Mulheres Indígenas na Retomada do Matriarcado Ancestral – A Luta pela Cura do Feminino e da Mãe Terra
“Quando uma mulher indígena é violentada, toda a comunidade indígena é violentada também”. Por Mônica Cristina Brandão dos Santos Lima (Mônica Lima Mura), Amanda Mara Lopes de Oliveira Goytaká, Marcia Ribeiro Ramos e Alexandra Vasconcelos Campos.
Mulheres Indígenas na Retomada do Matriarcado Ancestral – A Luta pela Cura do Feminino e da Mãe Terra
Mônica Cristina Brandão dos Santos Lima (Mônica Lima Mura)[1]
Amanda Mara Lopes de Oliveira Goytaká[2]
Marcia Ribeiro Ramos[3]
Alexandra Vasconcelos Campos[4]

“Quando uma mulher indígena é violentada, toda a comunidade indígena é violentada também.”
Resumo: O coletivo Matriarcado Ancestral é formado por mulheres indígenas de diferentes etnias e mulheres em processo de retomada de sua ancestralidade indígena. Atende a um chamado espiritual de luta pela preservação da natureza e de combate ao apagamento das diferentes culturas indígenas, preservando os saberes indígenas em território urbano ou não urbano. As mulheres deste coletivo mostram a força que possuem para liderar a construção de práticas sociais que possam convergir para o acesso das pessoas à saúde integral, à igualdade de gênero, às práticas alimentares saudáveis, à preservação dos patrimônios hídricos, proteção do solo e pela valorização e respeito das práticas espirituais e culturais indígenas. Além do que, como cosmogonia indígena, combatem todo tipo de discriminação e violência tais como racismo, lgbtqia+fobia, misoginia, capacitismo, etarismo, etc.
A população indígena mundial representa cerca de 5% e protege mais de 80% da biodiversidade do planeta[5]. Contudo, de acordo com o IBGE, no Brasil, quase metade dos povos originários sequer possuem acesso à água potável.[6]
No Brasil, os povos indígenas começaram a ser contabilizados pelo IBGE apenas em 1991. No censo de 2022, o instituto aprimorou sua metodologia, incluindo a participação de lideranças indígenas e reconhecendo territórios além das terras demarcadas, indígenas urbanos e o direito à autodeterminação, conforme a Convenção 169 da OIT[7]. O número de indígenas autodeclarados passou de cerca de 896 mil em 2010 para aproximadamente 1,7 milhão em 2022[8], um crescimento significativo de 89,7%, representando 0,83% da população brasileira, com maioria em contexto urbano. A cada 3 indígenas autodeclarados 2 estão em cidades, somente na cidade do Rio de Janeiro, foram registrados 6.939 indígenas (GOYTAKÁ, 2024)[9].
Majé Rita Tupinambá e Juremeira Alma Kazure – Fonte: Mônica Lima Mura, 2024



O registro do aumento de mais de 100% de autodeclaração dessa população revela a retomada em curso, diante do embranquecimento promovido pelo colonizador na população de Pindorama. Concomitantemente o etnogenocídio contra mais de 5 milhões de indígenas que habitavam Pindorama continua. A subnotificação e a invisibilidade promovidas pelo projeto de branqueamento mascaram dados do censo até os dias atuais. O censo de 2022 também revelou que na Amazônia Legal, região que inclui os Estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão, pardos são mais de 65%.[10] O IBGE identifica o pardo como a mistura de duas ou mais opções de cores ou raças. Pela primeira vez o número de pardos ultrapassou o de brancos: 45,5% pardos para 43,3% brancos. Os indígenas são a população predominante na Amazônia legal e a que mais cresce a cada recenseamento. Esses dados denotam que grande parte da população que se autodeclara parda muito provavelmente está mascarando a predominância de indígenas em contexto urbano apagados pelo racismo estrutural.
O Brasil conta com 573 terras indígenas, 13,8% do território nacional e 19,5% da vegetação nativa do país em 2020. Apenas 1% desse território teve perda de vegetação nativa nos últimos 30 anos, tornando os povos originários os guardiões da biodiversidade no país. Contudo, a morosidade da demarcação das terras pertencentes aos indígenas tem causado inclusive condenações do Estado brasileiro por instituições nacionais e estrangeiras que internacionalmente reivindicam indenização desses povos.


Os povos originários são a população que mais sofre estatisticamente violências como: assassinatos, suicídios, entre outras formas de violências desde a invasão do território de Pindorama em 1500. Ao contrário do que o senso comum imagina, cerca de 63% dos indígenas estão nas cidades e 86,7% dos municípios brasileiros contam com a presença de indígenas autodeclarados. Ou seja, os indígenas estão presentes em quase todo o território nacional. Cerca de 60% dos indígenas são mulheres.[11]
As estimativas indicam que a maioria dos povos indígenas têm crescido acima da média da população brasileira, com maiores taxas de fecundidade, contrariando a ideia do descenso demográfico e o desaparecimento, com a assimilação dos indígenas à sociedade nacional. Um levantamento do Núcleo Ciência Pela Infância (NCPI) revelou que os indígenas têm duas vezes mais chances de morrer na primeira infância[12]. O Brasil é o segundo país no mundo que mais assassina defensores de direitos humanos e 50% deles são indígenas.[13] Se calculado só o suicídio indígena proporcionalmente seria o dobro da média mundial e quase o triplo da média nacional. O maior índice nos últimos vinte anos está entre homens jovens do Mato Grosso do Sul, mas o número vem aumentando entre as mulheres e meninas indígenas.
Compostos por diversas etnias como Mura, Xukuru, Pataxó, Guarani, Goytaká, Puri, Tupinambá, Xavante, Cariri, Marajoara, Guajajara, dentre outras, o Matriarcado Ancestral foi criado em 2021, como resultado do Laboratório de Protagonismo Feminino (LPF) da Universidade Indígena Pluriétnica Aldeia Maraka’nã (UIPAM) com o objetivo de reunir mulheres indígenas, em retomada e apoiadoras. O coletivo possui três núcleos: socioambiental e socioemotivo, educação contracolonial e bem-viver, que objetivam colaborar com a visibilidade e divulgação das culturas indígenas, em especial com o protagonismo das mulheres indígenas. Apoiar mulheres indígenas que sofrem violências é o nosso foco, contudo, entendemos que a invisibilidade e a falta de capilaridade na divulgação e implementação da cosmovisão indígena impactam fortemente esse cenário. Promovemos letramento racial e étnico da população brasileira, em especial a karioca, resgatando as mais de 305 etnias e mais de 274 línguas indígenas, ainda existentes, apesar do constante etnogenocídio, memoricídio e embranquecimento do país por mais de 524 anos.
O Matriarcado pretende visibilizar parte dessas línguas e etnias indígenas, com o protagonismo feminino no movimento de contracolonização das práticas sociais, buscando uma reconexão ancestral entre as pessoas e o território onde habitam. O projeto específico socioambiental e socioemotivo no Rio de Janeiro, sobretudo nas aldeias Maraka’nã, Mata Verde Bonita e Portal da Floresta Ancestral busca fomentar a educação para o consumo e descarte consciente de resíduos, estimulando, a partir da cosmogonia indígena, reduzir o consumo por meio do reúso. Dessa forma, estimulamos práticas como a do bazar de utensílios e roupas, a convivência e confluênciados povos indígenas aldeados ou em meio urbano e a inter-relação de apoiadores com e como natureza. Buscamos o resgate da convivência harmônica e respeitosa com a multiplicidade étnica existente no território de Pindorama. Esta reconexão com a natureza é um movimento espiritual e social de retomada dos valores culturais dos povos originários e de resistência, onde a mulher indígena ou em retomada de sua ancestralidade indígena ocupa o seu lugar para romper com os paradigmas de destruição da natureza impostos pelo colonialismo de ontem e hoje, euronorteamericano, neoliberal e moderno, dos homens brancos do século XV até os dias atuais.
Não existe indígena fora de seu território já que todo o Brasil é, antes de tudo Terra Indígena. Portanto, estamos há quase vinte anos participando da construção da resistência da UIPAM, uma pluriversidade autônoma indígena com sede no coração da cidade do Rio de Janeiro, em consonância com todas as entidades representativas do território karioca e extensivo a todo o território nacional. Tanto a Aldeia Maraká’nã quanto a UIPAM são pluriétnicas e pluriversais[14]. Lá, construímos uma oca da Jurema, como parte do compromisso espiritual do Coletivo Matriarcado Ancestral que ancora toda a força necessária para as lutas político-sociais, e nos fazemos presentes de diversas formas nas atividades e resistências desse território ancestral.
A universidade indígena Karioca, a UIPAM, pleiteia o reconhecimento de suas atividades e contribuições sociais junto ao MEC (Ministério de Educação), visto já atuar com diversas outras entidades no Rio de Janeiro, tais como Universidade Federal Fluminense (UFF), Universidade Federal do Rio Janeiro (UFRJ), Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (CEFET-RJ), Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Universidade Estácio de Sá, Universidade Augusto Motta (UNISUAM), entre outras. Nossa participação se dá por meio de debates, conferências, congressos, seminários, feiras ambientais e afins. Também já realizamos seminários internacionais, como o que ocorreu em parceria com a UERJ e a Universidade indígena do México[15]. Recentemente foi formalizada colaboração com a Universidade Autônoma Comunal de Oaxaca (UACO) e a Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM).

