Cebes: Esquerda reage e transforma PEC da Blindagem em derrota do bolsonarismo
Esquerda reage e transforma PEC da Blindagem em derrota do bolsonarismo. Matéria republicada pelo portal Viomundo.
Manifestações lotaram as ruas contra anistia e a “PEC da Bandidagem”. Justiça tributária e fim da jornada 6×1 ecoaram nos atos.
A mais ampla manifestação popular dos últimos anos, com grandes atos em todas as capitais do Brasil, tomou as ruas neste domingo, 21/9. Com a palavra de ordem Sem Anistia, milhares protestaram contra a PEC da Bandidagem. A diversidade de bandeiras e pautas como o fim da escala 6×1, Justiça Tributária e defesa do SUS marcaram o protagonismo da esquerda, não mais acuada.
A força da reação popular deve barrar, no Senado, o projeto de emenda constitucional aprovado na quarta, 17/9, pela Câmara dos Deputados. A PEC da Bandidagem impede processos criminais contra parlamentares sem prévia autorização dos pares, em votação secreta. A PEC é parte da articulação da extrema-direita para anistiar Jair Bolsonaro (PL) e outros articuladores da tentativa de golpe de Estado de janeiro de 2023.
No Rio de Janeiro, o presidente do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes), Carlos Fidelis, destacou a dimensão histórica do momento. “O Brasil deu uma demonstração inequívoca de que está ao lado da democracia e contra aqueles que, no Congresso, trabalham contra a nossa soberania e em defesa de interesses escusos. Por todo o país, a sociedade se mobilizou em curtíssimo espaço de tempo para barrar a PEC da bandidagem e a anistia aos golpistas”, afirmou, ressaltando também a importância simbólica da retomada das cores da bandeira pelos setores democráticos.
Em Brasília, a médica Ana Costa, diretora do Cebes, reforçou que a mobilização não se restringe ao veto da anistia. “O Poder Popular das ruas mandou seu recado: sem anistia e contra a PEC da Bandidagem. Mas o povo quer mais: taxação dos super-ricos, isenção para quem ganha menos e o fim do regime de trabalho 6/1. Isso sim é saúde: emprego, moradia, educação e políticas sociais”, declarou.
A cebiana Munyra Barreto apontou que projetos de interesse da classe trabalhadora seguem engavetados. A obstrução das votações é uma das principais estratégias da extrema-direita para impedir a responsabilização dos golpistas. A crise viralizou, com a #congressoinimigodopovo. “Precisamos nos manter mobilizados nas redes, mas principalmente nas ruas”, defendeu a sanitarista.
Redutos da direita registraram protestos
Os protestos também alcançaram cidades menores e regiões tradicionalmente alinhadas à direita. Em Matinhos (PR), a cebiana Carla Straub, professora da UFPR, ressaltou o valor simbólico da mobilização.
“Nesses locais, as manifestações públicas são muito importantes, pois mostram que não há consenso pelo projeto anticivilizatório da direita fascista e encorajam outras pessoas a se somarem, mesmo diante das perseguições políticas comuns em cidades pequenas”, afirmou.
Reação internacional
A repercussão internacional foi imediata. Do conservador Le Figaro (França) ao progressista The Guardian (Reino Unido), passando pelos principais jornais de Índia e chegando à Malásia, o recado brasileiro ecoou: sem anistia.
A resistência do Brasil à pressão por anistia vinda dos Estados Unidos, que vêem erodir sua própria democracia, desperta atenção global.
A concentração de poder é parte da crise institucional nos Estados Unidos, com colapso do sistema de “freios e contrapesos”.
Senadores americanos, incluindo um republicano, apresentaram na quinta-feira projeto de lei para suspender as tarifas retaliatórias impostas por Donald Trump ao Brasil, alegando usurpação de competência do Congresso.
