Além da jornada 6×1: por que o debate precisa alcançar outras condições adoecedoras do trabalho
Encaminhada à CCJ, a PEC pelo fim da escala 6×1 provoca o debate sobre o trabalho como determinante social da saúde. Artigo da Saúde em Debate demonstra como aspectos além da jornada adoecem
Quando falamos em determinantes sociais da saúde, o trabalho entra como um importante aspecto da promoção da saúde. Na base do sistema capitalista, o trabalho não é apenas o que garante renda, mas também o que organiza o cotidiano, produz pertencimento, reconhecimento e sentido.Já em seu extremo oposto, pode ser fonte de sofrimento e adoecimento.
Nesta segunda, 9, a proposta que prevê o fim da escala 6×1 (PEC 8/25) foi encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Embora a tramitação legislativa ainda esteja em fase inicial, o fato recoloca na agenda pública uma pergunta que é, ao mesmo tempo, econômica, social e sanitária: que tipo de organização do trabalho é compatível com a promoção da saúde?
Jornadas exaustivas são adoecedoras e colocam a vida em risco, assim como outros aspectos como fatores psicossociais, como insegurança, pressões, cultura organizacional e práticas de violência, incluindo o assédio moral também precisam ser debatidos.
O artigo Gestões abusivas, reestruturações e suicídios de trabalhadores, publicado pela revista Saúde em Debate, com a autoria de Odete Reis e Sérgio Roberto de Lucca, sustenta que o trabalho pode atuar como proteção ou como risco conforme suas condições e sua organização.
O estudo parte justamente de situações em que o adoecimento não é “individual”, mas produzido por arranjos de gestão e de organização do trabalho. Ao analisar casos de suicídio relacionados ao trabalho, os autores apontam que reestruturações, metas e ambientes atravessados por humilhação, medo e desamparo podem funcionar como gatilhos e agravantes, especialmente quando somados à falta de apoio social, de reconhecimento e à insegurança.
O debate da jornada 6×1 também pode ser lido como um debate de saúde pública e de dignidade. As mudanças na arquitetura do trabalho devem responder questões fundamentais para garantia de descanso real, previsibilidade e proteção contra abusos. O trabalho, enquanto um dos determinantes sociais da saúde, necessita da redução da jornada sem precarização ou violência institucional.
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Reportagem: Fernanda Regina da Cunha Cebes
