Giovanni Berlinguer, grazie mille!

Giovanni Berlinguer, grazie mille!

Em homenagem ao médico, político, bioeticista, sanitarista e ambientalista italiano Giovanni Berlinguer, morto na noite de segunda-feira, 6 de abril, o Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (CEBES) presta sua homenagem póstuma reunindo, abaixo, depoimentos de sanitaristas, intelectuais e pesquisadores do campo da saúde coletiva.

Ana Maria Costa

Presidente do Cebes/Coordenadora geral da Alames

Giovanni Berlinguer foi um maestro da reforma sanitária brasileira e de toda a medicina social latino americana. Generoso e bem humorado, compartilhou conosco seu conhecimento, sua experiência e capacidade de reflexão política. Atendeu, enquanto pôde, aos nossos convites e o convívio era sempre produtivo e de grande prazer.

Ao se tornar um árduo defensor das causas humanas como um dos fundadores da moderna Bioética, era o Giovanni que sempre nos lembrava que se conquistamos mais anos de vida para os humanos, é hora de acrescentar mais vida aos anos conquistados!
E ele viveu uma vida plena, produtiva, comprometida e muito generosamente compartilhada com todos os alunos, amigos, companheiros e ativistas pelo direito universal à saúde. Nosso inspirado Giovanni nos dizia, “queremos saúde universal por que a doença é universal”. Simples e profundo assim.

Grazie mille, Giovanni. Grazie também por acolher de forma tão carinhosa a minha Ligiana na Itália e na familia. Grazie por acolher a todos nós latino-americanos e brasileiros, hoje um pouco órfãos, mas plenos da responsabilidade de prosseguir na luta e na defesa do seu legado!

 

Ministério da Saúde do Brasil

Nota de Pesar – Saúde lamenta morte do médico Giovanni Berlinguer

O Ministro da Saúde, Arthur Chioro, e os demais dirigentes do Ministério manifestam pesar pelo falecimento do médico italiano Giovanni Berlinguer, ocorrido nesta segunda-feira (06) em Roma. O profissional teve protagonismo na reforma sanitária italiana na década de 70, e influenciou a discussão no movimento sanitarista no Brasil e a consolidação das bases do Sistema Único de Saúde brasileiro.

Formado pela Universidade de Roma, especialista em Parasitologia, Giovanni Berlinguer é reconhecido pelo seu papel fundamental no debate sobre políticas de saúde, sobre o direito à saúde e sobre a bioética. Ajudou a popularizar a cultura científica e análise crítica dos sistemas de saúde.

O médico Giovanni Berlinguer foi um exemplo de dedicação à saúde pública, reconhecido como uma das maiores autoridades sobre tema no mundo, além de promover os conceitos de medicina social. Sua tragetória influenciou o movimento sanitário em diversos países.

Nas décadas de 70 e 80, foi eleito para cargos de deputado federal e senador na Itália. Nos anos seguintes, exerceu atividades como a chefia do primeiro Plano de Saúde (1992-1995) e a presidência da Comissão Nacional de Bioética (1999). Foi membro do Conselho Nacional de Saúde (1994-1996), membro do Comitê Internacional de Bioética da UNESCO (2001-2007) e da Comissão sobre Determinantes Sociais da Saúde da Organização Mundial da Saúde (2005-2008). Em 1999, recebeu os títulos de cidadão honorário de Brasília e de doutor honoris causa, da Universidade de Brasília (UnB).

 

Paulo Amarante, ex-presidente do Cebes

Giovanni Berlinguer é, certamente, uma das pessoas mais importantes no campo da saúde pública em nível internacional. Em parte por causa da sua participação no processo da reforma sanitária italiana, que foi uma das bases mais importantes para a formulação e aprovação, quase 10 anos depois, da lei do SUS, que foi inscrita na nossa Constituição de 1988. Mas, já por ocasião da aprovação da reforma italiana, o Cebes e seus militantes e intelectuais se basearam muito na lei que orientou a reforma italiana, que apresentava a questão democrática na saúde. Giovanni, deputado e um intelectual de esquerda, teve um papel fundamental na aprovação da lei da reforma sanitária na Itália. Ele também tem um papel importante na transformação das relações do campo da saúde, política, economia e sociedades. Também foi um reconceituador da ideia da determinação social da doença, antes muito restrita à ideia dos determinantes, e que Berlinguer ampliou a discussão para a questão da determinação social, colocando o modo de produção
capitalista, o modo de produção industrial e os agravos da saúde pela nova organização do capital e da indústria, etc. Giovanni é um paradigma no campo da saúde ocupacional, da saúde do trabalhador e da epidemiologia social como um todo. É uma referência obrigatória.

Para nós do CEBES, Giovanni Berlinguer tem ainda um papel bastante especial. Foi a primeira publicação de impacto do Cebes (o livro “Medicina e Política”), que o próprio Giovanni veio ao Brasil fazer o lançamento. É um marco para a saúde no Brasil, em que a saúde deixa de ser pensada meramente como doença, mas como um conjunto de relações com a economia, com a política, com a sociedade, com o Estado, como um todo.

Eu tenho uma gratidão muito grande por Giovanni Berlinguer ter participado de inúmeras atividades do Cebes no Brasil e, especialmente, por ele estar presente na minha eleição como presidente do CEBES, em 1996, no Centro de Convenções Ulisses Guimarães, em Brasília. Giovanni foi um amigo, uma referência paradigmática para o Cebes, para o Brasil e para a saúde púbica em nível internacional.