Atuamos ainda em escolas públicas e privadas, indo até as mesmas ou recebendo-as em visitas na sede na UIPAM na Aldeia Maraka’nã ou na Aldeia Portal da Floresta, sede-extensão do Matriarcado Ancestral na Ilha Grande. Pretendemos estabelecer contato com todas as universidades indígenas de Abya Yala (ou América Latina, como passaram a chamar esse território após invasão) e do mundo.

Participamos, anualmente, do encontro de mulheres indígenas na aldeia Pataxó Hã Hã Hae no município de Paraty e fazemos parte do Comitê de Cultura Popular e Economia Solidária da Costa Verde com o intuito de fomentar uma Rede de Economia Solidária na região da nossa sede, a Aldeia Portal da Floresta, na Ilha Grande. Estivemos presentes nos dois encontros do FESTA – Festival de Economia Solidária e Tradicionalidades do Abraão, organizado pelo Fórum de Economia Solidária de Angra dos Reis, no qual atuamos enquanto Empreendimento Econômico Solidário reconhecido no CADSOL do Governo Federal. No fórum, fazemos parte da Secretaria Executiva e participamos também de eventos como o Festival da Primavera e cooperamos com o Coletivo Educação Solidária em Oficinas de Educação Ambiental realizados na Casa de Cultura Constantino Cokotós na Ilha Grande.

Nacionalmente participamos do Acampamento Terra Livre – ATL em Brasília, encontro das mulheres indígenas no Mato Grosso, da Marcha das Mulheres Indígenas em Brasília, e Conferências Nacionais de Mulheres Indígenas. Além de outros eventos em diversos Estados brasileiros, como Espírito Santo e São Paulo, por exemplo.
A partir da constituição de novos órgãos públicos voltados aos povos indígenas – presididos, pela primeira vez na história do Brasil, por lideranças indígenas -, como a criação do Ministério dos Povos Indígenas – MPI e a nomeação da primeira presidenta indígena do Museu dos Povos Originários no Rio de Janeiro, iniciamos interlocuções com essas instituições, com vistas a estabelecer parcerias institucionais e fomentar debates sobre o reconhecimento dos povos indígenas em contexto urbano e a legitimidade de seus territórios.
As mulheres indígenas do coletivo Matriarcado Ancestral estão engajadas:
- Na luta pela demarcação dos territórios indígenas e preservação da cultura dos povos originários;
- No combate à violência contra os povos indígenas, principalmente as mulheres e crianças;
- Na desconstrução do patriarcado e consequente reconstrução do matriarcado.

Fonte: Olívia von der Weid , 2023; Amanda Goytaká, 2024.

Fonte: Olívia von der Weid , 2023; Amanda Goytaká, 2024.
São prioridades do coletivo a curto prazo:
- Formalização de uma entidade representativa de ativistas indígenas com vistas a dar autonomia e alcance às suas ações;
- Preservação da cultura, do bem viver e da saúde socioemotiva a partir da Medicina Ancestral Matrilinear e rituais da Jurema (a medicina do Matriarcado);
- Trabalhar pela contracolonização dos saberes e dos currículos de instituições de ensino;
- Turismo de Base Comunitária;
- Manutenção da autonomia política e financeira.
Em parceria com a Nativa da Ilha, microempreendimento de uma de nossas ativistas, realizamos atividades como oficinas de formação e saúde contracoloniais e pelo bem viver, além de instalações artísticas. Também tivemos oportunidade de comercializar produtos do coletivo como alimentos, medicinas, artesanatos etc., para contribuir com a autonomia financeira, política e social, plantando um futuro através do Turismo de Base Comunitária para contribuir também com a manutenção/equilíbrio dos ciclos e saúde ecossistêmica dos territórios nos quais atuamos.




Os cursos que o coletivo realiza atualmente na UIPAM e em outros espaços são: Medicina Ancestral Matrilinear, Saúde Socioambiental e Socioemotiva, Arte Indígena, Economia Solidária, e Formação para Aplicação da Lei 11.645/08, entre outros.
As ações do coletivo contribuem para o fortalecimento:
- Da rede de segurança entre as mulheres (e seus filhos menores) em risco de vida;
- Da rede de afeto, confiança e solidariedade entre mulheres;
- Da autonomia, autogestão e a independência;
- Da formação política para as mulheres e seus filhos;
- Do manejo indígena da terra com plantio, alimentação, horta, plantas medicinais e regeneração do solo;
- Do trabalho psicológico, emocional e espiritual com medicinas da floresta visando a saúde integral, o bem viver e a redução do etnogenocídio.
A matriarca do coletivo Matriarcado Ancestral à esquerda, aquela que foi eternizada na pintura como Guardiã da Rocha, Aranilda mãe de Mônica Lima Mura. Ao lado, Alma Kazure e Mônica Lima Mura se preparando para um ritual da Jurema Sagrada



