SILICONE RUIM, LIÇÕES BOAS – O ESTOURO DO SILICONE

São de arrepiar as palavras de cirurgiões plásticos que já operaram mulheres envolvidas no caso do silicone adulterado da fabricante francesa PIP. “Fiquei assustado com o estrago que fez nas pacientes. Os tecidos ficam muito inflamados e o trabalho para fazer a troca depois de uma ruptura como a da PIP é muito maior”, diz Aristóteles Scipioni, cirurgião plástico de Florianópolis que fez a substituição de próteses mamárias em duas mulheres, operadas originalmente por outros médicos. “Colocar uma nova prótese sobre tecido tão fragilizado é muito mais difícil”. Alan Landecker, especialista de São Paulo, explica como o silicone impróprio para uso médico age sobre o corpo humano quando a prótese se rompe e o produto vaza. “Ele tem consistência bem mais líquida do que o material de outras próteses. Portanto, espalha-se mais facilmente em caso de rompimento e logo corrói o tecido cicatrizado ao redor da prótese. O aspecto interno de um seio que teve rompimento da PIP é bem pior que o verificado em outros tipos de incidente. O tecido fica inflamado, muito vermelho e com feridas”. Outro especialista, Fernando Gomes de Andrade, faz uma comparação impressionante: “O que está acontecendo agora lembra os casos de travestis que tinham complicações ao injetar silicone líquido, na década de 80. Era comum o silicone infiltrar-se no organismo, provocando inflamações em outras partes do corpo. Com o silicone que vaza das próteses da PIP é a mesma coisa. Mesmo fazendo uma cirurgia corretiva benfeita, pode sobrar algum resíduo”.

Em nome do “maternalismo”, toda invasão de privacidade é permitida

Cresce entre feministas históricas e grupos que atuam em defesa da atenção integral à saúde da mulher, dos seus direitos sexuais e direitos reprodutivos o movimento contra a Medida Provisória 557, que institui o Sistema Nacional de Cadastro, Vigilância e Acompanhamento da Gestante e Puérpera para Prevenção da Mortalidade Materna. Assinam-na a presidenta Dilma Rousseff e os ministro Alexandre Padilha (Saúde), Guido Mantega (Fazenda) e Miriam Belchior (Planejamento).
“Já imaginou se, via MP, se tentasse tornar compulsório o teste de HIV e a soropositividade tivesse de ser declarada? Ou, para não irmos tão longe, o teste de sífilis, já que aids, embora seja doença crônica, ainda pode ser fatal? Ia haver uma grita geral, não é? Mas como se trata das mulheres e da maternidade toda invasão de privacidade é permitida.”

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