 

Reinaldo Guimarães

Honra à memória de um gigante

Morreu ontem à noite em Roma aos 90 anos o médico, político, bioeticista, escritor, sanitarista e ambientalista Giovanni Berlinguer. Nascido em Sassari em 1924, era irmão de Enrico Berlinguer, último destacado líder do Partido Comunista Italiano (PCI). Enquanto estudante de medicina foi presidente da União Internacional dos Estudantes (1949-1953). Desde o início dos anos 1950, ao lado do irmão, foi uma das grandes personalidades do PCI. Entre 1965 e a dissolução do partido (2007) foi membro de seu Comitê Central.

Giovanni foi deputado por três legislaturas entre 1972 e 1979 e em 1983 foi eleito Deputado da República Italiana, reeleito em 1987. Em maio de 2009 foi eleito deputado do Parlamento Europeu fazendo parte da bancada do Partido Socialista Europeu.

Foi um personagem de primeiro plano no ambiente cultural italiano, tendo iniciado sua contribuição intelectual no campo da saúde pública e, posteriormente, inclinando-se para a bioética e os desafios ambientais. Escreveu dezenas de artigos e livros, muitos dos quais estão traduzidos ao português. Em 1999 recebeu a Grã-Cruz da Ordem do Mérito da República Italiana e em 2001 recebeu a Medalha de Ouro da Ordem dos Beneméritos da Cultura e da Arte Italianas.

Foi um amigo do Brasil e grande admirador do Sistema Único de Saúde. Desde o início da década de 80 esteve entre nós inúmeras vezes, tendo participado de vários congressos da Abrasco e de reuniões do CEBES. Foi um permanente inspirador dos sanitaristas brasileiros envolvidos no processo da Reforma Sanitária do final do século passado. Recebeu brasileiros na Itália para estudos, tendo hospedado mais de um em sua residência em Roma. Estabeleceu uma relação de estreita amizade com David Capistrano da Silva Filho, entre outros.

No meio da tragédia Berlusconiana em que a Itália afundava, Giovanni sobrenadou, mantendo alta a cultura e a política em seu país. Foi uma figura gigantesca.

 

Asa Cristina Laurell

La triste noticia de la muerte de Giovanni me hace recordar con profundo respeto y afecto, a este intelectual orgánico, dirigente político, diputado, senador, hacedor de la Reforma Sanitaria, escritor, investigador, maestro de todos nosotros. Y como si fuera poco, era navegante, ciclista, carpintero y se defendía como cocinero. Era un ser humano muy completo.

Tuve el privilegio de discutir con él muchos y variados temas como el Compromiso Histórico, la epistemología del Modelo Obrero Italiana, el camino para derrotar la mafia, las dificultades de la Reforma Sanitaria y la corrupción en la política italiana. En todos los casos tenía una visión profunda e informada, crítica con una continua búsqueda para corregir errores y trazar nuevos caminos.

Su formación como dirigente en el Partido Comunista Italiano –con sus decenas de miles de células de base donde los militancia discutía con solidez todo, desde las estrategias sindicales hasta complejos problemas de política internacional, y con una intelectualidad creativa e innovadora –se reflejaba en la amplitud de sus preocupaciones. La ciencia, la educación, la salud, los proceso de trabajo, la ética son terrenos donde incursionó con mucha profundidad.

Los seres como Giovanni no mueren, siguen vivos en su legado y con su ejemplo.

 

Volnei Garrafa, ex-presidente do CEBES

“Giovanni Berlinguer está entre os mais respeitados sanitaristas e bioeticistas dos últimos 50 anos. Com forte vínculo acadêmico, político e afetivo com o Brasil, segundo palavras de Sérgio Arouca, saudoso ex-deputado e ex-presidente da Fundação Oswaldo Cruz, foi o principal mentor intelectual da Reforma Sanitária Brasileira, traduzida pelos princípios norteadores do Sistema Único de Saúde (SUS) e materializados na Constituição de 1988.

Nos ásperos tempos da ditadura militar, os livros de Giovanni Berlinguer eram lidos às escondidas, passando cuidadosamente de mão em mão. Mais recentemente, no início dos anso 1990, mudou-se com armas e bagagens do campo da saúde pública para a bioética, sem deixar de manter os olhos voltados para as questões ideológicas, sanitárias e coletivas que nortearam toda sua longa vida pública

Sua vasta produção científica chega a quase 50 obras, uma dúzia dela traduzidas para o português, entre as quais se destacam Medicina e Política (1978), A Saúde nas Fábricas (1983), Reforma Sanitária – Brasil e Itália (1988), A Doença (1988), Minhas Pulgas (1991) e Mercado humano (Editora Universidade de Brasília, 1996 e 2001/2º edição, em parceria com Volnei Garrafa).

Bioética cotidiana, traduzido primorosamente por Lavínia Bozzo Aguilar Porciúncula, cuja 1ª. edição foi lançada pela Editora Universidade de Brasília em 2004 e agora recebe sua 2ª edição, fecha um ciclo iniciado com outras duas memoráveis produções: Questões de vida – ética, ciência e saúde” (1991) e Ética da saúde (1995).