O Matriarcado Ancestral existe para construir uma rede de afeto, confiança, solidariedade, espiritualidade e autodefesa para mitigar os efeitos adoecedores das violências do etnogenocídio contemporâneo sofrido em pleno século XXI pelas mulheres indígenas. Partimos da necessidade imediata de acolher e proteger mulheres indígenas e suas crianças em situação de risco, violência ou vulnerabilidade socioeconômica, consequência da luta pelo território, intolerância religiosa, violência sexual, de gênero e/ou por relações abusivas. Nossa sede de apoio é o território Aldeia Portal da Floresta na Ilha Grande, uma extensão do LPF da UIPAM, onde além da articulação em rede, atuamos para a proteção destas mulheres com suas crianças sob risco e violência. Pensamos na construção coletiva de mais espaços seguros como Aldeias (espaços de cultivo e integração entre os elementos e ciclos naturais) e Casas de Mulheres para o aprofundamento do trabalho em rede de confiança com a espiritualidade da Jurema (a força do Matriarcado Ancestral).
Atualmente o coletivo Matriarcado Ancestral faz parte do Mapa de Coletivos de Mulheres do Brasil da ANMIGA (Articulação Nacional de Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade), documento construído em colaboração com o ISA-Instituto Socioambiental.[16]
Histórico de violência
A violência que os povos indígenas sofrem pelo projeto de desenvolvimento do colonialismo moderno em curso, mercadológico, representado pelas grandes corporações e o agronegócio, coloca nossas vidas em risco cotidianamente. O relatório da Comissão Pastoral da Terra (CPT-2024) revela que quem mais morreu nos ataques foram os indígenas (5 das 13 mortes). A luta pela terra representa 80% dos conflitos registrados. Entre os envolvidos 29% eram indígenas e 79% das tentativas de assassinato, as vítimas também eram indígenas.


Quando o tema é violência de gênero, mais uma vez as maiores vítimas são as mulheres: uma em cada três mulheres indígenas já sofreu violência sexual ao longo da vida, segundo dados da ONU. Segundo o Instituto Igarapé, entre 2000 e 2020 houve um aumento de 167% no número de feminicídio de mulheres indígenas.[17] Observando esses dados, constatamos a urgente necessidade de construção de atividades e oficinas que fortaleçam estas mulheres na sua espiritualidade ancestral, saúde socioemotiva e autodefesa.
A Guardiã da Rocha a nos olhar… representando a ancestralidade. O olhar da Guardiã paira sobre a área desmatada na frente da Aldeia Portal da Floresta. Arte idealizada em ritual por Antonella Santangelo e Mônica Lima Mura em 2022 (Fonte: Mônica Lima Mura)



Foto da internet-Apib: https://x.com/ApibOficial/status/1750208682191630669. o lado homenagem feita a Fátima Tupinambá na Oca das mulheres na Aldeia Maraka’nã (Fonte: Mônica Lima Mura, 2024)
Lutamos por Justiça!! Queremos que parem de nos matar!
Nos últimos anos o conflito tem se acirrado e podemos citar como exemplo os assassinatos de Priscila Xavier Lima[18], indígena da Aldeia Catarina Paraguassú Pataxó Hã Hã Hãe no Sul da Bahia em 15/10/2023, sobrinha de uma das mulheres que compõem o Coletivo, a Majé Rita Tupinambá.
Infelizmente, nem nos recuperamos do luto por Priscila e outra indígena do nosso coletivo foi assassinada no mesmo território no Sul da Bahia em 21/01/2024: a Majé Fátima Tupinambá[19], a nossa Nega Pataxó Hã Hã Hãe irmã da Majé Rita Tupinambá e também tia de Priscila. Nossas Juremeiras (digo as Xamãs que compõem atualmente o coletivo Matriarcado Ancestral) vêm sofrendo constantes ameaças e intolerância religiosa fazendo com que ambas para protegerem suas vidas tenham que sair de suas Aldeias, são as majés Alma Kazure do Povo Xukuru e Rita Tupinambá. Ambas as xamãs e outras mulheres passaram pela Aldeia Portal da Floresta. Precisamos ressaltar ainda os inúmeros assassinatos de mulheres indígenas no Território Guarani Kaiowá em Mato Grosso do Sul e Brasil afora, conforme amplamente noticiado pelas mídias, inclusive oficiais.



Como se não bastasse tanta violência, atualmente o Cinturão Verde da Aldeia Portal da Floresta na Ilha Grande, sede do Matriarcado Ancestral, está ameaçado! O Patrimônio Natural e Cultural das mulheres do coletivo Matriarcado Ancestral está sob risco na Vila do Abraão, em Ilha Grande, Angra dos Reis. Infelizmente, o território vem mostrando todo o seu racismo, misoginia, intolerância religiosa e violência contra o território-terra-memória Ancestral Matrilinear (Aldeia Portal da Floresta, sede do coletivo de mulheres Matriarcado Ancestral) e o território corpo-mente da liderança indígena Mônica Lima Mura.


Ameaças à biodiversidade e à cultura ancestral na Ilha Grande: resistência e perseguição
No coração da Ilha Grande, na Vila do Abraão, um dos últimos redutos de floresta nativa resiste bravamente à pressão da urbanização desordenada, à gentrificação e à favelização crescente. A Aldeia Portal da Floresta, situada em uma região protegida pela Área de Proteção Ambiental de Tamoios, abriga um cinturão verde que protege a biodiversidade local e mantém viva a memória dos povos originários. Liderada pela indígena Mura Mônica Lima Mura Manaú Arawak, essa área é reconhecida mundialmente pela UNESCO como Patrimônio Mundial da Humanidade e integra o primeiro sítio misto brasileiro, onde cultura viva e natureza coexistem.


Entretanto, nos últimos meses, denúncias feitas por Mônica Lima Mura trouxeram à tona graves ameaças ao território e à sua própria segurança. Segundo seus relatos, há expansão irregular de construções, desmatamento ilegal e outros crimes ambientais, colocando em risco a floresta remanescente e a cultura viva da aldeia Portal da Floresta.
Após essas denúncias, relatórios da Prefeitura de Angra dos Reis de inspeções acompanhadas pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) confirmaram a ocorrência de diversos problemas, resultando em autuações, embargos e apreensões de equipamentos utilizados em obras ilegais[20]. O Instituto Estadual do Ambiente (Inea), por meio da Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul, promoveu um mutirão de limpeza, em área protegida, ação que reuniu 32 voluntários e resultou na coleta de aproximadamente 200 quilos de resíduos sólidos, incluindo diversos tipos de plásticos, vidros, calçados e outros materiais que representam ameaça à vida marinha e aos ecossistemas locais para “conscientizar a população sobre o impacto do lixo no meio ambiente. Os detritos descartados de forma errada impactam áreas protegidas distantes. Se cada um fizer sua parte, podemos garantir um futuro mais sustentável para as próximas gerações” – afirmou o secretário de Estado do Ambiente e Sustentabilidade, Bernardo Rossi[21]. “A vida com seus ciclos naturais e nosso manejo respeitoso continuarão a reexistir”, complementa Mônica Lima Mura.
O papel do Matriarcado Ancestral na resistência cultural


