Emir Sader: O dedo do Lula

A sociedade brasileira teve sempre a discriminação como um dos seus pilares. A escravidão, que desqualificava, ao mesmo tempo, os negros e o trabalho – atividade de uma raça considerada inferior – foi constitutiva do Brasil, como economia, como estratificação social e como ideologia.
Uma sociedade que nunca foi majoritariamente branca, teve sempre como ideologia dominante a da elite branca, Sempre presidiram o país, ocuparam os cargos mais importantes nas FFAA, nos bancos, nos ministérios, na direção das grandes empresas, na mídia, na direção dos clubes – em todos os lugares em que se concentra o poder na sociedade, estiveram sempre os brancos.

A Reforma do Código Penal e o Aborto

A reforma do Código Penal de 1940 é acompanhada com grande expectativa por parte das feministas por estar incorporado a descriminalização do aborto, tema polêmico resultado da hipocrisia que ignora a realidade cruel especialmente das mulheres pobres e negras, marginalizadas e abandonadas a própria sorte diante de uma gravidez indesejada, muitas vezes não assumida pelo parceiro, ou por não considerar o momento próprio para mais um filho.

Apesar do apelo da ONU, rascunho da Rio+20 empaca em detalhes

Em NY, diplomatas passam o dia incluindo emendas e apontando divergências
De nada adiantaram os apelos do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e dos dirigentes da Rio+20. Ontem, no início da última rodada de negociações em Nova York, a três semanas da conferência do desenvolvimento sustentável, os delegados dos 193 países-membros retomaram o minucioso trabalho de discutir palavra por palavra as 80 páginas do texto-base do documento a ser votado no Rio. Na abertura da sessão da tarde, o secretário-geral pediu pressa:
– O tempo está acabando. Não é razoável deixar tudo para os líderes resolverem no Rio em três dias. Aqui e agora temos a última oportunidade de garantir o resultado desejado.

Depois dos aeroportos, que tal o saneamento básico?

As autoridades governamentais decidiram introduzir o capital privado em uma das últimas fronteiras do setor de infraestrutura brasileiro: o aeroportuário. Em fevereiro, empresas privadas, nacionais e estrangeiras, surpreenderam o governo federal e arremataram a concessão para investir e operar em três dos principais aeroportos brasileiros: Campinas, Guarulhos e Brasília. As responsabilidades dos vencedores não serão poucas. Ao longo do período de concessão, terão de pagar, juntos, R$ 24,5 bilhões em outorgas, investir mais R$ 16 bilhões e criar uma nova cultural empresarial ao lado de uma empresa estatal que manterá participação de 49% das futuras concessionárias.

O despertar das ONGS

Adubadas na ECO 92, organizações chegam à Rio+20 na condição de legítimas porta-vozes da sociedade civil
A Eco 92 entrou para a história pela proeza de reunir representantes de 172 países, sendo que 108 deles eram chefes de Estado. Além disso, produziu documentos importantes como a Agenda 21, texto fundamental com as estratégias que devem ser adotadas pelos países interessados em desenvolvimento sustentável. Mostrou ainda uma vocação brasileira para liderar a discussão ambiental. Além desses resultados concretos, a Eco 92 foi marcante por outro motivo: popularizou temas ligados a ecologia e sustentabilidade e abriu espaço para que entidades da sociedade civil participassem mais das negociações entre os governos. Com isso, fertilizou o terreno para que as ONGs (organizações não governamentais) ambientalistas florescessem.

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