Berlinguer nasceu em junho de 1924, em Sassari, na ilha italiana da Sardenha, filho de um notável advogado defensor dos direitos humanos que fez parte da resistência italiana na primeira metade do século 20, principalmente durante as duas grandes guerras mundiais. Iniciou sua carreira acadêmica como professor de medicina social na universidade local, atividade que desenvolveu até 1974, quando assumiu a cátedra de Saúde do Trabalho na Universidade La Sapienza, em Roma, onde permaneceu até a aposentadoria, em 1999. É até hoje um dos Presidentes de Honra do Comitê Nacional Italiano de Bioética, tendo atuado por vários anos no Comitê Internacional de Bioética da Unesco. Completou 90 anos de idade no último dia 9 de julho, dez anos após ter sido eleito com impressionante votação, como deputado italiano junto ao Parlamento Europeu. Anteriormente já havia ocupado a cadeira de deputado por três legislaturas (1972-83) e senador em outras duas (1983-92), sempre pelo seu velho e amado PCI – Partido Comunista Italiano – do qual seu saudoso irmão, Enrico Berlinguer, foi Secretário Geral por vários anos.

Um de seus maiores feitos no parlamento foi a relatoria da “Lei do Aborto” que, por ter sido aprovada na Itália, país fortemente católico, chamou a atenção da imprensa mundial pela autoridade moral, competência e habilidade com que foi conduzido

Berlinguer conheceu o Brasil em 1951, quando visitou o país como diretor da Associação Internacional de Estudantes, tendo participado de diversas manifestações e reuniões com universitários brasileiros pertencentes à União Nacional de Estudantes (UNE) no antigo “Calabouço”, no Rio de Janeiro. Na ocasião, foi ameaçado de expulsão do país pelo deputado direitista Carlos Lacerda, que o acusou de ser um perigoso “espião russo”. Com seu costumeiro bom humor e tino político aguçado, ao receber o título de Cidadão Honorário de Brasília, em 1999, relatou o fato, agradecendo à médica e então deputada Maria José Maninha, executora da proposta, por lhe proporcionar a segurança de que, a partir de então, não mais poderia sofrer qualquer “tentativa de expulsão do Brasil”. Naquele mesmo ano recebeu da UnB o título de Doutor Honoris Causa, título com o qual já havia sido anteriormente agraciado nas universidades de Montreal (Canadá) e Havana (Cuba).

No final de 2002 voltou a Brasília para proferir a conferência “Bioética, Poder e Injustiça”, que abriu o Sexto Congresso Mundial organizado pela International Association of Bioethics e pela Sociedade Brasileira de Bioética, o maior evento até hoje realizado no planeta sobre a especialidade, com a participação de mais de 1.400 pesquisadores provenientes de 62 países dos cinco continentes. Em janeiro de 2002 feio ao Brasil uma vez mais como convidado especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para participar da sua posse como representante da Central Geral Italiana de Trabalhadores (CGIL), à qual esteve ligado por quase toda a vida.”

 

Trecho do prefácio do livro “Bioética Cotidiana “, de Giovanni Berlinguer, que será lançado na próxima semana pela editora Editora da Universidade de Brasília (EDUnB). O Prefacio da obra é de Volnei Garrafa.

 

Fernando Hellmann

Fiz mestrado e doutorado em Saúde Coletiva, na linha de pesquisa Bioética. Os livros de Bioética do Prof. Giovanni Berlinguer foram os primeiros que li. A Profa. Marta Verdi, que foi minha orientadora, havia feito seu doutorado sanduíche com o Prof. Giovanni Berlinguer, e foi ai que conheci sua vida e obra. O Professor Berlinguer influenciou a vida de muitos bioeticistas brasileiros, como a minha, a da minha orientadora, e do Prof. Volnei Garrafa, da UnB.  Mas não apenas na área da bioética, como também o movimento da Reforma Sanitária no Brasil teve influência enorme deste ilustre professor.

 

Sonia Fleury, ex-presidenta do CEBES

GIOVANNI BERLINGUER: PRESENTE!

A notícia do falecimento do companheiro, amigo do CEBES e dos latino-americanos, nos pegou de surpresa. Uma surpresa encapsulada de tristeza e muitas saudades e de uma sensação de que poderíamos ter despedido dele e da sua musa Giulliana antes que partissem.

Giovanni foi sempre uma inspiração e uma fonte de sabedoria e experiência para todos nós que tivemos o privilégio de compartilhar com ele o desenvolvimento da saúde coletiva na América Latina e da Reforma Sanitária no Brasil. Ainda na ditadura sua primeira vinda ao Brasil representou um apoio inestimável à consolidação do Cebes, o que se repetiria em anos seguintes. Nos inspiramos e aprendemos com suas análises rigorosas da “Saúde nas Fábricas” e da “Medicina do Trabalho” além das comparações entre os processos das “Reformas Sanitárias na Itália e no Brasil” (todos eles títulos de livros seus publicados no Brasil). Mas também nos deleitamos com o humor e rigor acadêmico em seu livro “Minha Pulgas” e com as suas brilhantes conferências tão rigorosamente trabalhadas que apresentou em inúmeras oportunidades nos encontros da ABRASCO e da ALAMES.

