‘Miséria da Fome’, por Luiz Carlos Fadel
Este poema foi feito por Luiz Carlos Fadel Vasconcellos em 29 de agosto de 2023. Fadel a leu no dia 13 de junho de 2025, após a sua fala na 5ª Conferencia Estadual do RJ.
Que o trabalho vence a miséria da fome é sabido.
O que não é sabido é que o trabalho miserável
é a espera de saciar a fome do dia anterior.
Quem é capaz de vencer o ultraje
Se ele emana dos que se saciam da fome dos miseráveis?
Que o trabalho é a fonte da hora de acariciar os filhos é sabido.
O que não é sabido é que os filhos não terão carícias
Porque as mãos que trabalham para outros não têm mãos para os seus…
São mãos em reverência aos algozes.
Que o trabalho é a honra de produzir as coisas do mundo é sabido.
O que não é sabido é que os donos do mundo
Sabem roubar as coisas dos que as produzem.
E acumulam suas alegrias sob as asas de suas hipocrisias.
Que o trabalho é traduzido pelos que o fazem é sabido
O que não é sabido é que a tradução do fazer
É a língua proibida dos que não podem dizer.
A voz dos exploradores apodrece o silêncio dos explorados.
Que o trabalho é a desonra dos que morrem trabalhando é sabido.
O que não é sabido é que a morte desonrosa de um que trabalha,
é a honra da riqueza de outro que lava as mãos.
Falar sobre a exploração do trabalho cansa.
Mas cansa muito mais falar dos exploradores.
Não são só animais.
São humanos bestiais.
São sacerdotes dos ais.
Que para sempre serão jamais.