Entre agosto e novembro de 2024, Mônica Lima Mura e outras integrantes do coletivo Matriarcado Ancestral participaram de uma série de eventos organizados pelo Coletivo Educação Solidária, reforçando a luta pela preservação ambiental e pela valorização dos territórios dos povos originários e de caiçaras. Três desses eventos foram particularmente emblemáticos:
- Festival de Economia Solidária e Tradicionalidades do Abraão (F.E.S.T.A: O DOC) – Agosto de 2024: Durante o festival, Mônica e integrantes do Matriarcado Ancestral realizaram um protesto pacífico, abraçando simbolicamente a Grande Árvore Sagrada, localizada ao lado da Casa de Cultura. Além disso, organizaram uma instalação artística e uma roda de decolonização, defendendo que a Mãe Terra é uma energia biocósmica em constante troca sagrada, interligando cosmovisões dos povos da floresta às necessidades vitais com a natureza. Essa perspectiva rejeita a lógica mercadológica que ameaça os saberes ancestrais e busca uma ruptura com o capitalismo colonial, que transforma ecossistemas em mera mercadoria.
- Projeto de Educação Ambiental (Agosto a Novembro de 2024): Em parceria com Alexandra Campos, do Coletivo Educação Solidária e da Nativa da Ilha, Mônica Lima Mura participou de oficinas de educação ambiental na Casa de Cultura da Ilha Grande e do Festival da Primavera, em parceria com o grupo de Fazedores de Cultura Local. Além das atividades educacionais, a equipe preparou um terreno à frente da aldeia Portal da Floresta para que crianças pudessem plantar árvores frutíferas e plantas medicinais no canteiro onde antes havia lixo. No entanto, depois de retirar os resíduos do terreno em frente à Aldeia, foram impedidas por alguns moradores, que alegaram que a área não poderia ser utilizada para esse fim. Pouco depois, a Secretaria de Educação municipal cancelou a participação dos alunos no projeto, avisando com menos de um dia útil de antecedência.
- Projeto “Viagem no Tempo da Ilha Grande” – Novembro de 2024: Desenvolvido por Alexandra Campos, esse roteiro de turismo literário buscava valorizar o patrimônio material e imaterial da Ilha Grande em colaboração com a escola local. O evento, realizado com recursos da Lei Paulo Gustavo, estava com todas as despesas empenhadas, convidados já em trânsito e apoio de artistas e ativistas. No entanto, o cancelamento imposto pela Secretaria de Educação resultou em um movimento coletivo de denúncia contra os impactos do “desenvolvimento sustentável” imposto sem diálogo.


Poucos dias após os dois primeiros eventos, a Defesa Civil de Angra dos Reis cortou sete coqueiros na região do entorno da “Árvore Sagrada”, alegando que representavam risco para os frequentadores da ilha. A ação, realizada sem aviso prévio, gerou protestos de moradores, que registraram vídeos e criticaram a falta de comunicação. Segundo o jornal O Globo, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) afirmou não ter sido notificado e multou a prefeitura pela intervenção inadequada[22]. Para Mônica Lima Mura, essa decisão foi mais um reflexo da pressão sobre o território e seus espaços sagrados.
Além disso, sem justificativa oficial, Mônica Lima Mura foi excluída do grupo de oficineiros da Casa de Cultura, restando apenas Alexandra Campos na equipe. Embora Alexandra seja uma mulher indígena em retomada, sua aparência talvez não tenha os traços indígenas tão acentuados, o que levanta reflexões sobre invisibilização e representatividade. Segundo Mônica Lima Mura, as ameaças contra ela e membros do coletivo aumentaram de forma alarmante, tornando a situação ainda mais grave e exigindo atenção urgente das autoridades.



Conclusão: a urgência da proteção ambiental e cultural
As recentes investidas contra a floresta, as manifestações artísticas e os projetos educativos refletem uma tentativa de silenciamento das vozes que denunciam a destruição ambiental e o apagamento cultural dos povos originários. A situação exige atenção urgente das autoridades ambientais, da UNESCO, da ONU e da sociedade civil. Proteger a Aldeia Portal da Floresta significa preservar não apenas um fragmento remanescente da Mata Atlântica, mas também o direito dos povos indígenas à manutenção de seus territórios e cultura.
Em tempos de crise climática e degradação ambiental acelerada, silenciar diante dessa destruição é ser cúmplice.
Sementes crioulas do milho dos Guarani de São Paulo plantados na Aldeia Portal da Floresta. Ao lado ritual e rezos pela floresta que está sendo desmatada na frente da Aldeia Portal da Floresta como demonstrado pelas toras de árvores cortadas e entulhos colocados no portão da sede do coletivo. Fonte: Mônica Lima Mura, 2025





A floresta ainda vive — mas por quanto tempo, se nada for feito?
O contexto atual da organização
Como fundamento, pretendemos desconstruir, ainda que micropoliticamente, o patriarcado e reconstruir o matriarcado, que nunca deixou de existir na prática, pois sempre foram, ainda são e sempre serão as mulheres que constituem a base real da sociedade “carregando o mundo nas costas”, embora sejam os homens que estejam no poder. Desejamos expandir o nosso campo de atuação cada vez mais e para isso, pretendemos construir mais espaços seguros para as mulheres e suas crianças, pois enquanto nós escrevemos essa escrevivência, há muitas mulheres e seus núcleos familiares sob risco de vida concreto na realidade.
Se faz necessária a construção de espaços de autocuidado e fortalecimento entre nós, pois, apesar de muitas estarmos juntas, são inúmeros os problemas cotidianos do patriarcado sistêmico que nos afetam e nos afastam na materialidade, e acabam nos isolando e enfraquecendo, reforçando a estratégia colonialista do “dividir para dominar”.
O território Aldeia Portal da Floresta na Ilha Grande tem sido, dentre outros, um dos locais de base de encontros, rituais, formações, oficinas e acolhimento de mulheres que estão em situação de risco/violência. Por ser um lugar distante e isolado em uma ilha, na floresta e liderado por mulheres indígenas, garante a segurança e a integridade destas mulheres (no entanto, atualmente o espaço encontra-se ameaçado!), além de promover sua saúde socioemotiva e espiritual conectada à natureza e a Medicina Ancestral da Floresta. Para avançar em nossas ações e na captação de recursos para retirar mais mulheres indígenas (com seus filhos) da violência em que vivem seria primordial formalizarmos o coletivo Matriarcado Ancestral como uma Associação de mulheres Indígenas. Também seria importante que lideranças, autoridades, movimentos e instituições nacionais e internacionais comprometidas com justiça e direitos sociais apoiassem os projetos desenvolvidos na Aldeia Portal da Floresta, que buscam a soberania alimentar e minimizar a crise climática, além de impedir que mulheres com seus filhos continuem a ser violentadas.
Portfólio: https://drive.google.com/file/d/1QlN0Aqkpt2-5yvVOG8_DSNK1PnzHZkjV/view?usp=drivesdk
Instagram: https://www.instagram.com/matriarcado.ancestral?igsh=MWxrZ2ZjMDQzemF3ag==
A criação de uma estrutura jurídica (associação) fornecerá segurança jurídica à luta do coletivo e ampliação da sua rede, promovendo maior acolhimento, diálogo com nossa ancestralidade e confluência de cosmovisões.


Encontro de Mulheres na Aldeia Pataxó Ha Ha Hãe – Paraty com Fátima Muniz ao fundo. Fonte: Silviane Lopes, 2023. Maria Muniz, irmã de Fátima Muniz e Rita Tupinambá com Mônica Lima Mura, no Acampamento Terra Livre. Fonte: Aldo Santiago, 2025
O primeiro grande encontro do Coletivo Matriarcado Ancestral para rever e referendar princípios e objetivos ocorreu em junho de 2024 em Vargem Grande, no Rio de Janeiro. No primeiro dia honramos o sangue de Priscila Pataxó Hã Hã Hãe e da Majé Nega (Fátima Tupinambá) assassinadas durante a luta pelo território, com uma homenagem e com a realização do Ritual da Jurema Sagrada que trabalha a medicina matriarcal espiritual conduzido pela Majé Rita Tupinambá. Neste Encontro também construímos um Regimento Interno, para servir de base para a construção coletiva de uma entidade de mulheres indígenas, com personalidade jurídica instrumentalizada para realizar mais ações, captar recursos e subsidiar as bases de articulação de mulheres para nossa autodefesa, diante do contexto de violência que sofremos, sobretudo, na luta pelo território que, em 2024, culminou em mais assassinatos brutais de nossas lideranças políticas e espirituais. E para enfrentar de forma contundente a violência que a Aldeia Portal da Floresta, liderada pela indígena Mônica Lima Mura, está enfrentando na Ilha Grande. Importante lembrar que quem habitava a Ilha Grande nos primórdios também eram os povos originários.

