Mil feminicídios, casos emblemáticos e discursos red pill: por que mulheres irão às ruas no dia 7

Com mais de mil feminicídios registrados em 2025 e a expansão de discursos misóginos na “machosfera” digital, o Levante Mulheres Vivas convoca atos nacionais pelo fim da violência contra as mulheres.

O Brasil vive hoje uma emergência anunciada. Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) apontam que, apenas em 2025, o país já ultrapassou a marca de mil mulheres assassinadas por feminicídio. Todos os dias quatro mulheres perdem a vida apenas por serem mulheres. 

Nas últimas semanas, a pauta ganhou centralidade nas redes sociais e nos noticiários com uma sucessão de casos de feminicídio e violências que chocam pela brutalidade e pela proximidade temporal entre eles.

É diante desse cenário que o movimento Levante Mulheres Vivas convocou, para este domingo, 7 de dezembro, uma mobilização nacional pelo fim da violência contra as mulheres. A mobilização contará com atos simultâneos em diversas cidades brasileiras.

Em São Paulo, a concentração será no vão do Masp, na Avenida Paulista; no Rio de Janeiro, na orla de Copacabana; em capitais como Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis, Belém, Goiânia, João Pessoa, Palmas e Brasília, as manifestações ocuparão praças centrais e pontos simbólicos das cidades.

Casos que não são isolados – Em São Paulo, Tainara Souza Santos foi atropelada e arrastada por mais de um quilômetro na Marginal Tietê por um carro dirigido por Douglas Alves da Silva, com quem ela teria tido um relacionamento. Tainara sobreviveu, mas perdeu as duas pernas.

Também na capital paulista, Bruno Lopes Fernandes Barreto invadiu o local de trabalho da ex-companheira, Evelin de Souza Saraiva, e disparou diversas vezes contra ela, motivado por não aceitar o fim da relação No Rio de Janeiro, o servidor público João Antônio Miranda Tello Ramos Gonçalves entrou armado no campus do Cefet Maracanã e assassinou a tiros a técnica em assuntos educacionais Allane de Souza Pedrotti Matos e a psicóloga Layse Costa Pinheiro, servidoras da instituição, antes de tirar a própria vida.

Red Pills – Outro episódio que reacendeu o debate foi o do influenciador Thiago da Cruz Schoba, autointitulado Thiago Schutz ou “calvo do Campari”. Thiago é uma figura ligada ao universo red pill e a um discurso de masculinidade ancorado em desprezo e hostilidade às mulheres. Ele foi preso em flagrante no final de novembro, em Salto (SP), acusado de agressão e tentativa de estupro contra a namorada.

O caso ilustra como a violência não se limita ao âmbito doméstico, mas é alimentada por um ecossistema de influenciadores que lucram com discursos machistas, misóginos e de incitação ao ódio nas redes sociais. Em geral os discursos que circulam nessa “machosfera” são narrativas de vitimização masculina e de ataque aberto ao feminismo.

A marcha do Levante Mulheres Vivas não é apenas uma resposta à comoção do momento, mas afirmação de que a vida das mulheres é questão de democracia, saúde e justiça social. É preciso frear a onda de ódio de gênero travestido de opinião e buscar ações concretas que impeçam a naturalização da violência contra as mulheres.

Saiba aqui os locais e horários da mobilização.

Reportagem: Fernanda Regina da Cunha/Cebes