“Se depender dos governos, o SUS não avança”

Em posição de destaque na sala de trabalho de Jairnilson Paim, 64, no segundo andar do Instituto de Saúde Coletiva (ISC), na Ufba, estão exemplares da revista The Lancet, uma das publicações médicas de maior prestígio no mundo. O gesto guarda a retórica. Foi por meio de um artigo seu, publicado em maio de 2011, que países que inspiraram a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), como Itália, Canadá e Inglaterra, conheceram melhor a complexidade do modelo brasileiro.

“Mais recursos e mais coragem política, não só mais médicos”

Para o professor da Universidade de São Paulo Mário Scheffer, o SUS terá problemas enquanto prevalecer uma política econômica que defende a redução das despesas de custeio com as políticas sociais: “esse impasse econômico conjuntural, somado ao subfinanciamento público e às iniciativas de privatização, têm agravado a crise da saúde”.

Cipriano Maia analisa a gestão do SUS: do pacto ao COAP

Em entrevista concedida ao Cebes, o atual Secretário Municipal de Saúde de Natal, Cipriano Maia de Vasconcelos, que foi coordenador da elaboração do Pacto pela Saúde – desenvolvido e implementado ao longo dos dois governos anteriores – faz um balanço sobre a iniciativa. Vasconcelos afirma que, sem mudar a lógica do financiamento para fortalecer a regionalização, não há como avançar, e lamenta que o pacto não se consolidou em sua plenitude, ficando circunscrito como um instrumento burocrático, distanciado de se tornar uma ferramenta viva de gestão para o qual foi criado.

O SUS precisa de Mais Médicos e de Muito Mais!

Situando o direito a saúde no centro do projeto político de desenvolvimento social e econômico do país, o Cebes chama a atenção para o fato de que as medidas que compõem o Programa Mais Médicos são necessárias e louváveis, porém insuficientes para o setor que necessita urgentemente de outras medidas estruturantes de curto, médio e longo prazos. Confira na nota as propostas apresentadas pela entidade em relação ao Pacto pela Saúde formulado pelo Governo Federal.

Corporativismo médico e miséria moral

Nos dias tensos e intensos que o país vive nas últimas semanas em virtude da emergência de vários fatores, a incerteza sobre os destinos da economia e, em especial, as manifestações massivas dos jovens de classe média, abriram a caixa de Pandora do país, expondo seus males históricos e estruturais, entre eles, a precariedade absurda da mobilidade urbana das grandes metrópoles.

“Aborto é questão de saúde pública e não moeda de troca eleitoral”

A Igreja Católica utilizou o momento de vinda do papa Francisco para marcar posição sobre temas polêmicos, como a questão da homossexualidade e do aborto. Kits foram distribuídos criticando o uso da expressão “interrupção da gravidez”, pois “mascara a realidade, ocultando a morte da criança”. Com o recente avanço do estatuto do nascituro, o momento sinaliza a urgência de continuarmos o debate sobre o explícito desrespeito à laicidade do Estado e sobre o aborto enquanto questão de saúde pública.

Sinistro na ANS

Desde sua criação, há 13 anos, a agência foi capturada pelo mercado que ela deveria fiscalizar. As medidas sugeridas para coibir o conflito de interesses na ANS – frise-se, um órgão público sustentado com recursos públicos – sempre foram contestadas sob o argumento de que tais pessoas “entendem do setor”.
Assim, a agência instalou em suas entranhas uma porta giratória, engrenagem que destina cargos a ex-funcionários de operadoras que depois retornam ao setor privado.

Michel Foucault e o Neoliberalismo Sanitário

Há cerca de um ano atrás, por conta de uma homenagem que recebi do Instituto de Saúde Coletiva da UFBa, escrevi um ensaio intitulado “O Mal-Estar na Saúde Pública”. Mais recentemente, o ensaio foi publicado na revista do Cebes Saúde em Debate (v. 37, n. 96, p. 159-188, jan./mar. 2013). Nele, após identificar alguns “marcadores” da situação de mal estar, procurei situar suas raízes em certas configurações político-ideológicas mais gerais de nosso tempo, bem como desvelar algumas manifestações concretas na saúde pública, decorrentes ou associadas a essas configurações.

Faça sua doação

Ajudar o Cebes, significa que você apoia a luta, fortalece a instituição e integra esse coletivo de luta por uma saúde que seja pública universal e gratuita com um Sistema Único de Saúde (SUS) para todos!

Doar