Estudo em Serra (ES) revela potência e desafios das Práticas Integrativas na Atenção Primária
Pesquisa qualitativa com profissionais que ofertam PICS na rede municipal aponta fortalecimento de vínculo e autocuidado, mas também falta de insumos, espaço e educação permanente.

“Doutora, eu posso comprar agulha, você continua me atendendo aqui?”. Esta é uma pergunta registrada em entrevista com uma profissional da Atenção Primária. O que ela revela aparece em um estudo publicado na revista Saúde em Debate e ajuda a dimensionar, com nitidez, o cotidiano de quem tenta sustentar as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) no SUS.
O artigo publicado no volume 49 da Saúde em Debate investiga potencialidades e atravessamentos da implementação das PICS na Atenção Primária em Serra (ES), a partir de entrevistas com 12 profissionais da rede municipal. Para estimular as narrativas, os pesquisadores utilizaram um dispositivo visual chamado “manta dissertativa”: uma manta de crochê com objetos, materiais e referências associadas às práticas.
Nos relatos, as PICS aparecem como caminho que amplia ações de autocuidado, fortalece a escuta acolhedora e ajuda a construir vínculo com a comunidade, reafirmando a importância de uma Atenção Primária conectada à integralidade do cuidado.
Ao mesmo tempo, o estudo descreve obstáculos concretos para que essas práticas se consolidem. Entre elas, a predominância do modelo biomédico, déficit de educação permanente, além de falta de espaço físico e insumos. Em algumas unidades, as atividades ocorrem em ambientes improvisados e inadequados; em outras, profissionais relatam que, sem materiais ofertados pelo serviço, acabam arcando com custos do próprio bolso.
O artigo também aponta que a ausência de financiamento e de condições estruturais tende a tornar as PICS instáveis e excessivamente dependentes de iniciativas individuais, ainda que integrem políticas e diretrizes do sistema de saúde.
Os autores do artigo são: Brunella Gomes Cordeiro; Jeremias Campos Simões; Welington Serra Lazarini; Jandesson Mendes Coqueiro. Para conhecer detalhes, metodologia e discussão completa, vale ler o artigo na íntegra na Saúde em Debate.
