Espera de quatro meses

Correio Braziliense – 19/04/2012

Relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) divulgado no fim do ano passado aponta que apenas 15% dos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) conseguem iniciar as sessões de radioterapia dentro do prazo regular de 30 dias após o diagnóstico de câncer. A média de espera costuma ser de quatro meses. Para o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a compra e a renovação dos aparelhos de radioterapia vai diminuir essa demora nos estados.

Além de reduzir o tempo de espera, a aposta do governo no setor visa estimular empresas a produzir equipamentos destinados aos tratamentos radioterápicos no país. “Vamos exigir que as indústrias que produzirem no Brasil tenham vantagens. Esse mecanismo permitirá atrair pelo menos uma fábrica para o país”, anunciou Padilha. A meta é que uma unidade produtora seja instalada já no próximo ano e entre em atividade em 2015. Com a produção em território brasileiro, a pasta espera economizar R$ 20 milhões por ano.

A preferência pela indústria brasileira é prática comum no ministério. Padilha argumenta que a medida visa investir na capacidade nacional, inclusive estimulando a pesquisa. Como exemplo dessa política, o ministro destaca um novo medicamento para o tratamento de leucemia mieloide, o mesilato de imatinibe, que passará a integrar o rol da produção nacional ao lado de vacinas e retrovirais. “Conseguimos atender mais pessoas com um menor preço”, comemora Padilha. A produção nacional do composto para tratar a leucemia mieloide vai, segundo a pasta, gerar economia anual de R$ 70 milhões.