Ganância X ética: a encruzilhada da saúde no Brasil

“Enquanto nos demais estados temos 25% da população com plano de saúde, em São Paulo temos 60%, é a maior rede privada do Brasil”, explica Mario Scheffer, professor do Departamento de Medicina da USP e coordenador da pesquisa Demografia Médica no Brasil (2011). Essa expansão é perversa porque ela se apoia na venda dos planos baratos, “que não entregam o que prometem”, acusa Scheffer.

Hospitais particulares: máxima gentileza, mínima eficiência

Um amigo meu costumava fazer essa proposta brincalhona — “máxima gentileza, mínima eficiência” — quando deparava com clientes difíceis e mau-humorados na área em que atuava: comunicação. Dava certo e ninguém morria. Já em hospitais, pode ser perigoso adotar a mesma sistemática e, no entanto, foi isso que observei recentemente em uma saga que fiz por hospitais particulares.
É nítido o excelente treinamento dos funcionários, mas é triste perceber que ele encobre desde a dificuldade de atender à demanda – filas de pessoas que assustam com suas fisionomias desconsoladas– até a incompetência no diagnóstico.

Overdose de pragmatismo

“Saúde não dá voto, mas tira” é um dos bordões prediletos de candidatos a cargos eletivos majoritários. Entender, por alto, o que isso quer dizer é relativamente fácil. Investimentos na saúde resultam em baixo rendimento eleitoral porque a melhora das condições assistenciais estimula novas insatisfações. Difícil é botar uma campanha na rua que ignore as pesquisas indicativas das crescentes preocupações com saúde (9% em 2002, 26% em 2006 e 37% em 2012) e seu papel de campeã invicta das prioridades apontadas pelos brasileiros.

As tentativas de conciliar intuição e expertise política com evidências extraídas de investigações quantitativas e qualitativas, especialmente encomendadas para avaliar as expectativas dos eleitores, aproximam as propostas de diferentes candidatos para o futuro da saúde nas cidades. Nas eleições anteriores, os programas para saúde consistiram na reiteração de compromissos e demonstrações de atitudes enérgicas de vontade para fazer mais, melhor ou regulamentar o que já existia.

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