Sabemos que os povos indígenas vêm combatendo as violências e a cada ação progressista, esperamos reações conservadoras de violência ativa, crescente e contundente. Portanto, as violências só aumentam e a ira das grandes empresas do agronegócio se voltam contra os povos originários, sendo as mulheres, crianças e idosas indígenas as partes mais afetadas nessa relação de poder. Como já afirmado por Sueli Carneiro, “a invisibilização paira sobre o sujeito negro”[23], e, desde a ocupação em 1500, essa realidade se desdobra de forma ainda mais brutal sobre as mulheres indígenas que nunca deixaram de resistir.[24]

Nossa rede vem se ampliando e se fortalecendo nas ações de autogestão com o plantio com as mulheres (e suas crianças) e os rituais espirituais que organizamos, vivenciando os ensinamentos de nossos ancestrais. Atuamos na formação política de caráter teórico-prático, feita a partir da confluência dos saberes, ciências e tecnologias das pedagogias ancestrais indígenas, populares e libertárias com ferramentas aplicadas aos princípios da economia solidária para contribuir na autonomia financeira e acolhimento de mulheres. Além de promover cursos, giras de conversa, participação em congressos, atividades socioambientais, formações de professores, formação em saúde aplicadas à Medicina Ancestral Matrilinear, temos nos articulado nos encontros Anuais de Mulheres Indígenas em Brasília que culminam com a Marcha das Mulheres Indígenas, no Acampamento Terra Livre, nas Assembleias Kuñangue Aty Guassu – A Grande Assembleia das Mulheres Kaiowá e Guarani em Mato Grosso do Sul, nos encontros com a Associação de Mulheres Indígenas Catarina Paraguassú do Sul da Bahia e com Fórum de Economia Solidária de Angra dos Reis, local onde funciona a base da Aldeia Portal da Floresta.
Atividades do Coletivo
A Rede de Mulheres Indígenas, em retomada e apoiadoras do Coletivo Matriarcado Ancestral tem se expandido e fortalecido em ações de autogestão, autodefesa, autocuidado, plantio de medicinas e rituais espirituais. Essas práticas são organizadas em conjunto com outras mulheres, sempre orientadas pelos ensinamentos ancestrais, especialmente através do Ritual da Jurema Sagrada, uma medicina tradicional que carrega a força do feminino.


Com o LPF da UIPAM, atuamos na formação política teórico-prática, que se fundamenta nos saberes, ciências, tecnologias, cosmovisões e saberes indígenas, utilizando ferramentas pautadas nos princípios da economia solidária para promover a autonomia financeira e o acolhimento de mulheres em situação de vulnerabilidade. O curso de Medicina Ancestral Matrilinear é desenvolvido honrando os princípios da oralidade ancestral dos saberes transmitidos de geração em geração, promovendo aulas práticas sobre o uso de plantas da floresta, medicina fitoenergética e seus aspectos espirituais, que se diferenciam dos paradigmas da medicina dominante.



A Organização Mundial de Saúde – OMS admitiu que 40% dos remédios produzidos pela indústria farmacêutica hoje, vêm do conhecimento indígena[25]. Além disso, desenvolvemos uma formação política, sociológica, filosófica, biológica, literária, artística, cultural e espiritual que integra o manejo sustentável do território e o plantio de sementes crioulas, promovendo uma conexão profunda com o cosmos e a natureza, buscando também soluções para a crise climática e soberania alimentar.
A cura no contexto da crise climática
Tendo em vista tratar-se de um coletivo pluriétnico, ou seja, formado por mulheres indígenas de diferentes etnias, mulheres em processo de retomada de sua ancestralidade indígena, e mulheres apoiadoras, as colaboradoras deste coletivo mostram a força que possuem para liderar a construção de práticas socioambientais que possam convergir para o acesso das pessoas à saúde integral, à igualdade de gênero, às práticas alimentares saudáveis, à preservação dos patrimônios hídricos e proteção do solo, e pela valorização e respeito das práticas espirituais e culturais indígenas diversas. Assim, o coletivo atende a um chamado espiritual de luta pela preservação da natureza, que somos nós, e de combate ao apagamento das diferentes culturas indígenas, preservando os saberes indígenas em território urbano ou não.


