IS divulga chamada para artigos destinados ao próximo BIS

O Instituto de Saúde (IS) abre chamada para artigos a serem publicados na próxima edição do Boletim do Instituto de Saúde (BIS). O tema dessa publicação é “As Respostas da Saúde para o Enfrentamento da Violência”. A data de entrega dos textos completos é até o dia 1° de abril de 2013, conforme ementa disponibilizada abaixo.
Os artigos devem conter no total de 15.000 à 25.000 caracteres com espaços, com a letra Word Times New Roman, corpo 12, com espaçamento simples. Ao todo, o texto deve ter entre 6 e 7 páginas, incluindo as referências bibliográficas. O artigo deve ser enviado no formato Word 97/2003 ou equivalente. Figuras e gráficos devem ser enviados à parte. Os trabalhos serão avaliados pelos editores científicos e por editores convidados.

Colégios Universitários no Brasil

Editorial da Folha (29/12/2012) declara que “a ideia (do Colégio Universitário) é a inovação mais promissora da proposta paulista” de cotas nas universidades estaduais. Eunice Durham (“Veja”, 22/12/2012) considera a adoção de um modelo “college” uma “proposta revolucionária para o ensino superior brasileiro”.
Essa iniciativa pode ser revolucionária para o contexto paulista, mas não é novidade histórica no mundo nem no Brasil. Nos EUA, “junior colleges” existem desde 1899 e “community colleges” são implantados a partir de 1940. No Québec, desde 1967, “Collèges d’Enseignement Général” são obrigatórios para quem postula vagas em universidades públicas. Na Escandinávia, “högskolen” oferecem o diploma de Educação Geral Superior desde 1970. Essa variante foi incorporada ao Processo de Bolonha, com a denominação de “short cycle degree”.

A ineficácia da internação compulsória

Nos últimos dias vem sendo anunciada com alarde, como uma grande novidade, a internação compulsória de usuários de crack, que será adotada pelo governo do Estado de São Paulo na Capital paulista. O debate a respeito da internação compulsória é antigo e recentemente vem ganhando força junto a outros elementos de uma agenda social conservadora e excludente.
Vários estudos mostram que a internação compulsória, enquanto instrumento para a abordagem dos problemas decorrentes do abuso de substâncias, é altamente ineficaz, além de desrespeitar diversos direitos de cidadãos que, na maioria da vezes, já são vitimas de longa data do desrespeito a direitos sociais básicos, como moradia, emprego, educação e saúde. Segundo o professor Dartiu Xavier da Silveira, coordenador do Programa de Orientação e Assistência a Dependentes da Universidade Federal de São Paulo – Unifesp, 98% dos pacientes que são internados compulsoriamente sofrem recaídas pouco tempo depois do fim da internação.

O equívoco das internações involuntárias em São Paulo

Com amplo trabalho realizado com dependentes químicos, o psicanalista Antonio Lancetti questiona a decisão do governo de São Paulo de implantar a internação involuntária para diminuir o número de usuários de drogas nas ruas
Por que o Governo do Estado decidiu justamente agora deflagrar novamente uma caçada aos usuários de crack do centro de São Paulo?
Por que agora depois do fracasso de um ano de prisões, internações involuntárias e voluntárias por “convencimento obrigatório”- isto é, pessoas que assinaram sua internação para não serem indiciadas como traficantes, pois a lei não especifica qual a quantidade que diferencia usuário de traficante?
Por que justamente agora que o governo municipal está iniciando uma nova gestão redeflagram uma guerra contra os drogados pobres e miseráveis da cidade?

Crime e loucura

Danièlle Canarelli não foi a primeira psiquiatra a ser penalizada pelos crimes de seus pacientes. Seu caso, no entanto, o mais recente com repercussão internacional e o primeiro na história da jurisprudência francesa, envolveu Joel Gaillard, homem com histórico de internações psiquiátricas compulsórias, acusado de matar o avô por afinidade com um machado. A corte de Marselha considerou o assassino inimputável e o absolveu do crime. Em vez da prisão, ele foi encaminhado para tratamento psiquiátrico compulsório. Para a família da vítima, a decisão da corte foi injusta, por isso o alvo da contestação judicial passou a ser a médica psiquiatra. Doutora Canarelli foi considerada culpada por não conseguir manter Joel internado em um hospício e, mais surpreendente ainda, por não conseguir antever a periculosidade dele.

Recuperar o estado de confiança

Dois importantes analistas da economia contemporânea – o sociólogo norte-americano Immanuel Wallerstein (longa entrevista ao cientista político coreano Lee-Suhoon, publicada pelo jornal sul-coreano Hankioreh) sobre as tendências do capitalismo mundial; e o brasileiro Delfim Neto (artigos recentes em Carta Capital, especialmente o de 12-12 que trata da “Engrenagem da Confiança”); analisam, cada qual à sua maneira, a situação presente de crise econômica, recorrendo aos conceitos keynesianos de “incerteza dura” e “estado de confiança”. O ponto de convergência, se é que assim se pode falar da análise de ambos, é o apelo à ação política como via de superação da ‘incerteza dura” no mundo da economia, face aos graves perigos que esta traz à vida e a paz social. Vejamos como se colocam essas abordagens e que consequências nos trazem às nossas condições concretas de vida humana nos próximos anos.
Estou simplificando ao extremo as convergências das abordagens teóricas de Wallerstein e Delfim Neto, porque na verdade suas proposições de agir político face à crise capitalista são muito diferentes com relação ao conteúdo da ação suscetível de recriar um “estado de confiança” de longo prazo.

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