Em defesa da vida: Encontro Ciência, Saúde e Participação Popular tem início com vozes firmes diante da barbárie no Rio

Evento em Salvador reúne pesquisadores, trabalhadores e movimentos sociais em defesa da democracia, do SUS e dos direitos humanos

O Encontro Ciência, Saúde e Participação Popular teve início nesta quinta-feira (30), no Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salvador, com uma convocação à defesa da vida e à resistência diante da barbárie que assola o Rio de Janeiro.

Marco Gêmeo, presidente do Conselho Estadual de Saúde da Bahia, Luis Eugênio, diretor do Instituto de Saúde Coletiva da UFBA, Kedryn Cardoso (ISC/UFBA – Cebes Bahia), e Carlos Fidelis (presidente do Cebes)

Promovido pelo Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes), em parceria com o Mapa Colaborativo dos Movimentos Sociais em Saúde (MapaMovSaúde) e a Cooperação Social da Fiocruz, o evento reúne pesquisadores, trabalhadores do SUS e militantes de movimentos sociais para debater os desafios contemporâneos da saúde coletiva e reafirmar o compromisso histórico com a democracia e os direitos humanos.

A atividade integra um projeto nacional voltado ao fortalecimento das redes sociais e políticas em torno da justiça climática, da soberania popular e da defesa da vida em seu sentido mais amplo — frente às ameaças que emergem tanto das emergências ambientais quanto do avanço das políticas neoliberais e das violências de Estado.

O presidente do Cebes, Carlos Fidelis, iniciou sua fala lembrando que o país não pode naturalizar o horror. “A gente não pode negar, não pode ignorar o que está acontecendo no Rio de Janeiro. Se hoje estamos de luto, isso não significa que paremos de lutar”.

Fidelis destacou a potência criativa e solidária do povo brasileiro, observada nas cinco regiões onde o projeto vem promovendo encontros, e reforçou a importância da ação coletiva como força de resistência.“Em todos os lugares do Brasil há gente como a gente. Nós não estamos sós, somos a maioria”.

A médica sanitarista Lúcia Souto, coordenadora do MapaMovSaúde e ex-presidenta do Cebes, também se manifestou com indignação diante da violência no Rio de Janeiro. “O tamanho do problema é gigantesco. O que aconteceu no Rio não é um fato isolado, mas parte de uma agenda autoritária, de um golpe continuado”, apontou.

Lúcia denunciou a chacina e o genocídio que vitimam as populações negras e periféricas, criticando a naturalização da violência e a manipulação das narrativas oficiais. “Precisamos estar atentos e fortes para enfrentar esse projeto de destruição dos direitos e da democracia”.

Oficina-Assembleia: ciência cidadã e construção compartilhada do conhecimento

Com destaque è importância da educação popular e a aproximação da ciência, com os movimentos sociais e a defesa do Sistema Único de Saúde (SUS), André Lima, da Coordenação de Cooperação Social da Presidência da Fiocruz e diretor do Cebes, apresentou a Oficina-Assembleia do Mapa dos Movimentos Sociais em Saúde. “O principal desafio hoje é garantir o direito a existir, especialmente nos territórios historicamente silenciados”, apontou.

A diretora adjunta do Instituto de Saúde Coletiva da UFBA (ISC), Joilda Nery, destacou a relevância da parceria entre as instituições realizadoras. “O ISC é parte constituinte do Cebes. É uma parceria profícua receber a Fiocruz e o MapaMovSaúde, bem como todos os movimentos sociais presentes”.