O Matriarcado Ancestral possui um papel fundamental no movimento de contracolonização das práticas socioambientais, buscando uma reconexão ancestral entre os indivíduos e o território onde habitam, partindo do conceito do próprio corpo como território, visando potencializar assim as práticas de produção, consumo e descarte, respeitando os ciclos da natureza e seguindo os princípios dos povos originários, bem como a relação deles com a natureza e a convivência com a multiplicidade étnica existente no território Pindorama. Esta reconexão com a natureza é um movimento espiritual e socioambiental de resgate dos valores culturais e de resistência dos povos originários, onde a mulher indígena, ou em retomada de sua ancestralidade indígena, encontra o seu lugar de fala para romper com os paradigmas de relação com a natureza impostas pelo colonialismo, racismo e patriarcado euronorteamericano do século XV até os dias atuais.
Atendendo a espiritualidade e fortalecendo o movimento contracolonial na sociedade contemporânea, o Matriarcado Ancestral tem a necessidade de combater:
- O apagamento das culturas indígenas causado pelo colonialismo e racismo estrutural;
- As diversas formas de violência do patriarcado contra a mulher, em especial contra a mulher indígena e em processo de retomada;
- A criminalização (Art 284. Código Penal, 1890) e desvalorização da medicina matrilinear da floresta, que sofre impactos tanto pela destruição das matas, como pela perseguição aos rituais das majés, juremeiras, parteiras, rezadeiras, benzedeiras, pajés e xamãs;
- A destruição de áreas verdes, que é um dos fatores de aumento do aquecimento global, a desertificação dos solos e emergências da crise climática;
- A poluição dos recursos hídricos, dando atenção especial aos mares e oceanos por estarmos vivendo o movimento mundial da Década do Oceano (2021-2030);
- As relações de produção e consumo que não observam a poluição e o esgotamento dos recursos da natureza;
- A fome ou envenenamento causados pelo consumo de alimentos transgênicos, contaminados com agrotóxicos ou outros venenos, o consumo de ultraprocessados e alimentos embalados, além da escassez de alimentos.
- A vulnerabilização das mulheres frente ao patriarcado, à misoginia, ao preconceito e ao machismo, ao racismo estrutural e institucional.
Constatamos que as ações dos coletivos formados em comunidades de base melhoram a qualidade de vida das pessoas que habitam determinado território, por isso o coletivo Matriarcado Ancestral atua no mesmo sentido, entendendo que a contrapartida social oferecida por estas ações é construir uma relação harmoniosa e equilibrada entre os indivíduos, o território/corpo/memória, o ambiente e todos os seres viventes, através do desenvolvimento de um processo de reconstrução da identidade da comunidade, criando uma relação de pertencimento e respeito à ancestralidade, à espiritualidade e à natureza.
Devolver a uma geração um ambiente saudável e que respeita a espiritualidade dos povos originários é um dever da sociedade como um todo e o Matriarcado Ancestral propõe a integração entre os eixos indivíduo – comunidade (comum unidade) – espiritualidade – ambiente – medicina matrilinear da floresta (matriarcado) como bases estruturantes para a melhoria da qualidade de vida e promoção do bem viver de uma sociedade, abrindo caminho para um processo contínuo de reexistência e cura na construção do único futuro possível: ANCESTRAL Y MATRILINEAR!
Atuação para além dos territórios Aldeia Portal da Floresta e Aldeia Maraka’nã
Para a execução dos objetivos do coletivo são necessários recursos que atendam às necessidades identificadas pelo matriarcado ancestral nos territórios.
Na cidade do Rio de Janeiro foi observada a necessidade de envolver as comunidades locais, na utilização dos pequenos espaços urbanos em que se possa desenvolver a cultura de plantio de espécies usadas na medicina matrilinear da floresta e também do cultivo de plantas usadas na alimentação. Esta proposta envolve a criação de sistema de compostagem para a recuperação de solo urbano, coleta e destinação adequada de resíduos sólidos da comunidade local, valorização da oralidade indígena como fonte de conhecimento da cultura dos povos originários; construção de bancos de sementes crioulas; diminuição dos efeitos do aquecimento global e da crise climática causados pelas práticas de consumo da economia linear capitalista, do desmatamento das florestas e das políticas destruidoras mercantis do projeto de desenvolvimento do capitalismo neoliberal nacional e internacional.
Um dos exemplos de atuação do coletivo ocorre na cidade de Niterói (região de Itaipu) onde se observou a necessidade de conscientização populacional sobre a preservação da vida marinha e do sítio arqueológico dos Sambaquis, que se encontra entre as praias de Itaipu e Camboinhas (no futuro esse mapeamento histórico dos sambaquis junto ao trabalho espiritual e a conscientização populacional será espandido para a Ilha Grande, pois existe muita semelhança). A área, como a maioria dos locais de turismo e lazer, contém um grave problema de descarte inadequado de resíduos sólidos causando o sofrimento da vida marinha e dos próprios indivíduos que circulam pelo local. Para além disso, é necessário conscientizar a população sobre a importância do sítio arqueológico como elemento de extrema importância espiritual e histórica da presença indígena naquele território, buscando além da preservação deste sítio, também a reparação histórica para as pessoas indígenas que vivem naquele contexto urbano. O sítio arqueológico, para além da especulação imobiliária, também é bastante impactado pelos resíduos sólidos que se encontram nas praias que estão próximas, fato este que invisibiliza a importância histórica deste território para a sociedade atual.
Outro exemplo de degradação ambiental, encontrado em todas as cidades brasileiras, ocorre na cidade de Nova Iguaçu (Tinguá). O Matriarcado Ancestral observou a alta necessidade da reconstrução histórica das práticas culturais indígenas. Esta região é situada em um espaço geográfico em que há o predomínio da economia rural e do turismo ecológico. Há bastante tempo vem sofrendo a ação da expansão imobiliária e se distanciando cada vez mais dos saberes dos povos originários e tradicionais. Não se encontra no local um centro de tradições das culturas indígenas existentes antes da colonização. O Matriarcado Ancestral desenvolve ações que fortalecem as culturas indígenas no local, colaborando no resgate destas culturas no sentido espiritual, na medicina da floresta, nas artes, na literatura indígena, no plantio e na alimentação. O matriarcado Ancestral tem como foco principal a construção de uma Oca da Jurema/Casa das Mulheres em Tinguá para acolher mulheres com seus filhos que estejam em situação de risco, desenvolvendo a espiritualidade/cura com a medicina da Jurema e a autonomia destas mulheres através da autogestão, do manejo indígena da terra e da confecção de artes indígenas para desenvolver práticas de economia solidária.


