População brasileira chegará a 204,3 milhões em 2030

O Brasil gasta pelo menos US$ 15,8 bilhões ao ano com os efeitos da violência armada, segundo um relatório divulgado pelo PNUD. A estimativa, que abrange tanto custos diretos (serviços médico-hospitalares, policiais e judiciários) quanto indiretos (como perda de produtividade, de capital social e de qualidade de vida), é baseada em metodologia recomendada pela Organização Mundial da Saúde e pelo projeto Small Arms Survey para países que não estão em guerra.

O método foi testado para três países: Jamaica e Tailândia, além do Brasil, como informa o relatório feito com apoio do PNUD, chamado Global Burden of Armed Violence (O Ônus Global da Violência Armada). Desses, é no Brasil que o custo é maior — os gastos somam US$ 415 milhões na Jamaica e US$ 473 na Tailândia.

Em todos os casos, o custo indireto supera o direto. Neste, estão contabilizados itens como diárias hospitalares, médicos, transporte de pacientes, remédios, consultas, policiamento, prisões em razão de crimes decorrentes de uso de armas, processos judiciais e segurança privada. No Brasil, o custo direto foi de US$ 235 milhões em 2004 (mais de três quartos desse número se deveram a agressões entre pessoas do sexo masculino).

Os custos indiretos abarcam perda de produtividade (em ganhos monetários e tempo), de capital social, seguro de vida, proteção indireta e perda de qualidade de vida ligadas a ferimento por pequenas armas (dores e sofrimento, redução das oportunidades de trabalho, acesso a serviço público e dificuldade de participar da vida pública). No Brasil, a estimativa é que esses custos tenham chegado a US$ 9,2 bilhões, também em 2004. “Os custos médicos diretos das agressões [por pequenas armas] representaram 0,4% do orçamento de saúde, enquanto os custos indiretos chegaram a 12% de todas as despesas com saúde, ou 1,2% do PIB”, afirma o estudo.

O próprio relatório menciona outras metodologias, que levam a números diferentes. Um estudo do IPEA, por exemplo, estima em US$ 56,5 bilhões o custo da violência no Brasil — um terço do valor é ligado a despesas do sistema público de saúde.

“O efeito danoso da violência armada inclui itens como incapacidade física e mental, ferimentos no cérebro ou em órgãos internos, contusões e queimaduras, síndrome do pânico crônica e uma série de problemas sexuais e reprodutivos”, observa o relatório. “A violência armada também corrói o tecido social, semeia medo e insegurança, destrói capital humano e social e mina os investimentos sociais e a eficiência da ajuda humanitária”, acrescenta.

Apresentado em Genebra durante conferência ministerial organizada pelo PNUD, em setembro, o relatório aponta ainda que os gastos com segurança tendem a ser mais elevados nos países pobres. “Uma revisão de estudos [sobre violência] sugerem que, nos países em desenvolvimento, gastos públicos na aplicação da lei consomem de 10 a 15% do PIB [Produto Interno Bruto], enquanto no países desenvolvidos o valor é de 5% “, diz o texto.

 

Fonte: Pnud Brasil