Cebes Juazeiro: mais um passo na caminhada da Reforma Sanitária Brasileira

Em seu cinquentenário, o Centro de Estudos promoveu um evento digital de balanço histórico e inauguração de novo núcleo. Seminário contou com nomes como Jairnilson Paim, Camila Reis e Carlos Fidelis. Confira reportagem do Outra Saúde.

No ano de seu cinquentenário, o Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes) celebrou a expansão de sua articulação pelo direito à saúde. Nesta quarta (13), a entidade inaugurou seu núcleo em Juazeiro, cidade baiana do semiárido que margeia o Rio São Francisco. São 13 núcleos territoriais e sete temáticos ao todo.

Com presença de convidados de outros estados, o evento realizado virtualmente fez um balanço de todo o histórico de lutas sociais que deram origem ao movimento. Nesse sentido, observaram que o esforço pela construção do SUS sempre esteve intrinsecamente relacionado às lutas de emancipação.

“É importante dizer isso porque se tornou comum vermos discursos de defesa do SUS, mas sem atrelá-lo à Reforma Sanitária Brasileira. O conceito é: saúde só será um direito plenamente alcançado quando os outros direitos fundamentais se realizarem”, explicou o sanitarista Jairnilson Paim, uma das maiores referências nacionais da Saúde Coletiva.

Sua fala resgatou a memória de Guilherme Rodrigues da Silva, um dos primeiros teóricos da Reforma Sanitária, cuja atuação contribuiu para a fundação do Cebes, em 1976. Durante o debate, pairava a noção de que atravessamos um momento histórico, em que os horizontes devem voltar a se ampliar. Portanto, espraiar articulações e capilarizá-las pelo território do país é impulso necessário.

Camila Reis, sanitarista e professora do ISC/UFBA, fez uma exposição sobre as articulações recentes do Cebes pelo estado da Bahia e região Nordeste. “Precisamos juntar forças e criar projetos com grupos além da área da saúde”, resumiu, após usar como referência o Mapa dos Movimentos Sociais em Saúde, organizado por Lucia Souto, diretora executiva da entidade, em sua passagem pelo Ministério da Saúde.

Sua fala foi corroborada por Carlos Fidelis, atual presidente do Cebes, que relacionou avanços no SUS a uma mudança política mais ampla. “Queremos mais encontros, inclusive para convencer o nosso campo. Não estamos em luta só contra a barbárie de setores mais brutos É preciso ir além. Precisamos superar os obstáculos como arcabouço fiscal e o Banco Central autônomo com sua política de juros, por exemplo”, ilustrou.

A inauguração do núcleo de Juazeiro foi ocasião para reiterar as razões históricas deste movimento social. “Por isso distinguimos a Reforma Sanitária de outras reformas setoriais, às vezes até ditadas por organismos como Banco Mundial. A RSB se caracteriza pela sua radicalidade e generosidade. Como movimento, está implicada com a democratização da saúde, que não é ‘apenas’ acesso a um serviço. É isso que o Cebes representa”, complementou Jairnilson Paim.

Reportagem: Gabriel Brito/Outra Saúde