ALAMES 2025 lança programação oficial e coloca a saúde coletiva latino-americana no centro do debate político
Com 21 mesas temáticas, quatro grandes debates, três conferências e mais de 1.500 trabalhos inscritos, o Congresso celebra os 40 anos da associação como um espaço estratégico de articulação política em defesa da democracia, dos direitos sociais e da soberania dos povos.
A Associação Latino-Americana de Medicina Social e Saúde Coletiva (ALAMES) lançou oficialmente a programação do seu XVIII Congresso, que ocorrerá de 4 a 8 de agosto de 2025, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Com 21 mesas temáticas confirmadas, quatro grandes debates, três conferências e 1.527 trabalhos submetidos, o evento reafirma-se como um dos mais importantes encontros da saúde coletiva no continente — não apenas por sua robustez científica, mas pela potência política que mobiliza.
Celebrando 40 anos de trajetória, a ALAMES não se apresenta como uma entidade endógena ou autorreferente, mas como um espaço de diálogo permanente com movimentos sociais, coletivos populares, instituições acadêmicas e setores organizados que compartilham o projeto de saúde como direito universal e construção democrática.
O Congresso de 2025 reflete essa vocação ao reunir vozes da esquerda latino-americana e colocar no centro da programação temas contemporâneos cruciais como o colapso climático, os limites do capitalismo, a decolonização dos saberes e dos seres, o multilateralismo, a luta antirracista, feminista e interseccional, e a soberania dos povos — todos em conexão direta com o conceito ampliado de saúde.
“A ALAMES chega aos 40 anos com a tarefa de olhar para o futuro. Potencializar sua existência requer ampliar cada vez mais sua voz, fortalecer as conexões entre diferentes campos disciplinares, movimentos sociais e setores da sociedade”, afirma Ana Maria Costa, diretora do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes), coordenadora da ALAMES no Brasil e presidenta do XVIII Congresso da ALAMES. Para ela, o Congresso é uma oportunidade de projetar novas alianças e estratégias de luta em defesa da vida, da dignidade e da democracia, “em um momento em que pensar saúde exige pensar o mundo”.
Uma programação densa, diversa e politicamente potente
A programação completa já está disponível no site oficial do Congresso e está organizada em seis grandes eixos:
- Capitalismo e Saúde
- Soberania e Descolonização da Saúde
- Direitos Sociais e Equidade em Saúde
- Saúde e Democracia
- Determinação Social da Saúde
- Políticas e Modelos de Cuidado
Esses eixos orientam as mesas temáticas, organizadas pela equipe do Congresso, que aprofundam os debates centrais propostos para cada dia do evento. As mesas reúnem pesquisadoras e pesquisadores de toda a América Latina, com diversidade metodológica, territorial e geracional, refletindo os desafios estruturais da região e os caminhos possíveis para sua superação.
A programação conta ainda com as mesas de comunicação oral, compostas por trabalhos científicos e experiências práticas selecionadas a partir das 1.527 submissões recebidas. Essas mesas traduzem a pluralidade da produção que vem dos territórios e da base da saúde coletiva latino-americana.
Entre os destaques da programação, estão nomes de grande relevância acadêmica e política como Alexandre Padilha, ministro da Saúde do Brasil; José Gomes Temporão, Carlos Gadelha e Sabrina Fernandes, da Fiocruz; João Pedro Stédile, do MST; os intelectuais Vladimir Safatle, Ailton Krenak, Emir Sader e Maria Rita Kehl; a socióloga e ativista Ruth Zurbriggen; e lideranças históricas da ALAMES como Asa Cristina Laurell, Francisco Campos, Saúl Franco, Sonia Fleury e Ana Maria Costa.

Além das mesas e conferências, o Congresso incluirá rodas de conversa, lançamentos de livros, atividades culturais e assembleias dos movimentos sociais.
Nos dias 4 e 5 de agosto, o pré-Congresso ocupará a UERJ com mais de 70 atividades de acesso livre, incluindo oficinas, encontros interterritoriais, rodas de saberes e produções artísticas. Com isso, o evento antecipa o que pretende ser: uma ocupação coletiva da universidade pela saúde, pela ciência crítica e pela imaginação política latino-americana.
Mais do que uma celebração de quatro décadas de história, o Congresso da ALAMES é um chamado à resistência ativa, à construção de alternativas frente às múltiplas crises que atravessam o continente e à reafirmação da saúde como campo político de transformação social.
Clique aqui e saiba mais sobre a programação.
Texto: Fernanda Regina da Cunha/Cebes