Mas o que mais marcou nossa convivência foram o homem e sua grandiosa visão humanística. Tão grandiosa quanto generosa, pois nos fazia sentir igualados a aquele que nos superava em saber e experiência política, pois, com seu sorriso amplo e olhar límpido nos elevava a sua estatura política e intelectual. Sua coerência política ficou marcada na carta em que enviou a alguns companheiros e companheiras em todo o mundo, explicando porque renunciava a vida parlamentar, pois acreditava que a democracia requeria renovação dos políticos. Sua capacidade de transcender visões esquemáticas e preconceituosas o aproximou de católicos e fieis de todos os credos, na busca de uma ética na saúde e na política. Respeitado por comunistas e católicos, ele foi o relator da lei que permitiu o aborto na Itália, alegando que o que defendia era a vida, tanto da mãe como do feto, já que o Estado apoiaria as mães em momento de decisão tão difícil, em que uma mulher muitas vezes se sente desamparada.

A convivência com ele e Giulliana me permitiu desfrutar de uma linda intimidade, conhecendo sua arte em marcenaria e o manequim de costura de sua mulher na casa da Visa San Giácomo, cheia de livros e quadros de artistas que o admiravam. Ambos já famosos, ele como intelectual e parlamentar e Giuliana com seus romances e livros, preferiam hospedar-se na casa de amigos que em hotéis. Algumas vezes saí da minha cama para hospedá-los e retribuir o carinho com trataram sempre a mim e a minha filha, para quem o Senador cozinhara uma pasta.

Uma vez fizemos um seminário no NUPES e depois de dois ou três dias de discussão fomos encerrar o trabalho e comemorar em um pequeno apartamento que eu tinha na região litorânea de Niterói, que encantou o Giovanni, homem do mar da Sardenha. Na ocasião ele tinha um problema na perna e por isso colocou o pé em cima da mesinha da pequena sala, todo o grupo de pesquisa ao seu redor, enquanto o filho da Ligia Giovanella passava por baixo de suas pernas. Ríamos, bebíamos e conversávamos descontraídos a tal ponto que o Berlinguer comentou: Sonia, é a primeira vez que você me parece normal. Naquele momento, ele tinha encontrado alguma humanidade em mim também.

Adeus amigo querido,

 

Amélia Cohn

ADEUS, QUERIDO BERLINGUER

Todos nós da comunidade sanitária brasileira (e internacional) e a construção do SUS no Brasil devemos muito ao querido Giovanni Berlinguer. Assíduo frequentador de nossos eventos durante o movimento da reforma sanitária, sempre com sua simpatia, bom humor, sabedoria e sensatez, nos deu força e novas energias para seguirmos lutando pela saúde como um direito de todos os brasileiros.

Giovanni estava sempre disposto a participar dos nossos eventos, reconhecido por toda a comunidade sanitária independentemente das forças políticas ali presentes, graças à sua clareza e perseverança de pensamento, sempre com paixão nos chamando à razão.

Mas quero salientar um outro lado de Giovanni, de como ele deixa outras heranças em outras tantas áreas e gerações, que reproduzem sua correção política e sua intransigência na defesa do bem público e da justiça social.

Na década de 90, convidado pelo Instituto de Estudos Avançados da USP, ele aqui permanece por mais ou menos dois meses, hospedado no Conjunto Residencial da USP, na cidade universitária, em condições nada hospitaleiras. Lá ficava incomunicável às noites e nos finais de semana.

Eis que num domingo passo de manhã para pegá-lo deixando lá um vaso de flores para colocar no seu apartamento, já que Giuliana, sua eterna paixão, iria chegar no dia seguinte. Pelo menos, já que as instalações eram horríveis, que houvesse uma boa acolhida para sua amada.

De lá fomos ver um show na própria cidade universitária (naquela época havia muitos e bons), depois fomos a um café expresso na Cidade Jardim, onde pode comprar seus jornais internacionais, e fomos para minha casa. Um sobradinho, o marido Gabriel, meus filhos Clarice e Sergio, ambos muito jovens, embora não mais adolescentes, e dois cachorros. Sem empregada, fiz caipirinha, ele se sentou na mesa da cozinha enquanto eu fazia o almoço.

Almoçamos longamente, ele tirou os sapatos e disse “sinal de que me sinto em casa e de quero voltar a vê-los aqui”. Conversamos muito, sobre suas experiências de vida, política, saúde, cultura, entre tantos assuntos. Foi descansar depois do almoço, lanchamos, e à noite eu e Gabriel fomos levá-lo de volta ao CRUSP.

Quando chegamos em casa Clarice, hoje já uma antropóloga com doutorado e professora universitária e defensora intransigente dos direitos indígenas, nos diz que enquanto estávamos fora ela estava pensando porquê havia escolhido fazer Ciências Sociais, afinal seus pais eram dessa especialidade. E que todos lhe diziam que havia feito essa escolha por causa dos pais, mas que ela não sentia isso.

Então saiu-se com esta: “agora entendi o porquê – vejam quem frequenta nossa casa e eu e Sergio temos o privilégio de conviver de forma íntima desde nossa infância”; e cita uma série de amigos nossos. E termina: “nunca passei um dia assim, com uma pessoa tão culta, tão experiente, tão simpática e forte. É isso que me fez escolher ser cientista social”. E Sergio conclui: “e eu poeta, amante da literatura e dos livros”.

Portanto a generosidade de Berlinguer vai muito além da sua militância. Esta se inclui no seu modo de ser, e sou-lhe grata porque ajudou a mim e ao Gabriel a criarmos figuras generosas e comprometidas com o bem público, com a justiça social e com a capacidade de olhar e reconhecer o outro. Mas não só nossos filhos. Da última vez que nos encontramos, em Majorca, estava feliz porque estava viajando toda a Itália para formar jovens, mas frisava – sem formatá-los, pois isso era absolutamente contra seus princípios!

