Pré-congresso da ALAMES terá dia intenso de formação, articulação e resistência na UERJ

Oficinas, rodas de conversa e minicursos marcarão o início do XVIII Congresso da ALAMES, com mais de 60 atividades abertas que colocam a saúde coletiva latino-americana em foco na próxima segunda-feira, 4 de agosto

Na próxima segunda-feira, 4 de agosto, terá início o pré-congresso do XVIII Congresso da Associação Latino-Americana de Medicina Social e Saúde Coletiva (ALAMES). Das 8h às 18h, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) receberá  uma programação diversa e pulsante, reunindo profissionais de saúde, pesquisadores, estudantes, gestores e movimentos sociais de toda a América Latina.

São atividades de acesso gratuito ainda e as inscrições ainda estão abertas através do site oficial do Congresso.

Manhã de oficinas críticas e intercâmbio de saberes

A manhã começará com uma forte presença de atividades voltadas à crítica estrutural dos sistemas de saúde e das desigualdades regionais. A oficina “A política social do Estado dependente brasileiro”, promovida pelo Grupo SEM do IMS/UERJ, aprofundará o debate sobre a Teoria Marxista da Dependência e seus desdobramentos na política social brasileira. Na mesma linha, o curso sobre os “Limites Estruturais do SUS” abordará como a inserção periférica do Brasil no capitalismo global condiciona as políticas públicas de saúde.

O pensamento crítico também estará presente nas rodas de conversa com movimentos sociais, que discutirão estratégias de resistência frente à mercantilização da saúde, e na oficina sobre tecnologias aplicadas em territórios desassistidos, que apresentará soluções como drones e inteligência artificial geoespacial para enfrentar desigualdades no acesso à atenção primária.

Outros destaques incluirão o minicurso de Pesquisa Militante em Saúde, a oficina “Escrever é um ato de resistência”, que propõe um olhar afetivo e político sobre a escrita científica, e a apresentação da estratégia equatoriana de combate à desnutrição crônica infantil. Também acontecerão intercâmbios de saberes entre territórios do Chile e do Brasil, oficinas sobre saúde mental nas favelas, ética profissional e cristã, integração de ações no combate às hepatites virais, abordagens contra a violência na APS e apresentações institucionais da RESP — Rede de Escolas de Saúde Pública da América Latina.

As temáticas transitarão ainda por racismo estrutural, saúde indígena, direito à saúde das mulheres, juventude, educação popular e geopolítica da saúde. A pluralidade de vozes e experiências expressará a potência da ALAMES como espaço de diálogo entre ciência crítica, práticas emancipatórias e mobilização social.

Tarde de encontros, redes e resistências

No turno da tarde, o pré-congresso seguirá com ainda mais força, reunindo dezenas de atividades simultâneas. O Encontro sobre Determinação Socioambiental do Processo Saúde-Doença mobilizará redes, movimentos, universidades e governos para refletir sobre os vínculos entre trabalho, ambiente e saúde, com previsão de elaboração de um manifesto estratégico coletivo.

A oficina sobre a desprivatização dos sistemas de saúde na América Latina também será um dos destaques, discutindo alternativas ao modelo neoliberal e caminhos para ampliar a esfera pública como garantia de direitos. Temas como branquitude, violência de gênero, direitos reprodutivos de adolescentes com deficiência, atenção especializada na Amazônia e mudanças climáticas nas cidades estarão em pauta em rodas de conversa, cursos e oficinas.

Propostas poéticas e sensoriais também estarão presentes: a prática “Casulo” convidará participantes para uma experiência coletiva de cuidado com o corpo e o território, enquanto a oficina “Poéticas das Saúdes” conectará literatura, estética e subjetividade como caminhos possíveis para reinventar o cuidado em saúde.

Na fronteira entre ciência, arte e ativismo, os debates também trarão à tona temas como a produção pública de medicamentos, a saúde bucal coletiva, a comunicação científica como estratégia de soberania na América Latina e Caribe, e a história da reforma sanitária no Brasil e na Itália.

Com mais de 60 atividades confirmadas para o primeiro dia, o pré-congresso da ALAMES promete ser um potente chamado à ação coletiva. A jornada de 4 de agosto reafirmará a saúde coletiva latino-americana como campo de disputas — e de esperanças —, onde ciência, afeto e política caminham juntos na defesa da vida.

A inscrição pode ser realizada através do site oficial. Clique aqui para saber mais. 

Texto: Fernanda Regina da Cunha/Cebes

Imagem: ALAMES – XVII Congresso – Buenos Aires