Henrique Botelho, presidente do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, comenta a pandemia de coronavírus em Portugal

Henrique Botelho é presidente do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP). Ele foi o convidado da Grande Entrevista, da RTP3, no dia 30 de abril de 2020. A COVID-19 foi o tema em destaque. O contexto da entrevista foi anúncio da intenção do governo de Portugal de medidas para reabrir as atividades econômicas.

A entrevista é interessante para retratar o momento atual de Portugal no atual cenário da pandemia de covid-19, que mantém o controle maior do coronavírus que a vizinha Espanha e outros países europeus, e começa a estudar os passos para afrouxar as medidas de isolamento social. Essa matéria do El País, elenca a receita portuguesa: “Precauções sanitárias, planos de contingência oportunos e união política combatem epidemia melhor que em outros lugares com mais recursos econômicos“.

Segundo dados da universidade Johns Hopkins, verificados na data dessa postagem (07/05), Portugal está com 26.715 casos contra 220.325 da vizinha Espanha, 214.457 da Itália, 202.359 do Reino Unido, 174.224 notificações da França e 168.276 da Alemanha. Os países europeus com índices mais próximos aos dos portugueses são a Suíça, com 30.126, a Suécia, 24.623, e Irlanda, com 22.248 notificações.

Ao longo da entrevista, Henrique faz algumas observações interessantes sobre a pandemia. Ele diz que afrouxar as medidas de isolamento social não pode significar uma retomada às atividades como eram antes do vírus se espalhar pelo mundo, mas se adaptar para uma nova realidade que leve em conta o coronavírus.

JornalistaDavi

Ele também faz comparações com a AIDS. Ele lembra que houve quem tachasse o HIV como “vírus haitianopor ele ter sido registrado pela 1a vez nos Estados Unidos em 34 pessoas oriundas do Haiti. Hoje em dia há quem levante a discussão de “vírus chinês“, pois o coronavírus foi registrado pela primeira vez na província de Wuhan, na China. Em tempos de formulação de políticas públicas, principalmente quando a transmissão comunitária já está disseminada, essa discussão é inócua. Outro ponto semelhante é sobre o chamado “grupo de risco“. Na AIDS, no início, haviam pessoas relaxadas porque era uma doença que “atingia homossexuais“. A história mostrou que não é esse o caso.

Veja abaixo a interessantíssima entrevista com Henrique Botelho:

https://www.youtube.com/watch?v=1MD_GwnpADg