O Matriarcado Ancestral espera, com estas ações, fortalecer as mulheres e as forças femininas em desequilíbrio devido ao patriarcado e ao machismo estrutural, à misoginia, e demais opressões colonialistas. O coletivo também trabalha ações de equilíbrio entre os indivíduos e a natureza, respeitando os ciclos da Mãe Terra, ouvindo a espiritualidade, melhorando a qualidade socioambiental dos territórios e a saúde integral e o bem viver da comunidade (comum unidade). Visto que, para o coletivo, não existe hierarquia entre os seres humanos e outros seres vivos, bem como entre corpo e territórios.
Na Vila do Abraão – Ilha Grande, juntamente com o Coletivo Educação Solidária, o coletivo Matriarcado Ancestral desenvolve desde 2021 atividades socioambientais e socioemotivas organizadas com o intuito de sensibilizar a comunidade local, turistas e trabalhadores da Ilha Grande sobre a necessidade de respeitar o território, que é Patrimônio Misto da Humanidade, mas segue sendo impactado pelo crescimento desordenado, especulação imobiliária e turismo de massa. Já foram realizadas diversas rodas de conversa, roteiros literários, roteiros de turismo de base comunitária, conferências e festivais de economia solidária buscando apresentar a cosmologia indígena de que somos todos filhos e filhas da mãe terra e devemos não só respeitá-la como também ajudar a proteger a sociobiodiversidade.
As atividades práticas que o coletivo Matriarcado Ancestral tem trabalhado mais especificamente: a) retirada dos resíduos; b) separação dos resíduos para descarte adequado em coleta seletiva e venda para arrecadação de recursos a serem destinados ao Matriarcado Ancestral; c) trabalho de recuperação do solo em canteiro de praça pública e plantio de ervas medicinais, árvores frutíferas e Plantas Alimentícias não convencionais (PANCs) em praças; d) contação de histórias e teatro infantil fazendo o resgate ancestral dos contos indígenas e brincadeiras indígenas, mandalas, instrumentos musicais e pintura com biotintas; e) criação de um banco de sementes não modificadas geneticamente (crioulas) para plantio e doação e assim fugirmos do mercado do agronegócio (intergeracional); f) captação de recursos (brechó e artes em geral); g) a retomada espiritual, socioambiental e cultural do patrimônio ancestral Sambaqui (cemitério indígena) nas Praias de Itaipu e Camboinhas (Niterói).
O Papel das Juremeiras no Matriarcado Ancestral
As juremeiras são vistas como líderes espirituais que preservam e perpetuam o conhecimento da Jurema Sagrada. Em muitos aspectos, essas mulheres carregam uma forma de matriarcado espiritual, em que o feminino se manifesta como o pilar de ligação com o mundo dos ancestrais e dos espíritos. Esse matriarcado também reflete a importância das mulheres nas comunidades indígenas e afropindorâmicas, em que a transmissão de saberes é feita de forma oral e geracional, de mãe para filha.
A espiritualidade matriarcal da Jurema Sagrada, liderada pelas juremeiras, não só preserva saberes ancestrais como também oferece uma oportunidade para fortalecer a conexão com o passado, especialmente em um momento de busca por identidade e resistência cultural. Ao reconhecer a centralidade das mulheres em movimentos espirituais e políticos, há uma oportunidade de ampliar essa espiritualidade matriarcal, ligando-a ao presente e ao futuro. Para as sociedades originárias, o tempo é circular e não linear, nos dizeres de Nego Bispo, existe o começo, o meio e o começo, se perpetuando a partir e através das gerações passadas e futuras. Esse legado matriarcal ancestral, vivido pelas juremeiras, é uma peça chave para conectar a espiritualidade das etnias indígenas com a luta e resistência. Proporcionar o elo entre as mulheres do Coletivo Matriarcado Ancestral e as juremeiras, por meio de vivências espirituais, fortalece significativamente o conhecimento e o compromisso com a missão espiritual de cuidar da Mãe Terra/Mãe Natureza. Essa conexão pode ser vista como uma aliança entre forças centrais na espiritualidade indígena, onde o feminino assume o papel de guardião dos saberes ancestrais e da natureza.
A Conexão Espiritual e o Matriarcado
O matriarcado ancestral simboliza a relação intrínseca entre o poder feminino e a natureza. Em muitas culturas indígenas e afropindorâmicas, como na Jurema Sagrada, as mulheres são vistas como intermediárias espirituais que cuidam não apenas da comunidade, mas também da terra e da natureza. Para as juremeiras, essa responsabilidade espiritual envolve práticas que honram a Terra como uma entidade sagrada, sendo a preservação da natureza uma missão espiritual central. Ao promover vivências espirituais entre as mulheres do coletivo e as juremeiras, esse conhecimento ancestral é transmitido de forma prática e experiencial, onde rituais de conexão com a terra, uso de plantas sagradas, e a comunhão com os espíritos da natureza fortalecem o papel dessas mulheres como guardiãs espirituais da Mãe Terra.
Esses encontros permitem às mulheres do Coletivo Matriarcado Ancestral vivenciarem, integrarem e confluírem saberes que envolvem o cuidado com a natureza e a preservação da vida em todas as suas formas. A espiritualidade da Jurema Sagrada não separa o mundo espiritual do mundo material, ao contrário, vê a natureza como o canal através do qual o sagrado se manifesta. As juremeiras, por exemplo, fazem uso ritualístico da árvore da Jurema, uma planta sagrada que conecta os praticantes ao mundo dos espíritos. Ao aprenderem com as juremeiras sobre o uso de plantas, a preservação de territórios e o respeito aos ciclos naturais, as mulheres do coletivo Matriarcado Ancestral têm a oportunidade de se aprofundarem em práticas que promovem a conexão e o envolvimento com a Mãe Terra.
Esse conhecimento espiritual é vital para enfrentar os desafios ecológicos contemporâneos e promover o respeito e o cuidado com o ambiente, fortalecendo a missão coletiva de cuidar da natureza como um ato sagrado. Além da dimensão espiritual, essa aliança também promove um impacto social e cultural.
Considerações finais
O Brasil é e sempre será terra indígena. O maior genocídio quem sofreu foram os povos originários, pois mais de 70 milhões de indígenas foram assassinados pelo colonizador[26]. Embora os colonizadores insistam em dizer que a população indígena se resume a apenas cerca de 1% do território nacional e que indígenas são apenas os aldeados, sabemos que esse discurso faz parte de um projeto de branqueamento populacional e de invisibilização de uma identidade nacional racializada de povos originários e quilombolas. Se 65% dos autodeclarados pardos se encontram na Amazônia legal, significa que, provavelmente, cerca de quase 30% dos 45% autodeclarados pardos possivelmente são indígenas. Assim teríamos um país com cerca de 25% de pessoas negras e 30% de indígenas em um total de cerca de 55% de população racializada para 43% de brancos. Essa é uma das reflexões que podemos levantar dentre diversas outras características culturais. Linguisticamente a hegemonia afirma que falamos português, contudo, podemos destacar diversas palavras de origem indígena presentes hoje no nosso vocabulário, inclusive nomeando cidades, como Niterói, por exemplo, a primeira cidade fundada por um indígena no Brasil. A maioria de nomes de localidades e comidas são em Tupi-Guarani, como Jacarepaguá, Copacabana, Tinguá, etc. Na culinária ocorre exatamente o mesmo e ainda podemos citar alguns hábitos culturais como tomar banho e dormir em rede, enfim, são inúmeras as características indígenas que permanecem na sociedade, embora invisibilizadas por um projeto de etnogenocídio e memoricídio. E atualmente ecocídio…diante da crise climática e ambiental do projeto humano civilizatório e do projeto de desenvolvimento neoliberal do capitalismo.
O matriarcado ancestral traz à tona tais contradições e apagamentos como instrumento de fortalecimento das mulheres indígenas que representam mais da metade dos povos originários de Pindorama.[27]
A centralidade matriarcal é a horizontalidade dos saberes originários, para além da binaridade de gênero e do fortalecimento da diversidade, especificamente das mais de 300 etnias reconhecidas oficialmente pelo Estado brasileiro. Fortalecer mulheres indígenas em retomada pressupõe a continuidade da vida e da resistência coletiva para o bem viver das populações futuras.
