II Congresso Internacional de Políticas Públicas e Saúde reforça compromisso com Saúde Universal e Soberania
Participação do Cebes aprofunda debate sobre sustentabilidade, políticas de Saúde e construção contra hegemônica na região Sul
O Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes) participou do II Congresso Internacional de Políticas Públicas e Saúde (CIPPS), realizado pela Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), no campus Chapecó/SC. A abertura do evento, em 29 de outubro, contou com a presença do diretor executivo do Cebes, Alcides Miranda, e da cebiana Maria Eneida de Almeida, docente da UFFS.
Maria Eneida defendeu, na abertura, uma ciência crítica e transdisciplinar, destacando a importância de superar os modelos colonizadores de produção do conhecimento. Seu discurso ressaltou que a UFFS foi concebida com base em um projeto de universidade pública e popular, voltada à integração entre ensino, pesquisa e extensão, com eixos estruturantes em Saúde Coletiva e Agroecologia.
“A pretensa reforma administrativa é um acinte à soberania nacional, pois ameaça desmontar o serviço público e abrir espaço para a privatização desenfreada da Educação e da Saúde”, afirmou, em referência ao Dia do Servidor Público, comemorado em 28 de outubro.
Alcides Miranda relembrou, na abertura, a trajetória da Reforma Sanitária Brasileira e da luta histórica pelo direito à saúde desde os anos 1970. Junto ao cebiano Diego de Oliveira Souza (UFAL), Alcides participou da mesa-redonda Trabalho e Saúde: Direitos, Desafios e Privatização do SUS, mediação do pró-reitor de extensão e cultura da UFFS, Willian Simões.
Miranda ressaltou que o processo de privatização da saúde não é conjuntural, mas estrutural, e deve ser compreendido dentro das disputas ideológicas e econômicas que moldam o Estado e o cotidiano dos trabalhadores. Diego Souza defendeu a inclusão da temática da Saúde do Trabalhador nas matrizes curriculares dos cursos de saúde. A ausência de formação específica compromete o direito a um trabalho digno e o próprio fortalecimento do SUS.
A mesa Racionalidades Médicas e Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS), com Charles Tesser (UFSC) e Maria Eneida de Almeida (UFFS/Cebes), discutiu os desafios da formação médica voltada às práticas integrativas. Maria Eneida destacou a importância de incluir as PICS nos projetos político-pedagógicos das graduações em saúde. Tesser lembrou que o paradigma biomédico ainda predomina nas instituições, dificultando a abertura a novos modos de cuidado mais integrais e humanizados.
Campanhas de prevenção ao câncer omitem causas ambientais
No encerramento, a mesa Ambiente e Saúde: Meio Ambiente e Mudanças Climáticas reuniu Karen Friedrich (Fiocruz), Carolina Panis (Unioeste) e o cebiano Antônio Inácio Andrioli (UFFS). Karen alertou para os riscos do uso de agrotóxicos e transgênicos sem testes científicos adequados, denunciando a influência do lobby empresarial sobre a regulação pública. Carolina apresentou pesquisa indicando que mulheres do campo expostas a agrotóxicos têm 52% mais risco de desenvolver câncer de mama. Andrioli criticou campanhas de prevenção que omitem as causas ambientais das doenças: “Ser contra o câncer é também ser contra os agrotóxicos e os transgênicos”, afirmou.
Congresso Internacional de Políticas Públicas e Saúde
O II CIPPS, realizado de 29 a 31 de outubro, marcou a fortalecimento da UFFS como referência em Políticas de Saúde e construção contra hegemônica na região Sul. Fortalecer o compromisso institucional com a sociedade é essencial para formar profissionais capazes de garantir um SUS público, estatal e de qualidade, avalia Maria Eneida.
O I CIPPS resultou em publicação de livro, produzido pelo núcleo Chapecó do Cebes, com apoio do Cebes e da Abrasco.