Ele segue presente nas novas gerações, nos nossos corações, em muitas das reformas da saúde pelo mundo afora, embora sem ele este tenha se apequenado.

 

Saúl Franco

Siento un profundo dolor por esta nueva e inmensa pérdida. Me uno a las sentidas y acertadas expresiones de Vicente, Mauricio, Sonia, Caty y los demás compañeros. Para la Iahp y para Alames Giovanni fue una piedra angular, un luchador y un inspirador. Para mí, además, por una suerte inmerecida, un sabio maestro y consejero, un ejemplo admirable y un amigo entrañable durante 35 años. En su memoria seguiré firme trabajando por las ideas y las causas que nos enseñó con sencillez, que defendió con pasión y que compartimos con la alegría de su buen humor en tantos países y escenarios académicos, políticos, organizativos y de camaradería. Un abrazo a Giuliana y su familia. Un abrazo a todos los amigos/as de la Iahp y de Alames. Gracias para siempre a Giovanni. Y gracias a la vida por Giovanni.

 

Mauricio Torres-Tovar (Colombia)

A la memoria de Giovanni Berlinguer

Supe de Giovanni en los años 90 cuando sus pensamientos y escritos fueron referenciados por la medicina social latinoamericana y de manera particular por la Asociación Latinoamericana de Medicina Social – ALAMES, red que él ayudo a construir y a tejer, como tantas otras, incluida la Asociación Internacional de Políticas de Salud.

Pero fue en el marco de la dinámica de la Comisión de Determinantes Sociales de la Salud donde tuve el privilegio de conocer y compartir directamente con Giovanni.

Lo que más impresionó de él fue su enorme sencillez y diría dulzura en el trato con uno, con la gente, a pesar de su enorme capacidad intelectual, a pesar del gran reconocimiento internacional que él tenía. Era claro que para Giovanni el pensamiento comunista se conjugaba con una enorme actitud humanista, una enorme actitud ética en la vida cotidiana.

Una sencillez igualmente en las maneras para tratar que sus ideas, sus planteamientos fueran entendidos. Y a pesar de su clara postura ideológica y política, el respeto y valoración de las ideas de quienes disentían de las de él.

Tuvimos el privilegio en Colombia de tenerlo en el Congreso Internacional de Salud Pública organizado por la Facultad Nacional de Salud Pública de la Universidad de Antioquia y allí además de la estupenda conferencia que realizo haciendo sus planteamientos en torno a la visión de los determinantes sociales de la salud, lo que más me impresionó fue que cuando hubo un receso para tomar café, las personas anfitrionas de Medellín quisieron ofrecerle uno y había una enorme fila para comprarlo y le dijeron que se podía adelantar y el no admitió eso, reflejando con ese gesto el respeto por las personas y sus profundas convicciones ética llevadas a la praxis.

Físicamente se va un ser muy valioso para muchos y muchas, un ser humano integro, que aportó con sus ideas, con sus posturas, con sus convicciones, con sus acciones, con sus ejemplos éticos.

Le doy gracias a la vida por haber tenido la fortuna de compartir con el maestro Giovanni Berlinguer. Conservaré en mi profundamente los lindos recuerdos y las ideas que me transmitió, para seguir insistiendo en que es posible construir otro tipo de relaciones humanas, otro tipo de sociedades con justicia y valores éticos como lo promovió Giovanni.

Nos queda su legado intelectual, su historia de vida, su ejemplo de compromiso para seguir construyendo un mundo profundamente ético como el que Giovanni ayudaba a construir diariamente.

Mi enorme cariño para la familia de Giovanni y para la gran familia de la medicina social en el mundo que él ayudo a configurar.

 

José Noronha

Berlinguer atravessou o Grande Rio

Os traços de Giovanni Berlinguer são encontradiços nas rotas percorridas pelos movimentos reformistas no campo da saúde a partir do último quarto do século passado. Reformistas que compreendiam, e compreendem, as relações profundas entre o adoecer das gentes e as estruturas políticas, econômicas e sociais nas quais vivem e se reproduzem. Traços na agudeza da intuição e prospecção teórica e analítica, na reflexão recorrente sobre a História como necessidade para pensar o presente e projetar o futuro, no deslumbramento da aventura da Ciência dos Homens, na reiteração dos princípios do que fazer da ética, na ação política permanente de um mundo mais livre, justo e de fartura.

Estávamos, brasileiros, incluídos em seus amores, e não foram poucos os que desfrutaram de seu convívio e experimentaram de perto os lampejos de sua inteligência, coragem, combatividade e rigor epistemológico. A Reforma Sanitária Brasileira muito deve à sua força inspiradora. O pensamento crítico e a militância transformadora a seu vigor intelectual. Nossa fome de justiça à sua sede insaciável. Seus livros continuarão vivos a aguçar a saudade de quem o conheceu e deslumbrar os que se iniciam e os que prosseguem na luta por um mundo sem pobreza, livre, justo e, inspirado em um dos seus últimos escritos, seguro e sem medos. E que garanta às gerações futuras um ambiente natural e saudável.

