Falta de médicos é problema estrutural, afirma estudo

Folha de S. Paulo – 31 de agosto de 2012

Segundo levantamento do Conselho Federal de Medicina, carência na rede pública não se corrige com novas vagas de graduação

O problema da carência de médicos na rede pública do país depende de reformas estruturais na área de saúde, e não do aumento de profissionais no mercado de trabalho.

A conclusão é de estudo do CFM (Conselho Federal de Medicina), que rebate a política do governo da presidente Dilma Rousseff de abrir novas vagas de graduação em instituições de ensino.

“O aumento do efetivo médico, via abertura de mais cursos de Medicina ou políticas pontuais de incentivos e flexibilidades, acentuará ainda mais as desigualdades”, afirma o estudo ao comentar a distribuição e quantidade de leitos do SUS nos Estados.

O levantamento aponta o subfinanciamento público da saúde como um dos fatores da deficiência. Enquanto no Brasil 44% do gasto com saúde é público, o percentual chega a 66% na Argentina e a 84% no Reino Unido.

Para Roberto D’Ávila, presidente do CFM, trata-se de um “equívoco proposital” a decisão do governo de aumentar o número de vagas de medicina. Essa medida, afirma, visa “mascarar a falta de investimentos”.

O conselho alega ainda não haver um déficit generalizado de médicos, mas focos de desassistência pela falta de estrutura e de incentivos para que os profissionais fiquem no interior do país.

Doutora em saúde pública, a médica Lígia Bahia tem avaliação semelhante: além da necessidade de valorização do sistema público, ela defende o aumento de residências médicas em regiões hoje carentes de profissionais.

EXPANSÃO

Atualmente, das 16.400 vagas em cursos de medicina, 3.200 estão no Nordeste (19,7% do total). A região responde por 13,8% do total de residências ofertadas no país no mesmo ano (8.489).

Secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Mozart Sales diz que o governo adota medidas para expandir as vagas da especialização médica.”Estamos trabalhando fortemente para ampliarmos em 4.000, até 2014, o número de vagas”.

Segundo o secretário de Regulação e Supervisão da Educação Superior, Jorge Messias, os ministérios da Saúde e Educação têm diversas políticas para mudar esse cenário. “O governo federal está comprometido com essa visão sistêmica.”