Diálogos transformadores marcam a manhã do segundo dia do pré-congresso da ALAMES

Mais de 30 atividades simultâneas reuniram vozes da América Latina em debates sobre desprivatização, redes de atenção, feminismo, saúde digital e participação social nos territórios

Mais de 30 atividades simultâneas ocuparam as salas e auditórios da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), na manhã de terça, 5 de agosto. Os debates entrelaçaram teoria, prática e compromisso político diante dos desafios da saúde coletiva na América Latina no segundo dia do pré-congresso da Associação Latino-Americana de Medicina Social e Saúde Coletiva (ALAMES).

Dentre os destaques, a oficina Mapa MovSaúde, conduzida por Lúcia Souto (Fiocruz), reuniu militantes, movimentos sociais e trabalhadores da saúde para refletir sobre os desafios da participação social em tempos de redes digitais e ameaças à democracia. A proposta evidenciou o MapaMovSaúde como ferramenta estratégica para articular lutas territoriais, fortalecer a memória das mobilizações em saúde e ampliar a incidência popular nas políticas públicas. O encontro também reafirmou o papel da organização comunitária como um ato político essencial para a defesa do SUS.

A oficina sobre a Desprivatização dos Sistemas de Saúde na América Latina, organizada pelo Observatório da Desprivatização e coordenada pelo GPDES/UFRJ, reuniu pesquisadoras e ativistas de diferentes países para discutir estratégias de enfrentamento e financeirização da saúde. Com presença marcante da sanitarista Lygia Bahia, a atividade defendeu a retomada do controle público sobre os serviços como condição para a construção de sistemas universais e equitativos.

Outro espaço fundamental de articulação regional foi o Seminário Internacional “Sistemas Universais e Redes de Atenção para a Garantia do Direito à Saúde para Todas as Pessoas”, promovido pela OPAS/OMS, CEBES e Ministério da Saúde. Coordenado por Julio Pedroza Toríbio, o seminário reuniu experiências de diferentes países das Américas e promoveu reflexões sobre os caminhos para consolidar sistemas integrados e públicos, com foco na equidade e no acesso oportuno à saúde. As discussões também buscaram identificar subsídios para o fortalecimento do SUS em diálogo com a agenda latino-americana da saúde universal.

A programação ainda trouxe oficinas formativas de destaque, como “Tecendo Redes de Cuidado”, voltada à abordagem de situações de violência na Atenção Primária, e a atividade da Red de Género y Salud Colectiva, que celebrou 27 anos de atuação feminista e interseccional em defesa dos direitos sexuais e reprodutivos. A roda de conversa sobre violência estrutural contra mulheres negras, por sua vez, deu visibilidade às resistências que emergem dos territórios diante das desigualdades.

Temas inovadores também atravessaram a manhã: a oficina Pathfinder apresentou uma nova metodologia para qualificar a pesquisa em saúde, enquanto o debate sobre inclusão digital e saúde digital no SUS propôs diretrizes para a construção de uma transformação tecnológica orientada pela equidade. Já as formações críticas ocuparam os espaços com análises sobre o imperialismo na saúde, os paradigmas coloniais da odontologia, o trabalho colaborativo em rede e a articulação sindical pela saúde dos trabalhadores.

Texto: Fernanda Regina da Cunha/Cebes