ALAMES celebra 40 anos no Brasil e convoca a saúde coletiva latino-americana à reflexão e resistência

Democracia, direitos sociais e soberania dos povos estarão no centro do debate entre 4 e 8 de agosto, no XVIII Congresso Latino-Americano de Medicina Social e Saúde Coletiva

De 4 a 8 de agosto de 2025, o campus da UERJ, no Rio de Janeiro, será o epicentro da saúde coletiva na América Latina. O XVIII Congresso da Associação Latino-Americana de Medicina Social e Saúde Coletiva (ALAMES) marcará os 40 anos da entidade com uma ampla mobilização de pesquisadores, profissionais de saúde, estudantes e movimentos sociais de todo o continente. O evento tem como anfitrião o Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes), capítulo brasileiro da ALAMES.

Com o tema “Por democracia, direitos sociais e saúde: retomando o caminho da determinação social e da soberania dos povos”, o congresso propõe um chamado urgente à reflexão crítica diante das múltiplas crises que atravessam a região: da instabilidade política às desigualdades sociais, da ofensiva neoliberal aos retrocessos nos direitos humanos e sociais.

Mais do que um marco histórico, o XVIII Congresso já demonstra sua força simbólica e política. Foram mais de 1.500 trabalhos submetidos, expressando a vitalidade da produção acadêmica comprometida com o pensamento crítico em saúde e com a militância coletiva nos países latino-americanos. Segundo a coordenadora científica do evento, Maria Lúcia Frizon Rizzotto, essa diversidade anuncia um encontro plural e profundamente formativo.

A programação será guiada por seis eixos centrais:

  • Capitalismo e Saúde
  • Soberania e Descolonização da Saúde
  • Direitos Sociais e Equidade na Saúde
  • Saúde e Democracia
  • Determinação Social da Saúde
  • Políticas e Modelo de Cuidado

As atividades incluem conferências, mesas-redondas, rodas de diálogo, apresentações científicas, assembleias de movimentos sociais e manifestações culturais, compondo um ambiente de troca, articulação política e fortalecimento de alianças regionais.

Para Mario Rovere, médico sanitarista argentino e referência histórica da ALAMES, “este é um momento muito especial, depois de 40 anos de presença da ALAMES em todo continente. Hoje a medicina social enfrenta um desafio sem precedentes, por isso é importante a participação de todos para repensar o futuro”.

Ana Costa, médica sanitarista e coordenadora do XVIII Congresso da ALAMES, reforça esse legado. “A criação da ALAMES foi um gesto histórico de compromisso coletivo e de construção de uma nova forma de pensar e fazer saúde. Nasceu do impulso ético e político de articular o conhecimento com as lutas dos povos da América Latina, apostando na solidariedade ativa, na soberania e na justiça social. Quarenta anos depois, seguimos enfrentando desafios imensos, mas com a certeza de que nossa força está na construção coletiva de alternativas para transformar o presente e defender a vida.”

O Congresso conta com o patrocínio de instituições como OPAS, FAPERJ, CAPES, CNPq, ENSP, Fiocruz e Ministério da Saúde do Brasil, além do apoio da UERJ, do Instituto de Medicina Social Hesio Cordeiro e do próprio Cebes. A presença dessas entidades reafirma a legitimidade política e acadêmica do evento, ao mesmo tempo em que fortalece sua potência como espaço de mobilização continental.


Uma história de lutas por saúde e emancipação

Fundada em 1985, em Ouro Preto (MG), a ALAMES nasceu da confluência entre o pensamento crítico em saúde e as lutas populares pela criação de sistemas públicos, universais e equitativos de atenção à saúde na América Latina. Ao longo dessas quatro décadas, a associação consolidou-se como uma rede ativa, plural e não institucionalizada, com capítulos em diversos países do continente.

Ao realizar seu 18º congresso no Brasil, no marco dos 40 anos da entidade, a ALAMES reafirma sua vocação política e seu compromisso com os povos latino-americanos. Mais que uma celebração, o encontro é um chamado à resistência, à solidariedade regional e à construção coletiva de alternativas frente às múltiplas crises que ameaçam a vida e os direitos sociais em nossos territórios.

Texto: Fernanda Regina/Cebes