Segundo debate sobre Classes Sociais discute estratos emergentes e cultura política

A Fundação Perseu Abramo (FPA) e a Fundação Friedrich Ebert (FES) realizaram nesta quinta-feira, 16, o segundo debate, de uma série de nove, sobre Classes Sociais. Nesta edição foram apresentados os resultados da pesquisa, inédita, “Estratos sociais emergentes e cultura política”, produzida por Gustavo Venturi e Vilma Bokany, do Núcleo de Pesquisas e Opinião Pública da FPA.
Na apresentação, Venturi destacou a importância do estudo, ressaltando que “duas de cada cinco pessoas tiveram mobilidade social [nos últimos anos], porém isso não significou mudança na visão de mundo”. A pesquisa mostra também que a sustentabilidade do modelo atual deve ter como horizonte a transformação social, e que as desigualdades merecem tratamento específico, diz Venturi.

Governo quer importar médicos estrangeiros sem garantir qualificação

Governo federal quer importar 6.000 médicos cubanos para trabalhar em regiões mais carentes (inclusive de cidadania). Nós, médicos, não somos contrários – entretanto, exigimos que critérios de avaliação sejam respeitados e os diplomas sejam convalidados.
A medida estava anunciada há tempos, mas foi negada na recente audiência que a presidente Dilma concedeu às entidades médicas.

A questão da vinda dos médicos cubanos para o Brasil

Bom, como opinião inteligente se constrói com o contraditório, vou tentar levantar aqui algumas informações sobre a vinda de médicos cubanos para regiões pobres do Brasil que ainda não vi serem abordadas.
– O principal motivo de reclamação dos médicos, da imprensa e do CFM seria uma suposta validação automática dos diplomas destes médicos cubanos, coisa que em momento algum foi afirmado por qualquer membro do governo. Pelo contrário, o próprio ministro da saúde, Alexandre Padilha, já disse que concorda que a contratação de médicos estrangeiros deve seguir critérios de qualidade e responsabilidade profissional. Portanto, o governo não anunciou que trará médicos cubanos indiscriminadamente para o país. Isto é uma interpretação desonesta.
– Acho estranho o governo ter falado em atrair médicos cubanos, portugueses e espanhóis, e a gritaria ser somente em relação aos médicos cubanos. Será que somente os médicos cubanos precisam revalidar diploma? Sou médico e vivo em Portugal, posso garantir que nos últimos anos conheci médicos portugueses e espanhóis que tinham nível técnico de sofrível para terrível. E olha que segundo a OMS, Espanha e Portugal têm, respectivamente, o 6º e o 11º melhores sistemas de saúde do mundo (não tarda a Troika dar um jeito nesse excesso de qualidade). Profissional ruim há em todos os lugares e profissões. Do jeito que o discurso está focado nos médicos de Cuba, parece que o problema real não é bem a revalidação do diploma, mas sim puro preconceito.
– Portugal já importa médicos cubanos desde 2009. Aqui também há dificuldade de convencer os médicos a ir trabalhar em regiões mais longínquos, afastadas dos grandes centros. Os cubanos vieram estimulados pelo governo, fizeram prova e foram aprovados em grande maioria (mais à frente vou dar maiores detalhes deste fato). A população aprovou a vinda dos cubanos, e em 2012, sob pressão popular, o governo português renovou a parceria, com amplo apoio dos pacientes. Portanto, um dos países com melhores resultados na área de saúde do mundo importa médicos cubanos e a população aprova o seu trabalho.

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