Aos 50 anos, Saúde em Debate reafirma a defesa do SUS, da democracia e do direito universal à saúde
Número regular v. 50, n. 148 reúne estudos sobre Atenção Primária, equidade, trabalho, saúde mental, gênero e financiamento do SUS; editorial de Carlos Fidelis reafirma que “não há saúde sem democracia nem democracia plena sem o direito universal à saúde”.
A tensão entre a promessa universal do direito à saúde e as disputas concretas que atravessam sua efetivação são temas que ainda merecem destaque na agenda sanitária brasileira. Em um país marcado por desigualdades sociais, regionais e econômicas profundas, defender o Sistema Único de Saúde (SUS) é também defender a democracia, a participação social e a responsabilidade pública diante da vida.
É a partir dessa perspectiva que a revista Saúde em Debate, publicação do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes), disponibiliza o número regular v. 50, n. 148, de 2026, em um ano especialmente simbólico, – o volume 50 marca também as comemorações dos 50 anos da revista.
A edição é aberta pelo editorial “Saúde é democracia: 50 anos de luta, reflexão e compromisso público”, assinado pelo presidente do Cebes Carlos Fidelis da Ponte. Fidelis recupera a trajetória da entidade e da própria revista a partir de uma convicção histórica da Reforma Sanitária Brasileira. “Não há saúde sem democracia nem democracia plena sem o direito universal à saúde”.
Fundado em 1976, em um contexto de enfrentamento ao autoritarismo e à supressão de direitos, o Cebes se consolidou como ator fundamental na defesa da saúde como direito universal, bem comum e responsabilidade pública. O editorial reafirma que a saúde não pode ser reduzida à lógica do consumo, da mercadoria ou da eficiência econômica estrita, pois depende de políticas públicas universais, instituições democráticas robustas e participação ativa da sociedade.
Ao recuperar a participação do Cebes na construção da 8ª Conferência Nacional de Saúde e no processo que levou à criação do SUS, Fidelis destaca o papel da mobilização social, dos saberes técnicos e do compromisso ético-político com a justiça social. O SUS é apresentado como expressão concreta de um pacto civilizatório e como uma das mais importantes políticas de inclusão social já construídas no Brasil, apesar do subfinanciamento crônico, das pressões privatizantes e das tentativas recorrentes de desmonte.
Em um cenário marcado por crises sanitárias, sociais, ambientais e democráticas, o editorial convoca mais do que uma memória institucional, mas o presente que irá desenhar o futuro.
A edição reúne artigos, ensaios e artigo de opinião que dialogam com temas centrais da agenda sanitária brasileira contemporânea. Entre os assuntos abordados estão a vitimização por bullying entre escolares brasileiros; os vínculos trabalhistas e o tempo de permanência de profissionais da Atenção Primária à Saúde; a Biodança no contexto das Práticas Integrativas e Complementares no SUS; o cuidado após tratamento dos cânceres de mama e de endométrio; os óbitos maternos por covid-19 no Pará; a distribuição de oftalmologistas no Brasil em 2024; e o Programa Saúde na Escola.
O número também apresenta estudos sobre desigualdade regional na odontologia pública no estado de São Paulo; riscos psicossociais entre profissionais de enfermagem em hospital privado; atenção em saúde mental de adolescentes usuários de drogas no atendimento socioeducativo; conhecimentos e atitudes de profissionais e gestores da Atenção Primária sobre envelhecimento; mortalidade por câncer do colo do útero no Paraná; controle de substâncias pela Anvisa; desigualdades de gênero na violência contra minorias sexuais no Brasil; mulheres trabalhadoras do assentamento Antônio Júlio; avaliação de formação na Atenção Primária; financiamento federal da APS; avaliação da formação médica; e incorporação do implante subdérmico com etonogestrel no Sistema Único de Saúde.
Ao reunir essa diversidade de temas, a edição reafirma a vocação da Saúde em Debate: produzir conhecimento comprometido com o direito à saúde, com o fortalecimento do SUS e com a análise crítica das desigualdades que atravessam a sociedade brasileira.
Em seu volume 50, a revista segue como parte viva da história da Reforma Sanitária Brasileira. Uma história feita de pesquisa, militância, debate público e compromisso permanente com a democracia. Clique aqui para acessar o volume completo.
Reportagem: Fernanda Regina da Cunha / Cebes
