Chesnais: ‘Estamos navegando em águas nunca dantes navegadas’
“Em nível mundial, não se avista nenhuma “saída da crise” num horizonte temporal previsível. Assim como eu, outros já explicaram a necessidade inevitável, absoluta, de preparar-se para a perspectiva de uma grande quebra financeira e para tomar os bancos. Outro mundo é possível, certamente, mas não se poderá desenhá-lo senão na medida em que a ação abra caminho ao pensamento, o qual, mais do que nunca, não pode ser senão coletivo. No Século XVI, os navegantes ingleses forjaram a expressão “uncharted Waters”: águas nunca dantes navegadas, para as quais não havia carta náutica nem mapa algum. Hoje estamos nesta situação”.
Núcleo do Cebes realiza segundo debate do ciclo “Por uma Saúde do Tamanho de Campinas” na próxima segunda-feira.
Um dos fatores que mais influenciam na opção das pessoas pelos planos de saúde é a ilusão de que, neles, se pode escapar da temida “Fila do SUS”. A insegurança gerada pela demora em conseguir uma simples consulta na atenção básica, em conseguir um atendimento de urgência ou uma vaga em hospitais, especialidades e exames certamente é um fator decisivo para que a saúde seja apontada, em todas as pesquisas, como o tema que mais preocupa os eleitores e cidadãos brasileiros.
Em Campinas, em meio ao caos e desmonte progressivo de nossa rede que presenciamos nos últimos anos, os números são impressionantes: existem Centros de Saúde que estão marcando consultas apenas para o ano que vem! Chega-se a esperar mais de 10h nos PA’s por um atendimento médico. Uma consulta no oftalmologista para exame do grau de refração não demora menos que 1 ano. Existem usuários esperando desde 2010 por uma consulta com nutricionista, desde 2009 na cirurgia vascular e desde 2008 (!!) na fisioterapia. Exames relativamente simples, como ecocardiograma, chegam a demorar mais de 1 ano para serem marcados…
A médica obstetra Melania Amorim repudia resolução 266 do CREMERJ
Como médica-obstetra, cidadã e ativista do Movimento pela Humanização do Parto e Nascimento no Brasil, venho tornar público o meu repúdio à resolução 266/12 do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (CREMERJ), que veta a presença de doulas, obstetrizes e parteiras em partos hospitalares.
Com essa resolução arbitrária e que não se justifica a partir da série de “considerandos” com que o CREMERJ inicia o seu texto, esse Conselho demonstra uma lamentável falta de conhecimento de todas as evidências científicas correntemente disponíveis pertinentes à importância das obstetrizes e doulas em um modelo de assistência obstétrica humanizado e centrado na mulher. Mais ainda, vai contra as diretrizes do Ministério da Saúde e a Política Nacional de Humanização da Saúde.
São Paulo é o único estado que não investe no SAMU/192
Quem já precisou de socorro para alguém em casa, via pública ou local de trabalho, sabe o alívio que dá quando liga para o 192 e a ambulância do SAMU chega ao local. Afinal, são equipes treinadas para lidar com emergências e alguns minutos podem fazer a diferença entre a vida e a morte ou mais seqüelas.
Ausência de princípios
Numa eleição municipal primam os problemas que os munícipes encontram em sua vida cotidiana. Questões ideológicas são relegadas a segundo plano, pois estão muito mais preocupados com a limpeza e a pontualidade dos transportes públicos, com a segurança ao chegar em casa, com os postos de saúde, com a educação das crianças, para apenas listar alguns dos problemas mais prementes.
Depois de uma jornada de trabalho, chegando em casa o(a) trabalhador(a) está mais preocupado(a) com seu cansaço, sua integridade física, o atendimento dos seus. O amanhã, entendido como o dia seguinte, ocupa todas as suas atenções, tendo como horizonte sua renda e/ou seu salário no fim do mês. Muitas vezes essa parte da população nem tempo tem de se informar sobre questões políticas. Procura descansar, seja dormindo, seja buscando um entretenimento qualquer.
Rio + 20, consenso geral e lentidão política
Assistindo ao evento Rio + 20, de longe e pelas lentes da mídia, a vontade geral dos manifestantes, inclusive de alguns chefes de Estado de países mais pobres que estão em luta pelo desenvolvimento democrático que integra a participação popular, foi unânime pela criação de ações imediatas de defesa da natureza e das populações mais carentes. Por Zillah Branco
Uma grande conquista conceitual foi incorporar a proteção dos recursos naturais à da integridade da humanidade que paga com a própria vida os desmandos de uma elite predatória.
