Lúcia Souto fala ao jornal Brasil Atual sobre as manifestações de #3J, o caso da Covaxin, a vacinação no Brasil, fake news e a variante Delta

Lúcia Souto fala ao jornal Brasil Atual sobre as manifestações de #3J, o caso da Covaxin, a vacinação no Brasil, fake news e a variante Delta

A presidenta do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (CEBES) conversou nessa segunda-feira (5) com a jornalista Marilu Cabañas, da rádio Brasil Atual. No cenário atual, o Brasil totaliza mais de 524 mil óbitos desde o início da pandemia. A média móvel de mortes pela doença está em cerca de 1500, menor número desde fevereiro. Até o momento cerca de 36,7% da população tomou a 1a dose da vacina contra o SARS-Cov-2 e cerca de 12,7%, a 2a dose. Para Lúcia, a vacinação começou a ter resultados no Brasil, impactando na redução de mortes, que ainda se encontram em um patamar elevado. “Em outras circunstâncias, poderíamos estar em um patamar muito mais avançado no controle da doença. Para a gente começar a ter expectativa de controle da pandemia, o Brasil precisa ter vacinação mais expressiva“.

Segundo Lúcia Souto, o descontrole no enfrentamento à pandemia do novo coronavírus é responsabilidade do governo federal e a “comunicação tóxica” do presidente da República. Na conversa, a jornalista Marilu Cabañas lembrou de fake news do presidente da República, que diz falsamente que a coronavac, do Instituto Butantan, não seria boa contra a variável Delta (identificada pela primeira vez em território indiano). Cabañas também fala de boatos espalhados uma médica na Bahia, que diz que pessoas infectadas pelo coronavírus não precisam tomar a 2a dose da vacina.

A sanitarista aponta que não há hoje no País uma campanha contra desinformação em relação a vacinas, algumas delas espalhadas pelo próprio presidente da República. “A fonte de informação de boas práticas de vacinação deveria ser o Ministério da Saúde“, aponta Lúcia. Mas, pelo contrário, o governo federal deixa viralizar a desinformação. “Todas as vacinas em uso no Brasil tem segurança: Butantan, Astrazenca, Pfize e Jansen, são seguras e eficazes“.

Lúcia também aponta que atuação do Conselho Federal de Medicina, que “desde o 1o momento da pandemia se colocou ao lado do presidente da República“, não ajuda no enfrentamento da pandemia. “Essas pessoas deveriam ser linha de influencia para a população enfrentar a pandemia“.

De acordo com ela, esse descontrole acaba gerando acontecimentos como possíveis casos de aplicação de vacinas já vencidas – que está sendo investigado por prefeituras e pela Fiocruz. Ela também alerta sobre o possível novo recrudescimento da pandemia no Brasil com a disseminação da variante Delta, que está aumento o número de casos em países com bons índices de vacinação, como Israel. “O recrudescimento acontece pela lentidão da vacinação e não adoção de medidas não farmacológicas, como uso de máscaras, e lockdown de 21 dias enquanto a vacinação fosse ampliada para toda a população. Essas medidas seriam acompanhadas por auxílio emergencial de pelo menos R$ 600 e apoio econômico para pequenas e médias empresas“. Para piorar, aponta Lúcia, o Brasil não está fazendo o dever de casa da Vigilância Sanitária. “Vamos ter que conviver com essas medidas: controle mais rígido, flexibilização, controle mais rígido, flexibilização“.

Lúcia falou também sobre as manifestações de 3 de Julho, que trouxeram um componente muito forte de indignação não só pelo número elevado de mortes por covid-19 no Brasil, mas pelos indícios de corrupção no caso da compra da vacina indiana Covaxin. Para ela, as ruas mostraram “a indignação com a irresponsabilidade criminosa do governo federal associada com uma coisa gravíssima que é o roubo na área da saúde”. A pesquisadora destaca que em algumas cidades, manifestações tiveram ‘alas’ de parentes homenageando vítimas da covid-19. “É o momento das pessoas trazerem para a rua o tamanho do seu sofrimento“. Para ela, as últimas denúncias contra o desgoverno federal faz com que o #ForaBolsonaro ganhe muita força entre a população. “É como vi numa placa na manifestação. Não cabe no Brasil mais sofrimento”.

Ouça a entrevista de Lúcia Souto a Marilu Cabañas:



Deixe uma resposta


Seu e-mail não será publicado. Seu comentário poderá ser moderado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.