 

Nísia Trindade Lima

O legado de Giovanni Berlinguer: saúde e democracia como valores universais

A construção da saúde coletiva no Brasil foi o ponto de convergência de movimentos políticos diversos, todos com forte participação de intelectuais públicos.  Entre eles, destacou-se o médico sanitarista, político e humanista italiano Giovanni Berlinguer, a quem devemos a compreensão da saúde como um valor universal e uma fonte permanente de inspiração para o movimento da reforma sanitária. Homenageá-lo nesse momento de luto só ganha significado, portanto, se o seu legado de compromisso com a vida, os direitos humanos e a ética continuar a nos inspirar.

Nascido em Sassari, no norte da Sardenha, em 1924, Giovanni Berlinguer viveu da infância à juventude em uma Itália marcada pelas duas grandes guerras e pela experiência dramática da ascensão do fascismo. Graduado em medicina pela Universidade de Roma, retornou à Sardenha onde se tornou professor da Universidade de Sassari e defendeu livre docência em Medicina Social. Em 1974 assumiu a cátedra de Saúde do Trabalho na Universidade La Sapienza, em Roma, instituição da qual se aposentou em 1999. Sua intensa carreira acadêmica desenvolveu-se em paralelo à militância política, tendo sido eleito deputado pelo Partido Comunista Italiano em três períodos legislativos, de 1972 a 1983. Nesse último ano elegeu-se senador, cargo que exerceu em sucessivos mandatos até 1992.  A experiência parlamentar seria retomada de 2004 a 2007, período para o qual foi eleito deputado italiano junto ao Parlamento Europeu.

De forma coerente à orientação internacionalista de sua atuação política, acompanhou, nas décadas de 1970 e 1980, o debate em torno da medicina social na América Latina e, especialmente, o movimento pela reforma sanitária no Brasil. Defensor de novas bases para uma consciência sanitária e atento às relações entre a saúde, a medicina e o mundo do trabalho, manteve forte relação com o Cebes e a Abrasco e com as principais lideranças da saúde coletiva. O diálogo em torno de suas ideias esteve presente no debate teórico e político que antecedeu a aprovação do capítulo sobre saúde na Constituição de 1988 e a criação do SUS. Nesse mesmo contexto foram publicados pelo Cebes, em co-edição com a Hucitec, os livros Reforma Sanitária – Itália e Brasil (1988), em co-autoria com Sônia Fleury e Gastão Wagner Campos, e O que é afinal a doença?(1988). Nessas obras, a profunda relação entre saúde e democracia e a defesa de ambas como valores universais constituem idéias força do debate sobre a reforma sanitária e a dimensão coletiva do processo de adoecimento.

A partir da década de 1990, Giovanni Berlinguer passou a se dedicar à Bioética, imprimindo a essa área sua marca intelectual e política ao formular questões próprias ao mundo do trabalho, ao direito das novas gerações, à regulação do mercado e à oposição à mercantilização da vida.   Desses temas tratam os livros Questões de Vida — Ética, Ciência e Saúde (1991); Ética da Saúde (1995), O Mercado Humano (1996 e 2001 – a segunda edição feita em parceria com Volnei Garrafa) e Bioética Cotidiana (2004).

Personalidade inclinada ao importante exercício da auto reflexão e crítica, Berlinguer ao discorrer nos últimos anos sobre os diferentes períodos de sua produção intelectual, afirmava a necessidade de se evitarem explicações monocausais, quer a aposta em intervenções da biomedicina sobre a vida e a saúde, quer a defesa exclusiva do enfoque das condições de determinação social.  Este foi o tom de sua conferência Causas sociais e implicação moral das doenças ao receber, em abril de 2007, o título de Doutor Honoris Causa pela Fiocruz.  Na mesma ocasião, concedeu entrevista na qual deixou uma mensagem que resume sua visão política sobre os desafios colocados para as novas gerações. Não existe ética sem a garantia do direito à saúde e a uma vida plena, o que só é possível com a defesa radical do processo democrático:

“Sociedades democráticas podem estar na vanguarda dos direitos humanos, desde que elas não façam guerras como pretexto para impor a democracia. Acredito que a principal regra ética da nossa era deve ser baseada no princípio da solidariedade, em termos de espaço e tempo. O espaço da solidariedade diz respeito ao esforço contra as desigualdades existentes no mundo: gênero, educação, trabalho, saúde, poder. O tempo da solidariedade diz respeito aos direitos das futuras gerações, que estão sendo expropriadas da possibilidade de desfrutarem, no mínimo, dos mesmos recursos que nós recebemos dos nossos antecessores”.

 

Giovanni Berlinguer: presente!

 

Ligia Maria Vieira da Silva

Também quero expressar meus sentimentos frente a perda de Giovanni Berlinguer. Além da sua contribuição teórica e política para a Reforma Sanitária Brasileira em escala ampla gostaria de registrar o estimulo que sua militância representou para diversos de nós. Eu era secretária do núcleo do Cebes da Bahia, em 1978/79, quando trouxemos o prof. Berlinguer para fazer um debate em Salvador sobre a Reforma Sanitária Italiana ou tema correlato. Naquele momento histórico esse tipo de evento proporcionava um espaço vital para o debate sobre o sistema de saúde brasileiro o que era decisivo para a formação dos sujeitos críticos,​ necessários para o projeto Reforma Sanitaria.

