Os riscos do modelo ‘One Health’ à soberania do SUS
A abordagem de Saúde Única tem sido apresentada como solução integrada para os desafios globais em saúde, ambiente e produção de alimentos. Mas que interesses estão por trás dessa narrativa? E quais projetos de sociedade ela sustenta?
No artigo “One Health como disputa de hegemonia: uma resposta na perspectiva da Saúde Coletiva” publicado no SciELO, Lia Giraldo da Silva Augusto, Heleno Rodrigues Corrêa Filho, Carlos Fidelis Ponte, Anamaria Testa Tambellini, Marcelo Firpo Porto, Karen Friedrich e Ana Maria Costa analisam a abordagem “One Health” (Uma Só Saúde) como uma disputa de hegemonia no Brasil. O estudo (no prelo) afirma que o modelo atende a acordos multilaterais e interesses corporativos, contradizendo a determinação social da saúde, pilar da Reforma Sanitária e da Constituição de 1988.
A crítica central dos autores é o foco na tríade biomédica (agente-hospedeiro-ambiente), considerada simplista por ignorar a espoliação da natureza, dos corpos e a precarização do trabalho.
Os autores denunciam que a implementação da One Health em 2024 ocorreu de forma centralizada e “insidiosa”, excluindo os Conselhos Nacionais de Saúde (CNS) e do Meio Ambiente (CONAMA), além da sociedade civil e pesquisadores da Saúde Coletiva, de decisões estratégicas. O texto vincula a ascensão dessa abordagem a interesses do agronegócio e à influência histórica das fundações filantrópicas dos EUA, apontando-a como uma fórmula estrangeira que ameaça a soberania nacional.
Segundo os pesquisadores, o modelo falha diante da complexidade do colapso ecológico e das mudanças climáticas por oferecer apenas respostas funcionalistas e lineares. Eles concluem que fortalecer o SUS público e integral é a única via para garantir a justiça sanitária, a democracia e a proteção ambiental efetiva.
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