Jaguar deixou seu traço na Reforma Sanitária
Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes) lamenta a morte do cartunista, neste domingo
O Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes) lamenta a morte de Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe, o Jaguar. O cartunista morreu neste domingo, 24/8, aos 93 anos, no Rio de Janeiro. Jaguar estava internado há três semanas no hospital Copa D’Or, em razão de infecção respiratória, que evoluiu para complicações renais.
Jaguar foi um dos fundadores, em 1969, do Pasquim, jornal semanal de humor e crítica política que marcou época durante a ditadura militar. Foi ele quem deu nome ao jornal e criou o icônico ratinho Sig, inspirado em Sigmund Freud. Com sua crítica ácida, foi colaborador da Saúde em Debate, editada pelo Cebes, e deixou seu traço no movimento da Reforma Sanitária.
Nascido em 29 de fevereiro de 1932, no Rio, Jaguar passou a infância entre Juiz de Fora (MG) e Santos (SP), para onde acompanhou o pai, funcionário do Banco do Brasil. Voltou à capital fluminense aos 15 anos.
Jaguar: boemia, trabalho e luta
Jaguar começou a carreira profissional em 1952, na revista Manchete, e se tornou um dos maiores nomes do humor gráfico brasileiro. Desenhava desde menino, mas nunca perdeu a autocrítica ácida. “Desenho mal até hoje, é que eu engano muito”, afirmou em entrevista à Associação Brasileira de Imprensa, em 2009.
Boêmio, foi um dos fundadores da Banda de Ipanema. O bloco carnavalesco, que reunia jornalistas, artistas e intelectuais, segue desfilando sem carros de som e foi reconhecido em 2004 como bem imaterial do Rio de Janeiro.
Durante a ditadura, Jaguar sofreu perseguições que lhe custaram empregos e estabilidade. Décadas mais tarde, em 2008, recebeu indenização do governo por conta das violações sofridas. “Foi o que salvou minha vida. A ditadura me ferrou, perdi emprego, fiquei no miserê. Nunca tive dinheiro, plano de saúde, carteira assinada”, contou.
Apesar de afirmar que detestava desenhar, Jaguar fez da irreverência e da crítica afiada sua marca, deixando uma contribuição decisiva para o humor, o jornalismo e a cultura brasileira.
