A enfermaria vazia
No começo do século XX século, as práticas médicas de assistência ao parto, cruentas e arriscadas, continuavam encontrando enorme resistência das parturientes. Também no Brasil, desde o século anterior, além das mulheres de famílias ricas o suficiente para pagarem os honorários dos obstetras, em partos domiciliares ou hospitalares, as usuárias dos serviços médicos — os hospitais de ensino — eram as mulheres desvalidas, que não tinham aonde ir na hora do parto, e as parturientes de casos desesperados, que não haviam se resolvido com os recursos não-médicos. As demais eram atendidas por parteiras, mais leigas ou mais cultas, que davam consultas sobre vários temas, como cuidados com o corpo e tratamento de doenças venéreas. De acordo com relatos médicos, também ofertavam recurso para prevenir a concepção indesejada, para abortar, e eventualmente colaboravam com a exposição.
