Anais do Congresso da Alames reúnem debates urgentes para a saúde na região
Publicação reúne os trabalhos apresentados no encontro realizado em agosto de 2025, na UERJ, e prolonga no tempo as reflexões e proposições construídas em defesa da democracia, dos direitos sociais e da saúde na América Latina.
Em uma América Latina atravessada por desigualdades profundas, pressões privatistas e disputas em torno do direito à saúde e da democracia, a publicação dos anais do XVIII Congresso Latino-Americano de Medicina Social e Saúde Coletiva ganha relevância para além do registro acadêmico. O material consolida parte importante do pensamento crítico produzido no encontro e reafirma a saúde como campo estratégico de resistência, formulação política e construção democrática na região.
Realizado de 4 a 8 de agosto de 2025, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), no Rio de Janeiro, o Congresso reuniu acadêmicos, profissionais, estudantes, gestores e representantes da sociedade civil de diferentes regiões do Brasil e de diversos países latino-americanos. Promovido no marco dos 40 anos da Associação Latino-Americana de Medicina Social (Alames), o evento foi um dos principais espaços de encontro da saúde coletiva no continente.
Com o tema “Por democracia, direitos sociais e saúde: retomando o caminho da determinação social e da soberania dos povos”, o Congresso concentrou debates sobre os rumos dos sistemas universais de saúde, os impactos das desigualdades sociais sobre as condições de vida e adoecimento das populações e os desafios colocados pela mercantilização do cuidado. A programação incluiu conferências, mesas temáticas e outros formatos de apresentação voltados ao intercâmbio de conhecimentos, ao fortalecimento de redes de colaboração e à construção de respostas políticas diante dos impasses contemporâneos da região.
Os debates também evidenciaram o contraste que marca a experiência latino-americana. De um lado, o avanço de políticas neoliberais que tratam a saúde como mercadoria e ampliam a presença de interesses privados nos sistemas públicos. De outro, a resistência de movimentos, instituições e coletivos que seguem afirmando a saúde como direito humano fundamental e defendendo modelos universais, públicos e comprometidos com a justiça social.
Nesse contexto, os anais do Congresso reúnem os trabalhos aprovados e apresentados no evento, oferecendo um panorama amplo das reflexões, pesquisas e experiências compartilhadas ao longo dos cinco dias de programação. A publicação preserva a memória de um encontro que colocou no centro do debate temas como democracia, determinação social da saúde, soberania dos povos, direitos sociais e os princípios éticos, políticos e organizativos necessários à construção de sistemas de saúde universais e decoloniais.
A importância desse acúmulo se torna ainda mais evidente diante das lições deixadas pela pandemia de Covid-19, que expôs tanto o papel central da saúde para o bem-estar das populações quanto a força dos interesses mercantis que disputam recursos públicos, insumos e tecnologias em toda a região. Em cenários marcados pela concentração de poder e pela ampliação das desigualdades, defender o direito à saúde permanece como tarefa urgente e inseparável da defesa da própria democracia.
Com a publicação dos trabalhos apresentados, o esforço coletivo ganha continuidade e se projeta como ferramenta de consulta, reflexão e mobilização para pesquisadoras, pesquisadores, trabalhadores da saúde, estudantes e movimentos comprometidos com a saúde coletiva latino-americana.
Os anais estão divididos em dois documentos: Comunicação oral – Volume 1 e pôster – Volume 2.
