Candidato dos EUA, médico será o novo presidente do Banco Mundial

O Globo – 17/04/2012

Jim Yong Kim assume em 1 de julho. Brasil protesta e dá apoio a nigeriana

WASHINGTON e BRASÍLIA. A diretoria-executiva do Banco Mundial (Bird) escolheu ontem Jim Yong Kim como novo presidente da instituição. Ele substituirá, a partir de 1 de julho, Robert Zoellick no comando da maior agência multilateral de fomento do mundo. Sul-coreano de nascimento e cidadão americano, Jim Yong Kim teve sua candidatura apresentada pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

Pela primeira vez houve disputa para o cargo. Os países em desenvolvimento tinham dois candidatos: José Antonio Ocampo, da Colômbia, cuja candidatura foi retirada na semana passada, e a nigeriana Ngozi Okonjo-Iweala, que recebeu o apoio do colombiano. A nigeriana também foi apoiada pelo Brasil, como anunciou na manhã de ontem o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Mas prevaleceu a tradicional aliança entre EUA e Europa, pela qual os americanos indicam o presidente do Bird e os europeus, o do Fundo Monetário Internacional (FMI), cuja chefia é da francesa Christine Lagarde.

Segundo o Bird, “os concorrentes receberam apoio de diferentes Estados-membros, refletindo o alto calibre dos candidatos”.

Médico de 52 anos, com ampla experiência em programas de saúde e combate a doenças como Aids, malária e tuberculose em países pobres, Jim Yong Kim atualmente é o reitor da Dartmouth College, conceituada universidade americana. Ele é considerado um “solucionador de problemas”, o que deve consolidar o papel do Bird como formulador de projetos e construtor de capacidade técnica em países em desenvolvimento.

“Juntos, com parceiros novos e antigos, vamos promover uma instituição que responda efetivamente às necessidades de seus diversos clientes e doadores; ofereça resultados mais fortes no apoio ao crescimento sustentável; priorize soluções baseadas em evidências por cima da ideologia; amplifique as vozes dos países em desenvolvimento; e se baseie na experiência das pessoas que atendemos”, afirmou Kim em comunicado emitido do Peru, sua última parada em um tour global que começou desde sua indicação ao cargo.

Mantega fez questão de marcar posição contra o domínio dos países ricos em organismos internacionais e a resistência em abrir espaço aos emergentes. Em protesto, o Brasil anunciou o apoio à candidatura da nigeriana uma hora e meia antes de o americano ser confirmado no cargo.

O ministro disse que o país não colocará mais recursos no FMI, se a sua participação no organismo não aumentar. O governo elevou o tom por não ver o prometido aumento de espaço para o país nos organismos internacionais de crédito sair do papel.

– Essa decisão reflete também nosso descontentamento com o FMI, que está demorando a fazer as reformas. Só vamos colocar mais recursos se forem aprovadas reformas – disse.

Mantega afirmou que está insatisfeito porque Lagarde não cumpriu a promessa de aumentar o espaço dos emergentes em cargos-chave da instituição. E disse que o Fundo só terá um novo aporte brasileiro se cumprir condições como transformar o aporte em cotas, ou seja, aumentar o peso da economia brasileira nas decisões da diretoria. Uma participação maior dos europeus nessa iniciativa de reforçar o caixa do FMI é outra exigência.