Parto e nascimento: medicalizado e mercantilizado

O abuso das cesarianas no Brasil é um problema crônico e caracteriza-se como uma das mais importantes medicalizações do parto, mas, nem mesmo assim, até o presente momento, foi enfrentado de forma adequada pelo SUS. Comitês de morte materna, limites e taxas de partos cirúrgicos toleráveis foram algumas das estratégias tentadas além de outras ideias como as que advogam pela retirada do parto do ambiente hospitalar.
O recente debate imposto pelos planos de saúde sobre o custo adicional do parto tem clara relação com o problema do excesso das cesarianas no país e, ao mesmo tempo, reflete a lógica mercantil que rege o abandono que as mulheres vivenciam na hora do parto.
O fato das parturientes vinculadas aos planos privados de saúde não contarem com a garantia do atendimento ao parto pelos profissionais que acompanharam o pré-natal é resultado de uma negligência da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que não regulamentou sobre o tema, permitindo avançar o descompromisso dos profissionais que demandam receber “por fora” para garantir disponibilidade no momento do parto.

Nota de falecimentos

Dezembro foi um mês de grandes perdas para a saúde pública brasileira, com o falecimento da presidente da Associação Brasileira de Ciências Farmacêuticas, Suely Lins Galdino; da médica e doutora em Saúde Coletiva Luci Praciano Lima; e da ex-assessora de planejamento da Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas, a médica cebiana Sonia Cavalcanti.

Cebes celebra inclusão da Revista Saúde em Debate na base SciELO Brasil

O Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes) tem muito a celebrar nesse final de ano, com recente decisão do Comitê Consultivo da SciELO Brasil (Scientific Electronic Library Online) pela inclusão da Revista Saúde em Debate em sua base eletrônica.
O comunicado foi recebido pela entidade nesta semana, após reunião realizada no dia 13 de dezembro, onde o comitê concedeu parecer favorável ao ingresso da revista na biblioteca eletrônica que abrange uma coleção selecionada de periódicos científicos brasileiros.

Censo inédito aponta violações aos direitos humanos nos manicômios judiciários do país

Passar pelos pesados portões de ferro de um manicômio judiciário é quase sempre um caminho sem volta. Entre muros e omissões, milhares de vidas seguem invisíveis aos olhos do Estado e da sociedade. Abandonados e anônimos, duplamente marginalizados – seja pelo estigma do transtorno mental seja pela situação delinquência -, os loucos infratores no Brasil sequer configuravam um número. É o que revela o primeiro mapeamento dos hospitais de custódia e tratamento psiquiátrico do país, que identificou 3.989 pessoas internadas nas 26 unidades do país.
Mais da metade são negros, pobres e com baixa escolaridade, homens e mulheres com epilepsia, esquizofrenia, retardo mental, transtornos afetivos, de personalidade, da preferência sexual ou devido ao uso de álcool e outras drogas, segundo a classificação psiquiátrica que fundamenta os atos infracionais. Passados noventa anos da criação dos hospitais-presídios no país, uma pesquisa inaugural traz o primeiro perfil nacional de uma população esquecida: A custódia e o tratamento psiquiátrico – Censo 2011 – estudo idealizado e coordenado pela professora Debora Diniz, do Departamento de Serviço Social da Universidade de Brasília (UnB), e financiado pelo Ministério da Justiça.

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