18ª Conferência Nacional de Saúde: mobilização e o desafio de incidir no SUS
Etapa municipal entra na terceira semana em meio ao debate sobre financiamento, democracia e os limites entre formular propostas e produzir mudanças concretas na realidade do sistema.
A etapa municipal da Conferência de Saúde segue mobilizando diferentes regiões do país em defesa do Sistema Único de Saúde (SUS) e na preparação para a 18ª Conferência Nacional de Saúde (18ª CNS), que acontece 40 anos após a histórica 8ª Conferência Nacional de Saúde. Em sua terceira semana, a agenda reúne conselheiras e conselheiros, gestores, trabalhadores da saúde, movimentos sociais e representantes dos territórios em torno dos desafios atuais da saúde pública brasileira.
Promovidos pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS), em parceria com os Conselhos Municipais de Saúde e o Ministério da Saúde, os encontros têm caráter não deliberativo e ampliam o diálogo social sobre o tema central da 18ª CNS: “Saúde, Democracia, Soberania e SUS: cuidar do povo é cuidar do Brasil”. Ao mesmo tempo, ajudam a impulsionar a participação nos processos preparatórios da conferência, cuja etapa municipal já está em andamento e segue até 4 de julho.
Para a presidenta do CNS, Fernanda Mangano, a realização da 18ª Conferência carrega um peso histórico e político particular por marcar os 40 anos das 8ª Conferência e ocorrerem neste período pré-eleitoral. “São muitas as expectativas em relação à 18ª Conferência Nacional de Saúde,. O cenário da defesa da democracia da soberania nacional é fundamental para que as políticas de saúde continuem a serem impressas no cotidiano da sociedade brasileira“.
Fernanda destaca a relevância dos encontros na defesa do cuidado da população, “reconhecendo a importância de cada um e cada uma na definição de manter visibilizado e ativo. O direito humano à Saúde”.
Do debate à realidade do SUS
Mais do que uma etapa preparatória, os encontros também abrem espaço para uma reflexão necessária sobre o próprio processo conferencial. Em meio à construção de novas propostas e compromissos, a 18ª CNS recoloca uma pergunta que atravessa a história das conferências de saúde no Brasil: qual tem sido o impacto concreto dessas deliberações na realidade do SUS ao longo dos anos?
As conferências ocupam lugar estratégico na formulação de diretrizes e no planejamento das políticas públicas de saúde. Ainda assim, a distância entre o que é debatido e aprovado nesses espaços e sua efetivação no cotidiano dos serviços segue como um desafio importante.
Para a professora Cristiane Lemos, coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação, Trabalho e Saúde (Gepets/UFG), a chegada da 18ª CNS também exige um balanço crítico do ciclo anterior. Segundo ela, é importante avaliar o que, de fato, pode ser afirmado como saldo positivo da 17ª Conferência.
Ao final de cada encontro estadual, a proposta é consolidar cartas compromisso pelo futuro do SUS, a serem apresentadas ao Legislativo em cada esfera federativa. Para Cristiane, no entanto, a força política desses espaços não dispensa uma pergunta de fundo: “Para além da potência desses espaços de participação social, precisamos nos perguntar: quais impactos concretos têm sido produzidos na realidade do SUS?”.
Mais do que renovar diretrizes, a preparação para a 18ª CNS recoloca em debate a capacidade do controle social de incidir concretamente sobre os rumos das políticas públicas. Em um momento atravessado por disputas sobre democracia, financiamento e direito à saúde, a conferência volta a desafiar o país a transformar participação em efeito real na vida da população.
Confira o calendário oficial:
Municipal: 16 de março a 4 de julho de 2026
Estadual, Distrito Federal e Conferências Livres Nacionais: janeiro a abril de 2027
Nacional: primeira quinzena de julho de 2027
Reportagem: Fernanda Regina da Cunha/Cebes
