover o bem-estar da população e a promoção de uma democracia e uma cidadania de fato.
Fundado em 1976, em um período decisivo de transição política no Brasil, o Cebes se consolidou como uma entidade civil de âmbito nacional comprometida com a democratização da sociedade e a defesa do direito universal à saúde, contribuindo de forma pioneira para o movimento da Reforma Sanitária ao fomentar debates e ações sobre saúde coletiva.
Desde então, a trajetória cebiana combina produção de conhecimento, mobilização social e disputa pública, sustentando a ideia de que saúde e democracia caminham juntas.
Essa história também é feita de comunicação. A revista Saúde em Debate, principal veículo do Cebes e ativa há quase cinco décadas, tornou-se referência acadêmica e científica na área ao alcançar milhares de estudantes e profissionais.
História – A partir de 1989, a entidade amplia esse esforço com a revista Divulgação em Saúde para Debate, voltada à difusão de documentos produzidos no âmbito de eventos promovidos por instituições e entidades do campo da saúde.
Ao longo dessas cinco décadas, o Cebes tem sido voz ativa na denúncia de iniquidades e injustiças do sistema de saúde brasileiro e na defesa da necessidade de reformas, contribuindo para formar coalizões em defesa da Reforma Sanitária com o apoio de entidades, movimentos e atores sociais do campo da saúde coletiva.
Para o Cebes, fortalecer democracia e cidadania é condição para consolidar o direito social à saúde e para sustentar um sistema público e universal de qualidade.“Celebrar 50 anos é reafirmar que a luta pela saúde coletiva não pertence ao passado. O Cebes completa meio século olhando para o futuro: queremos transformar a memória em ação e colocar esse acúmulo de lutas a serviço de uma nova geração de políticas inclusivas, democráticas e comprometidas com o bem-estar da população,” destaca o presidente Carlos Fidelis.
Mais do que marcar uma data, o projeto dos 50 anos parte de um objetivo amplo: fazer da mobilização comemorativa um estímulo à reflexão e à formulação de políticas inclusivas, capazes de promover bem-estar, democracia e cidadania de fato.
Atividades – Para isso, estão previstas atividades e produtos que, ao mesmo tempo, salvaguardam a história das conquistas inscritas na Constituição de 1988 e colocam o conhecimento acumulado no circuito produtivo, conectando-o a desafios contemporâneos e a novas agendas públicas.
Entre as ações estruturantes, está a criação de um repositório digital de acesso aberto, com documentos históricos e materiais audiovisuais produzidos no âmbito do projeto, garantindo preservação e acesso contínuo à memória e ao legado do Cebes, tanto para a academia quanto para a luta política.
O projeto prevê ainda a implementação da plataforma digital, além de processos de digitalização, indexação e disponibilização de acervos, incluindo a digitalização das edições de Saúde em Debate para acesso aberto.
O eixo cultural e formativo inclui a produção de um documentário sobre a história do Cebes e do Movimento da Reforma Sanitária, suas lutas e conquistas, e também um documentário voltado ao diálogo com os desafios da contemporaneidade.
Soma-se a isso a publicação de um livro sobre a trajetória do Cebes, com destaque para sua relação com a Reforma Sanitária, os debates na Constituinte de 1987–1988, a formulação do SUS e as lutas por uma saúde 100% pública, universal e de qualidade.“Nos 50 anos, a celebração também é compromisso com acesso e transparência. Preservar a memória não é apenas guardar: é organizar, disponibilizar e fazer circular esse patrimônio, fortalecendo a capacidade de pesquisa, formação e mobilização social em defesa do SUS e da democracia,” explica diretora executiva Ana Tereza Camargo
As comemorações também ganham capilaridade nacional, com previsão de exposições itinerantes junto a núcleos cebianos nas cinco regiões do país, ampliando o debate e a reflexão sobre saúde coletiva em diferentes territórios.
Na dimensão formativa, o projeto propõe cursos de curta duração sobre a trajetória do Cebes e do Movimento da Reforma Sanitária em escolas estaduais de saúde pública e atividades com movimentos sociais em 15 estados brasileiros onde a entidade possui núcleos ou parceiros.
Participação popular
No plano institucional, estão previstos um evento comemorativo no Rio de Janeiro, com seminário, exposição e exibição de documentário, além de uma sessão solene e um seminário no Congresso Nacional em homenagem aos 50 anos do Cebes, reafirmando o tema do direito à saúde e os obstáculos à conquista de uma democracia e cidadania de fato.
Ao celebrar 50 anos, o Cebes reafirma que comemorar é também enfrentar: dialogar com diferentes atores que defendem o SUS, convocar novas gerações de trabalhadores, estudantes e militantes, e sustentar, em meio às disputas do presente, a convicção de que sem saúde e sem democracia não existe amanhã.
Reportagem: Fernanda Regina da Cunha
