Núcleo Cebes DF promove Ciclo de Formação Crítica em Saúde

No próximo dia 16, o Núcleo brasiliense do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde dará início ao Ciclo de Formação Crítica em Saúde, que pretende trazer à capital cursos com assuntos relevantes para o aprofundamento de questões da Reforma Sanitária.

O primeiro curso terá como tema “A questão Agrária e a Saúde” e será ministrado pelo pesquisador aposentado do IPEA e ex-Diretor do Cebes, Guilherme Costa Delgado. “Atualmente, sob hegemonia da “Economia do Agronegócio”, a estrutura agrária brasileira se configura como ‘solução’ conjuntural às relações assimétricas da economia brasileira no cenário externo e ao mesmo tempo como uma fonte de riscos crescentes nos planos ambiental, de saúde pública e de desigualdade agrária. Esta nova configuração remete a discussão agrária para limites extra setoriais, como os que ora pretendemos visitar neste Mini Curso”, afirmou o pesquisador.

Ainda segundo Delgado, algumas questões conceituais serão abordadas, como as noções históricas recentes de Questão Agrária e sua atualidade na era do agronegócio e as relações destas com as condições de vida da população. “Neste sentido, há um material didático preliminar, que nos servirá de roteiro à exposição didática, além de outros materiais bibliográficos a serem apresentados na ocasião”, finaliza o ex-diretor do Cebes.

O curso acontecerá no dia 16 de março, no Auditório da Fundação Hemocentro de Brasília, com a carga horária de seis horas. A taxa de inscrição é de R$ 50,00 por pessoa e as inscrições devem ser feitas junto ao Núcleo de Estudos de Saúde Pública (NESP/UnB), através dos contatos abaixo. Participe!

Serviço
Curso A questão Agrária e a Saúde
Data: 16 de março
Horário: de 9h às 12h e das 14h às 17h
Local: Fundação Hemocentro de Brasília/Asa Norte
Taxa de inscrição: R$ 50,00
Contato: nesp@unb.br e 61 33406863

A saúde do Sistema Único

Apesar de resultar do processo democratizante dos anos 1980, o SUS, consagrado na Constituição Federal, não consegue concretizar seu projeto inicial: o de fornecer assistência de saúde universal e eficiente a todos os brasileiros. Segundo livro de técnico do Ipea, fortes interesses privados prejudicariam desempenho do setor público, que padece de falta de recursos por parte do Estado
O título embute uma saudável provocação: SUS: o desafio de ser único (Editora Fiocruz, Rio de Janeiro, 2012), livro do economista e Técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea Carlos Octávio Ocké-Reis. Doutor em saúde coletiva pela Universidade do Estado do Rio de janeiro e pós doutor pela Universidade de Yale, Ocké-Reis mostra não ser possível falar em “desenvolvimento humano”, “democracia” e “igualdade de oportunidades”, sem que haja garantia efetiva de saúde pública e universal no país. O Sistema Único de Saúde não conseguiu, até agora, ser o que anuncia e promete. Não é único e não garante atendimento médico e hospitalar às dezenas de milhões de brasileiras e brasileiros pobres que dele necessitam.

Nota oficial da Abrasco: A proposta de ampliação a planos privados de saúde é um Engodo

O governo brasileiro e representantes dos planos de saúde discutiram a ampliação dos planos privados para os segmentos C e D da população. O jornal Folha de S. Paulo (Cotidiano, 27/02) traz a informação de que um pacote de medidas está sendo gestado com vistas à redução de impostos e ao aumento de subsídios para expandir a assistência médica suplementar. Trata-se de um grande engodo pois, na verdade, o que se propõe são planos baratos no preço e medíocres na cobertura.
Somos contrários a essa privatização!É uma proposta inconstitucional que significaria mais um golpe contra o sistema público brasileiro. E o pior: feita por quem deveria defender a Constituição e, por conseguinte, o acesso universal de todos os brasileiros a um sistema de saúde público igualitário.

Um pacto pela saúde e pelo desenvolvimento

O novo modelo de crescimento populacional do Brasil, marcado pelo forte envelhecimento da população, lança um desafio importante no campo da saúde. Em 2030, o país deverá contar com mais de 216 milhões de brasileiros, sendo que 40,5 milhões terão mais de 60 anos de idade. Esse cenário trará como consequência o crescimento exponencial da demanda por medicamentos. Os gastos governamentais sofrerão forte expansão para fazer frente à essa nova realidade. Nesse cenário há dúvidas importantes que precisam ser equacionadas desde já. O Sistema Único de Saúde (SUS), terá condições de atender a essa monumental transformação? O Brasil está fazendo a lição de casa para fortalecer a indústria nacional e ficar menos dependente da importação de medicamentos cada vez mais caros e sofisticados, especialmente no campo da biotecnologia, nanotecnologia, e da medicina genética?
Basta um rápido exame nos dados dos gastos do governo com medicamentos para entendermos o tamanho do problema. Em 2003, o Ministério da Saúde gastava R$ 1,9 bilhão por ano com medicamentos. Em 2012, para atender as demandas de universalização do SUS e abastecer a rede, esse número saltou para R$ 9,4 bilhões. Nos próximos anos, os gastos prometem avançar ainda mais com a incorporação de novos tratamentos, como é o caso dos medicamentos biológicos. Importados, em 2010 esses medicamentos responderam por 31,9% da verba disponível para compras do setor.

E mais uma vez a elite mostra sua cara…

E mais uma vez a elite mostra sua cara… Apesar dos esforços – ainda tímidos – do governo em tentar levar assistência médica às regiões mais pobres do país, uma parte elitizada da categoria médica e dos estudantes de medicina continua se opondo ao Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica (Provab).
Não porque queiram aprimorar o Programa, ou corrigir falhas, ou ainda lutar por efetivas condições de trabalho na Atenção Básica e no interior… Não! Eles se incomodam mesmo é com o fato de que os médicos participantes recebam bônus nas provas de residência, mesmo após se dedicarem por um ano em atender populações que vivem em maior vulnerabilidade, como em áreas de extrema pobreza, periferias das regiões metropolitanas, além de populações ribeirinhas, quilombolas e indígenas. Acham injusto! Ora, pois!

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