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Autoras:
Mônica Cristina Brandão dos Santos Lima (Mônica Lima Mura)[1], Amanda Mara Lopes de Oliveira Goytaká[2], Marcia Ribeiro Ramos[3] e Alexandra Vasconcelos Campos[4]
[1] Professora PhD da Universidade Indígena Pluriétnica Aldeia Maraka’nã (UIPAM), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e da Secretaria de Educação do Rio de Janeiro (SEEDUC). Coordenadora de Medicina Ancestral Matrilinear do Coletivo Matriarcado Ancestral e integrante do Coletivo Educação Solidária
[2] Historiadora e Professora da Universidade Pluriétnica Aldeia Maraka’nã e membra do coletivo Matriarcado Ancestral.
[3] Psicóloga Mestra em relações étnico-raciais, colaboradora da Universidade Pluriétnica Aldeia Maraka’nã – UPAM e membra do coletivo Matriarcado Ancestral.
[4] Historiadora e Especialista em Culturas Populares e Tradicionais, Produtora Rural e Cultural, integrante Colegiado Territorial Rural da Bahia da Ilha Grande e coordenação dos Coletivos Matriarcado Ancestral, Educação Solidária e Fórum Estadual de Economia Solidária do Rio de Janeiro.
[1] Professora PhD da Universidade Indígena Pluriétnica Aldeia Maraka’nã (UIPAM), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e da Secretaria de Educação do Rio de Janeiro (SEEDUC). Coordenadora de Medicina Ancestral Matrilinear do Coletivo Matriarcado Ancestral e integrante do Coletivo Educação Solidária
[2] Historiadora e Professora da Universidade Pluriétnica Aldeia Maraka’nã e membra do coletivo Matriarcado Ancestral.
[3] Psicóloga Mestra em relações étnico-raciais, colaboradora da Universidade Pluriétnica Aldeia Maraka’nã – UPAM e membra do coletivo Matriarcado Ancestral.
[4] Historiadora e Especialista em Culturas Populares e Tradicionais, Produtora Rural e Cultural, integrante Colegiado Territorial Rural da Bahia da Ilha Grande e coordenação dos Coletivos Matriarcado Ancestral, Educação Solidária e Fórum Estadual de Economia Solidária do Rio de Janeiro.
Notas de Rodapé
[5] RAYGORODETSKY, Gleb. Populações indígenas defendem a biodiversidade do planeta, mas estão em perigo. National Geographic Brasil, 28 nov. 2018. Disponível em: https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2018/11/populacoes-indigenas-defesa-biodiversidade-planeta-conservacao-equador-amazonia-perigo-especies . Acesso em: 6 jun. 2025.
[6] INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Censo Demográfico 2022. IBGE, 2025. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/saude/22827-censo-demografico-2022.htm Acesso em: 6 jun. 2025.
[7] Organização Internacional do Trabalho. Convenção nº 169 sobre Povos Indígenas e Tribais. Genebra: OIT, 1989. Disponível em: Convenção OIT nº 169. Acesso em: 11 jun. 2025.
[8] Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Brasil tem 1,7 milhão de indígenas e mais da metade deles vive na Amazônia Legal. Censo 2022, 7 ago. 2023. Disponível em: https://censo2022.ibge.gov.br/noticias-por-estado/37565-brasil-tem-1-7-milhao-de-indigenas-e-mais-da-metade-deles-vive-na-amazonia-legal. Acesso em: 6 jun. 2025.
[9] GOYTAKÁ, Amanda Mara Lopes de Oliveira. MukáMukaú: os desafios da retomada identitária de indígenas em contexto urbano. [Dissertação/Tese/Monografia]. Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2024.
[10] INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Censo 2022: Na Amazônia Legal, pardos são mais de 65% e indígenas dobram de tamanho desde 2010. Valor Econômico, 22 dez. 2023. Disponível em: https://valor.globo.com/brasil/noticia/2023/12/22/censo-2022-na-amazonia-legal-pardos-sao-mais-de-65percent-e-indigenas-dobram-de-tamanho-desde-2010.ghtml. Acesso em: 6 jun. 2025.
[11] INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Brasil tem 1,69 milhão de indígenas, aponta Censo 2022. Governo Federal, 7 ago. 2023. Disponível em:https://www.gov.br/secom/pt-br/assuntos/noticias/2023/08/brasil-tem-1-69-milhao-de-indigenas-aponta-censo-2022 Acesso em: 6 jun. 2025.
[12] NÚCLEO CIÊNCIA PELA INFÂNCIA. Desigualdades em saúde de crianças indígenas. São Paulo: NCPI, 2025. Disponível em: https://ncpi.org.br/publicacao/desigualdades-em-saude-de-criancas-indigenas/. Acesso em: 11 jun. 2025.
[13] GLOBAL WITNESS. Brasil é o 2º país que mais matou defensores do meio ambiente em 2023, diz ONG. Brasil de Fato, 10 set. 2024. Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2024/09/10/brasil-e-o-2-pais-que-mais-matou-defensores-do-meio-ambiente-em-2023-diz-ong/. Acesso em: 6 jun. 2025.
[14] LIMA, Mônica Cristina Brandão dos Santos. Duas décadas de Universidade Indígena Pluriétnica Aldeia Maraká’nã (UIPAM): a retomada da memória e do território aldeia/universidade. In: REUNIÃO CIENTÍFICA REGIONAL DA ANPEd – SUDESTE, 16., 2024, Vitória. Resumo expandido – Trabalho em andamento. Vitória: ANPEd, 2024. Disponível em: https://base.pro.br/sites/regionais5/docs/17509-TEXTO_PROPOSTA_COMPLETO.pdf Acesso em: 6 jun. 2025.
[15] ENCONTRO INTERNACIONAL POR UMA UNIVERSIDADE AUTÔNOMA INDÍGENA NO BRASIL PENSADA, GERIDA E ADMINISTRADA POR INDÍGENAS [livro eletrônico] / Organizadoras: Camila Jourdan; Danielle Bastos. — 1. ed. – Porto Alegre, RS: Editora TerriED, 2024. Disponível em (Ebook 2024: https://acrobat.adobe.com/id/urn:aaid:sc:VA6C2:5aeec10d-370b-4f5b-a1a2-f764cda4f0d0 Acesso em 06.06.2025
[16] INSTITUTO SOCIOAMBIENTAL. Mulher indígena, sua organização está no mapa: ANMIGA e ISA fazem mapeamento. Disponível em:https://www.socioambiental.org/noticias-socioambientais/mulher-indigena-sua-organizacao-esta-no-mapa-anmiga-e-isa-fazem-mapeamento. Acesso em: 07 jun. 2025.
[17] EMANCIPAÇÃO SOCIALISTA. Dia Internacional de Luta da Mulher: Assassinato de Mulheres Indígenas, Crise Humanitária e a Expropriação de Riquezas. Disponível em: https://www.emancipacaosocialista.org/2024/dia-internacional-de-luta-da-mulher-assassinato-de-mulheres-indigenas-crise-humanitaria-e-a-expropriacao-de-riquezas/ Acesso em: 07 jun. 2025.
[18] PAUTA BLOG. Violência. Mulher indígena é encontrada morta e com sinais de violência em Pau Brasil. Disponível em: https://pauta.blog.br/xilindro/violencia%E2%9D%97-mulher-indigena-e-encontrada-morta-e-com-sinais-de-violencia-em-pau-brasil/ . Acesso em: 07 jun. 2025.
[19] INTERCEPT BRASIL. Policiais da Bahia torturaram indígena, abriram passagem para ruralistas e negaram socorro a Nega Pataxó. Disponível em: https://www.intercept.com.br/2024/02/09/policiais-da-bahia-torturaram-indigena-abriram-passagem-para-ruralistas-e-negaram-socorro-a-nega-pataxo. Acesso em: 07 jun. 2025.
[20] Prefeitura combate construções irregulares na Ilha Grande. Disponível em: <https://angra.rj.gov.br/noticias/22-05-2025/prefeitura-combate-construcoes-irregulares-na-ilha-grande>. Acesso em: 14 jun. 2025.
[21] INSTITUTO ESTADUAL DO AMBIENTE (Inea). Mutirão de limpeza do Inea em Ilha Grande conscientiza população. Disponível em: https://www.inea.rj.gov.br/74710-2/ . Acesso em: 15 jun. 2025.
[22] ZAJDENWEBER, André. Defesa Civil de Angra dos Reis corta coqueiros na Vila do Abraão, na Ilha Grande, e moradores protestam. O Globo, 11 set. 2024. Disponível em: https://oglobo.globo.com/rio/noticia/2024/09/11/defesa-civil-de-angra-dos-reis-corta-coqueiros-na-vila-do-abraao-na-ilha-grande-e-moradores-protestam.ghtml . Acesso em: 15 jun. 2025.
[23] SILVA, João. A invisibilização paira sobre o sujeito negro. Carta Capital, v. 23, n. 5, p. 45-50, 2023.
[24] Campos, Alexandra Vasconcelos. Viagem no tempo da Ilha Grande: um roteiro de turismo literário / Alexandra Vasconcelos Campos; apresentação Palma Grano. – Angra dos Reis, RJ: Nativa da Ilha, 2025.
[25] ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Estatísticas de saúde mundial. Genebra, Suíça: OMS; 2019. Disponível em: https://bacananews.com.br/oms-afirma-que-40-dos-remedios-para-enfermidades-e-dores-vem-da-sabedoria-dos-povos-indigenas/. Acesso em: 07 jun. 2025.
[26] VIEZZER, Moema. Moema Viezzer fala sobre o genocídio de 70 milhões de indígenas na história das Américas. Jornal da USP, 22 jun. 2020. Disponível em: https://jornal.usp.br/atualidades/moema-viezzer-fala-sobre-o-genocidio-de-70-milhoes-de-indigenas-na-historia-das-americas/. Acesso em: 07 jun. 2025.
[27] ALVES, Dayse. Matéria disponível em: https://rioonwatch.org.br/?p=77112 . Acesso em: 07 jun. 2025.