 

José Gomes Temporão

Conheci Giovanni Berlinguer quando do lançamento de seu livro Medicina e Política pelo CEBES em 1978. O livro foi lançado no Colégio Bennett com uma conferencia de Berlinguer e autógrafos após o evento. Vivíamos então uma ditadura e era a primeira vez que um sanitarista e filiado ao partido Comunista Italiano vinha ao Brasil lançar publicamente um livro. Para nós cebianos foi com um misto de reverência, entusiasmo e incredulidade que o recebemos. Sim, de fato, tínhamos conseguido trazer o Berlinguer tão conhecido por nós pela leitura de seus textos. E foi com certa surpresa que descobri uma figura extremamente simpática e de uma simplicidade incrível. No dia seguinte, levamos Berlinguer para um almoço na Floresta da Tijuca no Rio. Lembro que um dos temas abordados na conversa com ele foi o do papel dos médicos na reforma do sistema de saúde na Itália. Fui escalado pelos companheiros cebianos a levá-lo no dia seguinte ao aeroporto. Ao chegar ao pequeno e simples hotel em frente ao mar do leme ele me pediu se não poderíamos optar por um caminho que lhe permitisse observar um pouco mais da nossa cidade. Levei-o então por um trajeto que passou por Ipanema, Copacabana, Aterro do Flamengo e ele embevecido sorvia com os olhos a paisagem que tanto lhe tocou. Bom, ali também nascia o primeiro sócio de carteirinha do Cebes no PCI.

Outro momento em que o revi foi durante a 12ª CNS em Brasília logo após a morte de Arouca. Sentamos-nos com Paulo Amarante em uma mesa do lado de fora do evento que ocorreu na UNB e nos faltaram palavras para exprimir a dor pela ausência no nosso companheiro.

A última vez que o vi foi durante sua visita à ENSP para receber o título de doutor honoris causa concedido pela ENSP-FIOCRUZ quando Paulo Buss dirigia a Fundação. Naquele momento eu era ministro da saúde e não pude deixar de pensar o quanto aquele senhor havia influenciado minha formação e quanto dele eu carregava no meu cotidiano de busca de sustentação para o SUS projeto que ela tanto havia influenciado.

O legado de Berlinguer à saúde coletiva e á bioética é por demais conhecido. Muitos de seus textos e conceitos continuam extremamente aplicáveis ao Brasil de hoje. Os que se seguem estão entre os meus preferidos. A questão da consciência sanitária, por exemplo, no contexto da reforma sanitária brasileira. Ele nos ensinou que:

“Por Consciência Sanitária entendo a tomada de consciência de que a saúde…é um direito da pessoa e um interesse da comunidade. Mas como este direito é sufocado e este interesse descuidado, Consciência Sanitária é a ação individual e coletiva para alcançar este objetivo”

Ou sobre o processo de construção de uma consciência política sobre saúde na sociedade brasileira:

“as forças sindicais e políticas organizam, orientam e representam as grandes massas populares desenvolvendo por isso um papel relevante não só nas instituições mas também na formação cultural dos cidadãos…se assim não fosse senão existisse esta intervenção da democracia organizada a educação sanitária ficaria uma obra fragmentária, sem dúvida corajosa, mas dispersa fruto de educadores isolados. Tornar-se-ia uma espécie de guerrilha provavelmente destinada ao fracasso, contra a tradicional deseducação…contra a maciça pressão mais ou menos oculta de grandes meios deseducativos…”

Por fim deixo-os com uma reflexão de Berlinguer que tão bem sustenta sua visão da conquista da saúde como um processo político e que parece que ele acabou de redigir e nos enviar por e-mail:

“para subtrair o bem saúde às leis do mercado…não basta modificar os serviços sanitários, é imperioso incidir sobre as leis gerais que regem a economia e a sociedade…de fato, as soluções aos problemas atuais da saúde não são somente médicas, mas sim, sociais, políticas, culturais. Por exemplo: comportam uma condição humana diferente nas fábricas, a melhoria da vida na infância e do sistema escolar, uma nova política de transportes… uma politica ecológica sob medida para o homem”

Sarah Escorel

Assim que li a notícia da morte do Berlinguer pensei nas pessoas com quem gostaria de compartilhar o meu sentimento de perda e boa parte delas já morreu: Sergio, Eric, Eleutério… Mas tem vocês cebianos, a equipe do Nupes, Paulo Amarante, Celia Almeida e Volney Garrafa, e tantos outros estreitamente vinculados ao Berlinguer.
Desde então, nos (raros) momentos de pausa, surge uma lembrança – a última vez que nos vimos em Londres no seminário de apresentação do relatório da Comissão de Determinantes Sociais em Saúde quando ele me contou como estava feliz com sua nova geração de netos, a vez em que ele se levantou e saiu do auditório irritado com as besteiras que o representante do Banco Mundial estava dizendo na mesa de encerramento do Congresso da Associação Internacional de Políticas de Saúde no Canadá, no velório do Sergio, ele vindo do Congresso da Abrasco em Brasília, a vez em que jantamos comida baiana em Ipanema com sua mulher e filhas e por aí vai.
Berlinguer foi e continuará sendo uma das minhas principais referências ética e teórica. Foi uma pessoa deliciosa de se conviver. Foi um privilégio compartilhar com ele esses momentos.

María Isabel Rodríguez

Giovanni Berlinguer:

El Amigo, el Compañero, el Maestro, un hombre Grande y al mismo tiempo, el intelectual profundo y modesto, solidario con todos los pueblos del mundo, ha muerto.

