Violência Doméstica: Estudo aponta coerção reprodutiva e restrição de acesso à Saúde

Artigo publicado na Saúde em Debate investiga a saúde sexual e reprodutiva de mulheres em situação de violência conjugal

Pesquisa com mulheres em Salvador (BA), aponta coerção reprodutiva, restrição de acesso aos serviços de saúde, sexo inseguro e gestação indesejada, reforçando a necessidade de cuidado integral e intersetorial.

O que acontece com o direito de decidir sobre o próprio corpo quando o agressor controla a ida ao posto de saúde, o uso de anticoncepcionais e até o preservativo? Um artigo da revista Saúde em Debate (v. 49, n. 147) investiga como a violência conjugal impacta a saúde sexual e reprodutiva de mulheres acompanhadas pela Ronda Maria da Penha, em Salvador (BA).

O estudo, de abordagem qualitativa, entrevistou 17 mulheres entre dezembro de 2020 e julho de 2021, com coleta virtual e análise temática. A partir dos relatos, as autoras organizaram quatro eixos centrais: a contracepção como foco quase exclusivo do cuidado, a limitação do acesso aos serviços de saúde pelo parceiro, a exposição a sexo inseguro e a gestação indesejada, e a interrupção da gestação em contextos de violência conjugal.

Nos depoimentos, aparece com força a coerção reprodutiva: proibição de consultas, impedimento de obter anticoncepcionais, descarte de pílulas, recusa ou sabotagem do preservativo, e a necessidade de “dar um jeito” às escondidas para tentar preservar algum grau de autonomia. Essa dinâmica empurra mulheres para riscos adicionais, como IST, gravidezes não planejadas e maior vulnerabilidade dentro do próprio ciclo de violência.

A pesquisa também aponta episódios de interrupção da gestação sob coerção, descrita como parte do controle exercido pelo agressor e como mais uma violação de direitos, com impactos psicológicos relevantes

O artigo das pesquisadoras Geovanna Lima, Lilian de Almeida, Telmara Couto, Luana Campos, Auricélia Nunes, Priscila e Franceschini defende que a resposta do SUS e da rede de proteção precisa ir além do “método contraceptivo”: requer cuidado integral, capacitação de profissionais para identificar situações muitas vezes veladas e estratégias intersetoriais capazes de sustentar acolhimento, proteção e encaminhamentos efetivos.

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