ALAMES ha perdido no solo a uno de sus fundadores, sino a uno de sus grandes soportes académicos y humanos.

Al igual que en muchos de nuestros países, Giovanni constituyó un apoyo en el desarrollo temprano de las ciencias sociales en salud , durante nuestro trabajo en México. Su solidaridad internacional le hizo estar presente siempre que le llamamos en todas las actividades tanto de ALAMES como del pensamiento progresista latinoamericano en general. Es así como gozamos del ultimo encuentro con su persona, durante la toma de posesión del Presidente Lula en Brasilia a la cual asistió acompañando a la delegación italiana a ese acto.

Mi profunda condolencia a Giulinna y su familia, ALAMES y a la gran familia Latinoamericana e Internacional que pierde a uno de sus mas valiosos miembros.

 

Hugo Mercer (Argentina)

Por mi parte, querría contar que la Medicina Social, la Salud Colectiva, nos dieron la oportunidad de conocer y tratar algunas personas muy excepcionales por su capacidad, por sus valores y honestidad. Giovanni Berlinguer fue sin duda uno de los mejores.

Cuando a principios de los 70 había pocos textos a los que acudir para sentirse representados, en Berlinguer encontramos un referente con quien cubrir esa carencia.
Si mal no recuerdo, fue hacia 1976 cuando invitamos a Giovanni, y también a Vicente Navarro a

una actividad en Costa Rica que llamamos (con una irresponsable convicción de estar descubriendo un campo), ”1er” Seminario Internacional de Medicina Social, o algo parecido.
Giovanni aceptó la invitación y disfrutamos de ese primer encuentro con alguien que nos deslumbró con su capacidad y calidez humana. Su forma de hablar, la manera en que hilvanaba las ideas, cómo redondeaba una explicación con ejemplos lleno de humor e ironía, lo hacían cercano y comprensible. No había dureza ni dogmatismo y no necesitaba levantar la voz para convencer. Eran sus valores los que nos conmovían.
Lo encontré varias veces desde entonces y siempre
su
constante gesto afectuoso, el interés genuino por el otro. En 1980, cuando se organizó el seminario de la International Association of Health Policy en México, vino a nuestra casa, trayendo para Alicia, mi esposa, el ramo de flores más hermoso. Lo recordamos
ahora
llamando a la puerta, sonriente y afectuoso. Elegimos esa imagen de Giovanni para seguir teniéndolo presente.

 

 

Acesse livros de Giovanni Berlinguer:

 

Reforma Sanitária – Itália e Brasil na íntegra | Aqui

A Doença | Aqui 

 

Documentário “Giovanni Berlinguer: Um especialista em Pulgas”

 

Este documentário resgata a memória de um homem que como acadêmico deixou relevante legado e como político, um grande exemplo de atuação e militância constantes. 

 

PARTE 1

https://www.youtube.com/watch?v=813XC_vBtdY

PARTE 2

https://www.youtube.com/watch?v=tpwdzTKBJzg


Repercussão na mídia internacional:

CORRIERE DE LA SERA | Morto a Roma Giovanni Berlinguer medico e deputato, fratello di Enrico

REPUBBLICA | Addio a Giovanni Berlinguer, una vita nel Pci

ANSA | Morto a Roma Giovanni Berlinguer

LA STAMPA | Morto a Roma Giovanni Berlinguer

IL FATTO QUOTIDIANO | Giovanni Berlinguer, morto il fratello di Enrico: tre volte deputato Pci 

IL TEMPO | Addio a Giovanni Berlinguer, fratello di Enrico



Comentários

  1. Giovanni Berlinguer Presente !!!! faz parte de um dos maiores referenciais teóricos meu, seus livros dos quais destaco medicina e política é um legado. Grata pele sua existência mestre. você viveu para ` Qualificar a existência`.

  2. La Medicina Social, la Salud Colectiva, nos dieron la oportunidad de conocer y tratar algunas personas muy excepcionales, por su capacidad, por sus valores y honestidad. Giovanni Berlinguer fue sin duda uno de los mejores.
    Cuando a principios de los 70 había pocos textos a los que acudir para sentirse representados, en Berlinguer encontramos un referente con quien cubrir esa carencia.
    Si mal no recuerdo, fue hacia 1977 cuando lo invitamos a una actividad en Costa Rica que llamamos (con una irresponsable convicción de estar descubriendo un campo), ”1er” Seminario Internacional de Medicina Social, o algo parecido. Giovanni aceptó la invitación y disfrutamos de ese primer encuentro con alguien que nos deslumbró con su capacidad y calidez humana. Su forma de hablar, la manera en que hilvanaba las ideas, cómo redondeaba una explicación con ejemplos lleno de humor e ironía, lo hacían cercano y comprensible. No había dureza ni dogmatismo y no necesitaba levantar la voz para convencer. Eran sus valores los que nos conmovían.
    Lo encontré varias veces desde entonces y siempre encontré el constante gesto afectuoso, el interés genuino por el otro. En 1980, cuando se organizó un seminario de la International Association of Health Policy en México, vino a nuestra casa, trayendo para Alicia, mi esposa, un ramo de flores maravilloso. Lo recordamos estos días llamando a la puerta, sonriente y pleno de afecto. Elegimos esa imagen de Giovanni para seguir teniéndolo presente.

    Hugo Mercer

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